Comentários: Um mestre de categoria

Deixei um comentário sobre este texto no endereço blogspot.

Afixado por Inês em setembro 19, 2004 01:22 AM

Sou aluno do 2º ano de direito da FD UNL e estava presente na sala aquando da distribuição da nota introdutória neste blog referida.

Em primeiro lugar gostaria de dizer que - mesmo tendo em conta que só foram dadas 2 ou 3 aulas - fiquei já a forte impressão que o prof. Caupers vai ser um dos mais estimulantes que vou encontrar durante o curso (e foram muitos - posso garantir-lhe - que pensaram como eu).

Uma outra nota reveste-se de particular importância: o actual segundo ano deve ser a turma mais vergonhosa daquela faculdade. No ano passado, e pela primeira vez na história da faculdade, houve queixas recorrentes sobre o comportamento de vários alunos da turma e o assunto foi mesmo discutido em conselho pedagógico (que emitiu uma circular). A infantilidade de certos alunos, que se levantavam ruidosamente a meio das aulas e ainda ficavam espantados com as chamadas de atenção, ou conversavam como se estivessem no café, é inenarrável; houve mesmo professores que abandonaram o auditório pela manifesta impossibilidade de se continuar a aula.

Assim, o "método inovador" da FD UNL - assente em aulas dialogadas, procurando romper com o arcaico (mas ainda assim reinante na generalidade das faculdades de direito nacionais) das "aulas de cátedra"- e uma das principais razões para a sua criação, ficou seriamente comprometida, pela manifesta impossibilidade de continuar com esta inovação pedagógica, que até então bons frutos tinha dado.

O próprio director da faculdade "espreitou" com outros colegas o decorrer de uma dessas aulas e confidenciou-nos que ficaram com vontade de expulsar os alunos...

Por tudo isto, creio que o texto distribuído aos alunos está repleto de exageros intencionais. Falando com algumas pessoas que conhecem bem o docente, creio que o objectivo foi mesmo "chocar". Todos os alunos conhecem o feitio particular do professor Caupers (sobretudo no seu papel de director) mas a maior parte também reconhece que (i) ele é um excelente professor/comunicador, (ii) um investigador de renome e (iii) não é tão intolerante/dogmático como pode fazer crer esse papel (sobretudo se for lido fora do contexto particular daquela aula).

Creio que estes esclarecimentos são úteis, pois eu teria exactamente a mesma reacção se também não conhecesse a "casa onde tudo aconteceu".

Afixado por BSM em setembro 19, 2004 01:34 AM

Agradeço os comentários. Parece que são de alunos da FDUNL. Tudo bem. A minha exigência para com os professores é diferente da minha exigência para com os alunos. O que se escreveu naquele papel, em minha opinião, denota insuficiências pedagógicas (e humanas) que merecem reprovação. Não aceito a "explicação" de que se trata de uma reacção radical a uma situação radicalmente má. É assim que se perde razão. Para se ser mestre é preciso cuidar de não se perder razão pelos próprios excessos. No dia em que os professores universitários forem exigentes consigo mesmos e com os seus colegas em termos pedagógicos, talvez ganhem autoridade para dizer certas coisas. Até lá, o disparate não é livre na boca (ou na pena) de quem quer ser mestre de almas e professor.

Afixado por Porfírio Silva em setembro 19, 2004 04:19 PM

Creio que esta é uma discussão em que todos os intervenientes têm razão. Alguma, pelo menos. E não é de meu hábito ter opiniões eclécticas.
Porém, compreendo muito bem a apreciação crítica que é feita da tal nota fornecida pelo professor. Também a mim me parece que há nela aspectos censuráveis, se não condenáveis.
O que os estudantes que comentaram querem dizer tem razão de ser também.
Explico-me (ou tento): a apreciação que fazem de alguns colegas — o número bastante para tornar o ambiente colectivo intolerável — é fundada; a preferência por professores competentes, do ponto de vista do ensino, em detrimento de incompetentes que compram a benevolência dos estudantes com classificações elevadas é compreensível; a recusa do facilitismo é louvável; a inconsciência de valores essenciais e de direitos fundamentais não é nada do que ficou dito (fundada, compreeensível ou louvável), mas é quase inevitável na sociedade em que vivemos.
Eu, se tivesse de, forçosa ou forçadamente, escolher nesta alternativa, optaria com grande probabilidade por um professor competente, que defendesse e praticasse comportamentos que eu julgasse inadmissíveis, contra um incompetente que parecesse simpático e liberal. Até porque também este, e por igualdade de razão, no mínimo, tem comportamentos intoleráveis, desde logo no desempenho da sua função.
A diferença entre a minha posição e a dos que anteriormente se pronunciaram está em que eu entendo que devemos lutar contra o que é inadmissível ou intolerável. Num dos casos como no outro. Os estudantes, em geral, cultivam a posição oportunista e cobarde de se submeter ao que calha para não correrem riscos (reais ou imaginados) de retaliação da autoridade. O medo, nas Escolas superiores (desconheço o que se passa nas outras), é infinitamente maior do que antes do 25 de Abril. Hoje há autonomia universitária, isto é, poder ilimitado e insidicado dos professores. E é agravado nas escolas de dimensões reduzidas, em que tudo se sabe.
Apesar do que deixei dito, não estou a desculpar os estudantes. Trata-se de fornecer algumas dicas para se poder compreender a sua posição. Não perfilho o entendimento de que tout comprendre c' est tout pardonner.
Que muita coisa, essencial, está mal na Faculdade de Direito da Nova é uma verdade que só por oportunismo ou incomensurável estupidez pode ser ignorada ou negada. Que as qualidades pedagógicas e humanas dos professores não são institucionalmente reconhecidas nem praticadas — quantos não têm qualquer delas — é evidente para quem conheça a escola.
Que os priniciapais responsáveis são os que cultivam esta postura e os que a ela se submetem é óbvio. Não há carrascos sem vítimas, como sempre se soube. E vice-versa. É o caso.

Afixado por Ana em setembro 23, 2004 10:07 PM

Sou aluna do 2º ano e tenho de admitir que não gostei do tal "manifesto", que de resto só me pareceu uma forma de reprimir espíritos mais activos.
É verdade que algumas pessoas do 2ºano não tiveram um comportamento exemplar o ano passado,mas acho exagerado estender o problema à turma inteira.
O facto é que o professsor Caupers não precisava de ter escrito o tal papel,uma vez que a cultura do medo nas faculdades é tão grande( e a nossa não é excepção) que a presença dele basta!
Sei que este "manifesto" do professor Caupers vai afastar a participação de muitos alunos, porque ficaram intimidados, e é de facto uma pena, porque aprendemos tanto a participar e a partilhar ideias com a turma e com o professor.
Ser professor é também cultivar um lado humano e não ha que ter vergonha disso!
Por fim, gostaria de salientar que, nas aulas que se seguiram, o professor Caupers não se revelou um "carrasco" como parecia ser com aquele escrito e tenho tido aulas bastante interessantes, mas aproveito para dizer que é preciso ter atenção às mensagens que se transmitem e às suas consequências.

Afixado por "Maria Faia" em setembro 26, 2004 12:02 AM