Comentários: Advertencia

Uma boa meneira de sentir/pensar.Assim a pudéssemos executar no concreto.Mas verdade da nossa condição é sermos frágeis...e nem sempre conseguimos a atitude estóica de dizer-que bem me faz agora/o mal que me fizeste...como no poema de Carlos Queiroz.

Beijo por me trazeres este poeta e este poema.

Afixado por amélia em novembro 5, 2004 10:32 AM

Mesmo lendo o poema ao contrário, não gosto. Se não gosto do dito, de nada me serve a maneira como é dito. Gostei da chalaça da Amélia. Se tresli o poema, digam-mo, porque ("tomai lá do O`Neill"): " 'Amigo' vai ser, é já uma grande festa"... e o resto são tretas.

Afixado por zef em novembro 5, 2004 10:36 PM

O mundo e o coração do homem são muito mais do que a fórmula do O'Neill, Zef. Não sei se tresleu o poema. Tenho a leve impressão de que toda a gente o tresleu. Mas não interessa. Aí fica o poema - belo, duro e sem auto-complacências.

Afixado por Soledade em novembro 6, 2004 03:43 AM

Creio que é a melhor atitude,a da dignidade( e o poema coloca tão claramente, tão bem). A do reconhecimento da felicidade que houve, porque houve.Ainda que não seja fácil apenas manter a dignidade, porque às vezes a mantemos mas outras coisas desmoronam. E temos que ser complacentes conosco na dor. Ou tudo será apenas repressão.
Beijos

Afixado por Silvia Chueire em novembro 6, 2004 05:12 PM

Silvia, o poema é denso, coloca questões complexas como as do rancor e do perdão. Não é o lugar (nem há tempo, que me foge, para o discutir aqui), mas chamo a atenção para o final das duas estrofes, as imagens tão belas e o sentinmento da reconciliação com a perda, lembrando que todo o amor é sempre um esplendor inocente, inaugural. Quanto à perda, há dois versos que destaco:

«Y aprende que la vida tiene un precio
que no puedes pagar continuamente.»

É que não podemos mesmo. O poema, creio eu, é uma meditação sobre o trabalho do luto. Falámos disso há tempos, lembra-se?

Beijo, bom domingo :-)

Afixado por Soledade em novembro 7, 2004 11:37 AM

Soledade, ainda não consegui ir tão pelo interior da "Advertência". Sei, no entanto, que "...tudo é bom, embora não seja bom em todo o lado, nem sempre, nem para todos"(Novalis). Começo a andar muito linear...Bons dias. Amanhã vou para as terras onde o sol é sempre bom, mesmo quando está frio. Levo recomendações suas e deixo-lhe aqui um beijo de todo o tamanho.

Afixado por zef em novembro 7, 2004 12:13 PM

Zef, quem me dera voltar às terras onde o sol é sempre bom. Mas parece que não pode ser. Leve lembranças minhas, por favor. Gostei do Novalis, lembrou-me uma frase de Camus. "O essencial: não nos perdermos, e não perder aquilo que, de nós, dorme no mundo."
Um beijo, bom S. Martinho :-)

Afixado por Soledade em novembro 7, 2004 03:18 PM

eu tenho estado caladinha, mas não entendi quando o zef falou de ter gostado da chalaça da Amélia (qual?) ...

Afixado por amelia em novembro 7, 2004 04:26 PM

Ah sim, é claro. Percebi claramente que o poema tem a ver com a elaboração da perda, do luto.
Quis fazer a ressalva porque o poema coloca as coisas quase idealmente e o ideal é uma das coisas difíceis de se alcançar. Quis com o meu comnetário abrir uma brecha nisto. Como se fosse alguém dizendo assim: se vc não chegar lá, mas chegar perto, pode ser suficientemente bom. : )
Beijos

Afixado por Silvia Chueire em novembro 8, 2004 12:15 AM

A cooperação com o texto, no sentido de Eco,é-me quase impossível e acho que, mesmo em múltiplas leituras possíveis, não devo fazer interpretações vadias. Se calhar , foi o que fiz, sem o querer. O comentário da Amélia pareceu-me ser ironia a certo tipo de estoicismo. Se calhar, não foi. As coisas, o sentir e o ver e o dizer nem sempre são lineares, é verdade. Mas é também verdade que há circunstâncias que nos (in)compatibilizam com os textos. Boa semana de trabalho e um abraço à Amélia.

Afixado por zef em novembro 8, 2004 12:18 PM

já entendi agora...mas na realidade o meu comentário não foi propriamente irónico -admito contudo que possa ser lido assim.Um abraço e boa semana também para si, amigo.

Afixado por amelia em novembro 8, 2004 06:31 PM