Sim, é a Mona, e a fotografia foi tirada na Quinta dos Girassóis, em Barreiros da Maia.
Afixado por isabel millet em julho 26, 2004 02:17 AMQuanto pode o amor de um animal!
Tal como na fotografia em que nos apresenta os seus gatinhos, Guilhermina surge-nos aqui transfigurada pela ternura de uma cadelinha de estimação. Nem mesmo quando posava com o seu violoncelo preferido se libertava daquela máscara de dor que só a proximidade dos animais lhe conseguia arrancar. Aqui, serena, fitava bem o infinito, radiante na fraternidade cúmplice e no jeito maternal que a unia à companheira que tinha ao colo. Todo o sofrimento ficou já para trás; a pureza do animal contagiou-a e fortaleceu-a.
Estes entes queridos oferecem, às pessoas a quem se ligam, aquela parte de felicidade que só eles têm o poder de transmitir; mas, quando nos deixam para sempre, que agudo espinho fica, em vez deles, na nossa alma!
Recordo as palavras de João de Freitas Branco. Só uma grande pessoa, cheia de sensibilidade, de afecto, de ternura pelo ser humano pode ter sentimentos tão nobres para com os animais. No fundo para com a Natureza. Não se respeita o Homem sem se respeitar a Natureza.
"João de Freitas Branco concede esta confidência no seu discurso proferido no Porto em 12 de Julho de 1989":
«Passou-se isto numa época em que eu fui uma espécie de seu assistente para os concertos da Emissora Nacional. Tinha ido buscá-la( a GUILHERMINA SUGGIA) ao hotel para a levar ao concerto em que ia tocar e, durante o caminho, reparei que ela se mostrava um tanto deprimida. (Ao contrário do que era costume, pois ela era sempre muito exuberante.) A certa altura, disse-me: «Sabe, hoje vou tocar muito preocupada, porque quando saí do Porto a minha cadelinha adoeceu... Não sei como é que hoje vou poder tocar bem».
Afixado por vm em julho 26, 2004 09:56 PMO Sandy e a Mona, a Kitah e os gatos. Sinto uma ternura tão grande por ela pelo amor que lhes dava. Eram os únicos seres que lhe retribuíam o amor sem reservas, os únicos que nunca a magoavam, que não a acusavam, não a recriminavam nunca de nada. Limitavam-se a amá-la incondicionalmente, ilimitadamente, com toda a grandiosidade de quem está em pleno acordo com a natureza. Limitavam-se a amar e a ser amados. Só neles ela encontrava essa plenitude que tanto procurou na vida, sem nunca a encontrar nas pessoas que a rodeavam. Eles conheciam-lhe os segredos mais íntimos da alma, adivinhavam-lhe a alegria e a tristeza.
"Deitado num fauteuil na minha frente, o Sandy assistia ao meu estudo", dizia ela, "e eu tocava para ele. Parecia adivinhar todos os meus estados de alma. Alegrava-se comigo quando eu estava contente e parecia chorar quendo eu estava triste. A morte dele foi um dos maiores desgostos da minha vida".