Comentários: a táctica das substituições técnicas

Cara Mónica: benvinda a este espaço de discussão e reflexão. O que a Mónica diz é muito válido tal como o é a afirmação «há bom e mau em toda a parte». Todos os que trabalhamos na área da saúde conhecemos esta situação e a inversa também. O que importa é que não nos desviemos do cerne da questão que não é mais do que: não permitir que políticas economicistas da saúde afectem a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos utentes. Substituir enfermeiros por profissionais não habilitados, tem sido uma das medidas adoptadas por alguns conselhos de administração. Obrigada

Afixado por Cris em julho 27, 2004 11:07 PM

Tenho a ideia que nenhum auxiliar quer ser enfermeiro, mas e verdade que muitas obrigações dos enfermeiros são desempenhados por auxiliares, mas pergunto, são os auxiliares que pedem essas obrigações??, estou certa de que não.
O maior e unico pecado de um auxiliar é parecer que não tem cabeça para pensar, tem um pânico fantástico de perder o emprego, e faz tudo o que seja possivel para ficar nas boas graças dos chefes.
Sou auxiliar á 4 anos, e até agora tive imensos problemas por exactamente me recusar a desempenhar funções que são da competência dos enfermeiros, sentido muitas vezes uma pressão enorme para que o faça, e a pressão vem exactamente dos enfermeiros, cheguei a ser transferida de serviço por me recusar a desempenhar algumas obrigações.
Falam como se fossemos nós que quisessemos mas são voces mesmos que parece adorarem descartarem-se de funções para estarem mais tempo a "dar á lingua" e esperam que nós façamos aquilo que deviam ser vocês.
Acredito, que muitas auxiliares agradeciam que as deixassem apenas fazer o que é realmente a sua função.

Afixado por Monica (AAM) em julho 27, 2004 07:08 PM

Cara Fernanda: os enfermeiros, os médicos, os auxiliares de acção médica, os técnicos de farmácia, de laboratório, de fisioterapia, de radiologia e outros, têm profissões interdependentes cuja finalidade primordial é prestar cuidados de saúde que visem o bem-estar da população. Aos a.a.m., julgo eu, é-lhes exigida a escolaridade obrigatória, enquanto para ser enfermeiro é necessária uma licenciatura em enfermagem e um título profissional atribuído pela Ordem dos Enfermeiros. Os enfermeiros constituem um corpo profissional que baseia a sua actuação nos princípios éticos do Código Deontológico e nos princípios do Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros (REPE).

Assim, «enfermeiro é o profissional habilitado com um curso de enfermagem legalmente reconhecido, a quem foi atribuído um título profissional que lhe reconhece a competência científica, técnica e humana para a prestação de cuidados de enfermagem gerais ao indivíduo, família, grupos e comunidade, aos níveis da prevenção primária, secundária e terciária» (REPE – D.L. 161/96, 4 de Setembro). Competências técnicas, científicas e humanas essas que não são – nem podem ser – reconhecidas aos auxiliares de acção médica.

Caro Enfermeirame: receio que em muitas instituições «o caldo já esteja entornado», tal é a frequência com que se recorre à substituição de enfermeiros por auxiliares. Mas, também acredito que este erro não tornará a acontecer se os enfermeiros tomarem sobre si a responsabilidade de dignificar e elevar a profissão contribuindo para a qualidade e eficácia dos cuidados. E, sim, também acredito que passa por não deixar cair certas intervenções de enfermagem, pura e simplesmente porque são intervenções de enfermagem e, como tal, não podem, ou não devem, ser delegadas a outros que não reunam as mesmas competências.

Cara Nat: que este espaço possa ser-lhe útil. Boa sorte.

Afixado por Cris em julho 6, 2004 11:21 PM

No ENFERMEIRAME já podemos realçar esta questão.
A grande preocupação terá de ser nossa se queremos salvar a nossa profissão e quanto a mim a Ordem dos Enfermeiros esteve um pouco adormecida enquanto o "caldo" ia sendo bem cozinhado por algumas Administrações. Aliás, no meu entender os grandes culpados desta situação serão sempre os Enfermeiros Directores das instituições onde isto possa acontecer. São eles que, numa atitude vanguardista (dizem os mesmos) e economicista, se propuseram a elevar a formação dos AAM. Eu também concordo que a formação dos AAM tem de ser revista, mas não caio na esparrela de entregar essa formação a médicos que estão mortinhos por nos retirar o nosso espaço que cada vez começa a ser maior fruto das nossas evoluções. Enquanto Enfermeiro não embarcarei nesta nau e digo-vos que estou à espera que algum AAM me venha dizer que alguma das minhas actividades vai passar a ser realizada por ele. Mas enquanto enfermeiros da prestação de cuidados não nos poderemos alienar das culpas. Quantos de nós não dão de mão beijada actividades que deveriam ser realizadas por nós a outros. O grande problema é que cada vez mais temos aspirações que não deveriam ser nossas. É a tal megalomania dos Enfermeiros. Havemos de levar tanta porrada que iremos abrir os olhos. Só falta saber se já não será tarde.

Afixado por ENFERMEIRAME em julho 6, 2004 04:59 PM

Gostava de ter mais ferramentas que me ajudassem a formar uma opinião sobre este assunto que considero de suma importância. Assim, esclareçam-me por favor qual o curriculo necessário, tanto para ser enfermeiro como para ser auxiliar de acção médica.

A ideia que tenho neste momento é que os A. A. M. se sentem inferiores no seu desempenho profissional (isto por causa do comentário anterior).

O facto de haver enfermeiros menos competentes o que, aliás, acontece em todas as áreas, não quer dizer que os A. A. M. devam substituí-los, pois aqui também haverá certamente variações de competência. Como afinal somos todos feitos do mesmo (até prova em contrário), talvez preferisse um mau enfermeiro a um mau A. A. M. Porque não fazem então o curso de enfermagem? Se fossem humanamente superiores (como parece crer Yuri), imaginem como poderiam fazer coisas fantásticas com os conhecimentos e experiência dos enfermeiros.

Afixado por Fernanda em julho 6, 2004 03:38 PM

OS "CUIDADOS" DE ENFERMAGEM PODEM SER SUBSTITUÍDOS PELOS DAS A.A.M. SE DETERMINADOS ENFERMEIROS CONTINUAREM A NÃO OS PRATICAR HOLÍSTICAMENTE. ESQUECERAM-SE DE COLLIÈRE, NÃO É?? O QUE VALE É $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
SOMENTE VÊM A TÉCNICA E A PESSOA, A CRIANÇA, COMO UM TODO?????
VER CRIANCICES III. COMENTÁRIO DE JOANA.
ESTOU CONTIGO, JOANA!!!!!!!!!11

Afixado por yuri em julho 3, 2004 10:29 PM

É, a "coisa" não está muito bem parada... Seria bom que todos os enfermeiros estivessem alerta e não se deixassem pactuar com este tipo de atitudes... Mas as tentações existem... Enfim, veremos!

Afixado por geraldinha em julho 3, 2004 12:32 AM

Há, de facto, tentações que se repetem... mas seria, de facto, um lamentável erro.
Não acontecerá!

Afixado por mar vi em julho 1, 2004 09:41 PM

Concordo com o João, mas por outro lado penso que também existe (infelizmente) uma mentalidade mediocre na nossa sociedade q encara os enfermeiros como simples auxiliares dos médicos, frustados por não terem entrado para medicina! É óbvio que discordo, não fosse eu mesma estar a tentar entrar para enfermagem. Acredito que o papel dos enfermeiros é vital e posso dizer q tive uma excelente experiência no Hospital de S.José nos cuidados intermédios, onde o meu pai teve enternado após a operação à coluna. Foi super bem tratado e ainda hoje recorda com amizade os enfermeiros que o acompanharam num internamento que durou duas semanas. Assim vale a pena!

Afixado por Nat em junho 30, 2004 04:41 PM

Neste país tudo se faz em torno de dinheiro. Poupa-se nos serviços essenciais à população para se poder mais tarde comprar um topo de gama, com alta cilindrada para o gabinete de um ministro ou administrador desse serviço. Não se poupa o dinheiro público, apenas é gasto noutras vertentes, que muitas das vezes, nada têm de públicas.

Afixado por João em junho 30, 2004 08:57 AM