Maria perdeu toda a vontade de a saudar depois de a ver abraçar obsessivamente Luís.
Luís, atónito, transparecia madeira molhada posta a secar sem tocar o chão.
Maria mudou de seda ondulante para pequenas agulhas e roçava-as quase sem tocar no rosto de Filipa.
Filipa pressentindo perigo recorre a um flick-flack para trás do balcão atingindo sem querer um individuo demasiado simpático para ser realista.
Luís desce ao chão mas não o faz sozinho. Dezenas de tábuas de carvalho polido e ainda molhado, ecoam pelo salão de chá ao cair.
Numa tentativa desesperada de renovar a justa verdade dos factos, Luís faz agora frente a Maria.
Maria riposta com um clara manobra nonsense mostrando-lhe amigavelmente um recibo da compra de 2 pares e meio de sapatos, e dizendo: afinal tinhas razão!
Luís medita inocentemente sobre o assunto. Maria medita realisticamente sobre a fatalidade de andar com um tipo tão facilmente iludível.
Filipa contra ataca e pedindo cordialmente licença ao individuo simpático, arremessa-o contra Maria num gesto fluido e zen activo. Luís tenta travar o percurso do simpático meteoro com as próprias mãos e estende uma em gesto de passou-bem. O individuo simpático sente-se tentado a parar, mas sendo boa pessoa que é, realiza que deve atingir Maria primeiro (estava prometido).
Parabéns pelo anito! Continua a espirrar... mesmo que no mato ninguém te ouça ;-)
Afixado por ilheu em agosto 16, 2004 01:23 AM