Comentários: O que é o RoboCup (Introdução ao RoboCup - 1)

Numa conversa com um colega envolvido nesta área, descobri que os robôs futebolistas ainda enfrentam muitas dificuldades de implementação e que a parte de aprendizagem, cooperação e competição ainda está relegada para segundo plano. Por outro lado, são realizadas algumas competições virtuais, onde os robôs são substituidos por agentes. Nessas experiências podem-se testar modelos de comportamento e aprendizagem que no caso dos robôs seria muito difícil. Saberá o Porfírio algo mais sobre este assunto? O futebol robótico pode vir a interessar-me muito no futuro. Não na faceta fisíca, de "hardware", mas na questão da evolução dos comportamentos.

Afixado por CMF em junho 14, 2004 10:21 PM

Os robots futebolistas são muito limitados ainda, sem dúvida. Mas constituem uma notável renovação da investigação em Inteligência Artificial, por várias razões, nomeadamente: têm "corpo", não são individuais (embora em mts casos ainda sejam individualistas), enfrentam ambientes (um pouco) imprevisíveis. Estou a investigar precisamente nas implicações filosóficas deste tipo de robótica. Pouco depois do RoboCup vou publicar um artigo com um cheirinho do meu ponto de vista sobre estas questões. Poderemos, talvez, partilhar um futuro interesse comum nestes temas. Mas acho curioso que diga que não se interessa pelo hardware, mas pelos comportamentos. Isso quer dizer que desliga os comportamentos dos corpos? Nesse caso, penso eu, estaria a cometer um dos mais clássicos erros da Inteligência Artificial.

Afixado por Porfírio Silva em junho 14, 2004 10:49 PM

Não desligo o comportamento dos corpos. Mas temos que fazer simplificações, começar por algum lado. A simulação computacional é rápida e barata e permite ultrapassar as limitações do "hardware". Mas não posso ser reducionista ao ponto de ignorar o corpo e a interacção deste com o meio ambiente. Seria um erro. Mas por enquanto só posso simular o seu comportamento. De qualquer forma, uma parceria com a equipa de robôs futebolistas do IST ainda não está posta de parte. Veremos. Ainda há muita coisa para ser decidida.

Afixado por CMF em junho 15, 2004 12:01 AM

Caro CMF: Concordo que temos de fazer algumas simplificações, para começar por algum lado. Sem isso não há ciência. De qualquer modo, o meu ponto de vista é que ESSA simplificação é das mais perigosas e das menos produtivas. E penso que a história de certas disciplinas científicas, nomeadamente no século XX, mostra isso mesmo. Depois que me deixei de estudar teologia desinteressei-me das teorias que de algum modo são sobre os humanos e que não contam com o corpo. Embora a própria teologia tenha interesses nesse ponto. Ainda espero ter tempo, um destes dias, para verificar o que escreveu Tomás de Aquino sobre a ressurreição dos mortos no juízo final e como é que nessa altura se dava a recuperação dos corpos. Mas, enfim, esse tema é demasiado vasto para o esgotarmos aqui. Um abraço.

Afixado por Porfírio Silva em junho 15, 2004 08:43 AM