Comentários: Ainda a avaliação VII

Nestes tempos incertos de reflexão sobre a avaliação, arrisco, entre tantos conhecedores de pedagogos e pedagogias, a dar a minha humilde opinião sobre este assunto. Como partilho com o «administrador» do blog (para além do sobrenome e vida)das mesmas ideias sobre educação, à qual dedicamos de corpo e alma a nossa vida profissional (e, consequentemente, muita da nossa vida pessoal)e, tendo tido, durante esta semana, uma deliciosa reunião sobre avaliação na minha "escolinha", tenho «notícias frescas» sobre os estado de algumas mentes pouco habituadas a reflectir sobre este assunto. Entre muitas barbaridades, a que mais me chocou foi a frase «AQUI, ESQUECE A INCLUSÃO». Isto, a propósito dos critérios de selecção dos alunos para formar as turmas do 10º ano. Ou seja, bons com bons, fracos com fracos... É esta a escola que temos, ou melhor, os professores que temos. Quando estava quase à beira de um enfarte, surgiu a novidade de quais seriam as condições de retenção dos alunos, e foi quando descobri que, naquela mesa, só eu conhecia o DN 30/2001 e o 338-93. De tal modo que vi verdadeiras caras de espanto quando falei em trabalhar em função de ciclo. Infelizmente, senti-me uma verdadeira sábia, mas desesperadamente isolada no meio de tanta gente. Continuai com este bom trabalho de «bater» nos cegos, surdos e mudos. A esperança é que um dia, pelo menos, ouçam. Cumprimentos.

Afixado por Susana Pacheco em maio 21, 2004 11:46 PM

Este magnífico artigo sugeriu-me algumas reflexões que julgo poderem enriquecer (mesmo que modestamente) a discussão:
- A primeira questão é a dos apoios estarem a ser efectuados nos mesmos moldes que as aulas. Com a minha entrada para o executivo da escola onde trabalho sugeri logo o debate acerca dos apoios e lancei esse facto, sugerindo a transformação dessas “aulas” em oficinas a trabalhar todos os dias nas horas do almoço (sem prejuízo da paparoca). O assunto está sendo mastigado, provavelmente ficará tudo na mesma, contudo continuo a acreditar que é possível, face à escassez de recursos, dar mais e melhor apoio e que o molde oficina pode ser a solução (se funcionam no privado, porque raio não podem funcionar no publico…). Espero que me de autorização de enriquecer a minha ideia com a avaliação das competências básicas no início de cada ciclo para cada aluno.

- A questão do facilitismo é de facto algo que me deixa com sintomas de pré-colapso essencialmente porque são geradoras das maiores injustiças, por um lado puxa-se a nota de um marmanjo mal comportado e que está em risco de entrar na droga, para depois chumbar um puto que é génio na matemática e na física, mas que não “pesca uma” na língua materna. Sou efectivamente contra o facilitismo.

- Finalmente no que diz respeito ao “sacudir a culpa do capote” acredito que isso só acontece porque as pessoas não falam, ou seja, não existe o bom hábito do trabalho inter ciclo que facilite a integração do aluno no novo ciclo, nem antes nem depois, é como se eu fosse ao médico por causa de uma dor de cabeça e se este começasse a receitar sem que antes fosse ver o meu processo clínico ( algo que deveria ser parecido com os nossos cadastros escolares….) para saber se tenho alguma contra-indicação ao medicamento….

Desculpe lá o tamanho do comentário…mas a culpa é da qualidade dos seus artigos…um abraço

Afixado por Miguel Sousa em maio 23, 2004 05:22 PM

Quando não se tem respostas verdadeiramente eficazes para ajudar a ultrapassar as dificuldades de aprendizagem vem-nos logo a verbalização facil, onde os outros serão sempre os culpados. Nós sabemos tudo, mesmo tudo, como se faz e bem, os outros esses é que ainda não entenderam bem o que se pretende. Foi planta daninha que invadiu nossas planicies mentais. E agora ao que chegamos!O que fazemos?
jp

Afixado por jp em janeiro 21, 2005 03:55 PM

Quando não se tem respostas verdadeiramente eficazes para ajudar a ultrapassar as dificuldades de aprendizagem vem-nos logo a verbalização facil, onde os outros serão sempre os culpados. Nós sabemos tudo, mesmo tudo, como se faz e bem, os outros esses é que ainda não entenderam bem o que se pretende. Foi planta daninha que invadiu nossas planicies mentais. E agora ao que chegamos!O que fazemos?
jp

Afixado por jp em janeiro 21, 2005 03:57 PM