Mas onde terei deixado a minha sanidade?
Na mesa-de-cabeceira para dormir mais solto? A marcar um livro talvez…
Só sei que quando acordei ela não estava lá.
Formei em tempos a teoria de que em alturas em que estamos mais ausentes, há outras forças que tomam forma nos nossos gestos… isto por não sermos ou estarmos suficientemente competentes para tomarmos as mais correctas opções.
Incompetência essa derivada do facto de que por vezes há assimetrias nas vontades que nos governam. Contrariedades que obrigam a que outras entidades mais profundas intervenham. Profundas em cada um de nós, não necessariamente exteriores… embora muitas vezes o dentro e o fora sejam somente um jogo de palavras.
A maior parte das vezes a intenção será a de não nos deixar fazer algo, e não o inverso.
E claro, parto do principio que há na dada pessoa a intenção imanente e natural de buscar a própria saúde, em todos campos em que a saúde se traça.
O isolamento proporciona uma infindável viagem ao interior do ser individual. É nessa solidão que a nossa máscara social se desvanece e vai revelando um estado larvar que terá oportunidade de tecer um casulo de verdades instrínsecas onde a crisálida sofrerá uma metamorfose no sentido inverso, ou seja do estado físico para o estado essencial do «eu». Penso que estarás a passar por uma das mais complexas fases, algures no limbo entre a matéria e o trancendente, momento crítico de questionamento por excelência.
Aquilo a que chamas de «sanidade» não será mais do que um dos inúmeros conceitos forjados pelas leis que formam a tecitura cultural e regem a orgânica da sociedade. Não terá, portanto qualquer validade ou utilidade neste processo. É como um vocábulo pertencente a um outro léxico. Terás de encontrar o teu próprio glossário e expressá-lo na pintura.