Comentários: Bilhete de identidade do Deep Blue. (O xadrez dos computadores - 3)

Alô, de um xadrezista com algumas noções de programação.

Um aspecto menos citados do Deep Blue é o livro de aberturas (os tais 120 Gb de disco), preparado fundindo todas as partidas de GM existentes nas bases de dados e depois verificado por uma equipa de GMs profissionais, que seleccionavam as linhas mais "computer friendly" ou "human unfriendly". Em muitos casos, isto significava que os primeiros 5 a 20 movimentos tinham sido escolhidos por esses GMs e não por qualquer algoritmo.

Por outro lado, a fase final (6 peças ou menos) também está em disco, sobre a forma de tabelas com o melhor lance para cada uma dessas posições.

Significa isto que o computador só "joga" durante uma pequena parte do desafio...

Por outro lado a "equipa Big Blue" conhecia todas as milhares de partidas publicadas de Kasparov. Kasparov não tinha acesso a nenhuma partida disputada pelo "Deep Blue" que, ao contrário de um humano, não precisou de jogar em apuramentos para poder defrontar Kasparov. Uma "ligeira" vantagem.

Juntemos a isto as vantagens competitivas do computador (não se enerva e nunca está cansado nem pressionado pela falta de tempo :-)) e conclui-se que ganhar num match deste tipo não prova grande coisa...

Na minha opinião é tão somente um golpe de marketing. E o algoritmo usado (gerar todas as posições e aplicar-lhe uma apenas razoaável funçaão de avaliação) tem pouco de "inteligente". Força bruta é uma designação mais apropriada.

Parabens pelo excelente blog

Pedro

Afixado por Pedro Areal em setembro 15, 2004 02:49 PM

Obrigado... pelo excelente comentário!
Alguns dos aspectos que menciona virão aqui a lume na continuação desta série de posts. Contudo, sinta que eu ficarei agradecido se continuar a acrescentar as suas próprias informações e opiniões ao que eu próprio vou escrevendo.

Afixado por Porfírio Silva em setembro 15, 2004 03:15 PM