Comentários: Considerações

Muito do que se diz sobre as Ciências da Educação resulta de concepções erradas e preconceituosas. É tão difícil perceber que se trata "apenas" de estudos de sociologia, psicologia, filosofia ou história aplicados à educação? Ou ainda estudos sobre administração, economia ou pedagogia? E como qualquer ciência humana (=conhecimento obtido através de um método), não deve ser prescritiva, mas essencialmente descritiva. É confrangedor ver professores universitários confundir teoria com projectos de intenções ou sugestões, não resistindo a cair num erro típico dos alunos dos primeiros anos do ensino superior.

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 12:33 AM

Mas não bastando ter uma concepção errada do que é teoria, interpretam (também) de maneira errada essas sugestões relativas à organização da aprendizagem, por exemplo, a ideia de que o aluno deve ser o centro da aprendizagem. Para certas pessoas isso significa o caos e a demissão do professor, quando é precisamente o contrário... Como pensam estas pessoas que se conseguem resultados de exames progressivamente melhores no Reino Unido? Como pensam estas pessoas que a Finlândia apresenta excelentes performances nos estudos internacionais?

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 12:35 AM

Não é com certeza com o "rigor" e "exigência" a la Bonifácio - mas com professores que ensinam tendo em vista o trabalho e o progresso do aluno. Por incrível que possa parecer, para aprender verdadeiramente os alunos têm que trabalhar - ler, ouvir, falar, interpretar, fazer, escrever, pesquisar, resumir, opinar etc etc - coisa que infelizmente anda arredia de uma boa parte das aulas dos ensino básico e secundário e de uma grande parte das aulas do ensino superior. Uma pessoa como F. Bonifácio só tem um ponto de chegada, aquilo que acha que os alunos devem saber.

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 12:36 AM

Mas é responsabilidade do professor avaliar a situação de partida, estabelecer objectivos precisos e fazíveis, determinar a estratégia para os atingir, monitorizar o progresso dos alunos, fornecendo informação que lhes permita corrigir o seu percurso e, finalmente, avaliar o resultado final (isto é o mínimo que se faz nos países civilizados). E aqui parece-me que F. Bonifácio eleva a irresponsabilidade a exercício universitário.

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 12:37 AM

Não é possível "exigir" doses industriais de espírito crítico e poder de síntese em três horas de exame, quando a única coisa que se "exigiu" num semestre foi apenas alguma atenção (=paciência) e a capacidade de tirar apontamentos (=exercício de estenografia mais ou menos acrítico). Enfim, centrar o ensino/aprendizagem no aluno exige grande trabalho do aluno e do professor, e parece-me que muita gente ou não quer saber, ou não sabe o que isto implica. É muito mais cómodo o autoritarismo e a doutorice à portuguesa.

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 12:38 AM

Para dar um exemplo do que as universidade portuguesas não estão a fazer, permito-me indicar 2 blogs. São diários de alunas de um curso de formação de professores no Canadá. Os blogs servem como elemento de avaliação para, ao que parece, a terrível e vazia disciplina de sociologia da educação.

Aliás, 3 blogs, descobri mais um:
http://stang2004.blogspot.com/
http://lwbyh.blogspot.com/
http://owenlebourdais.blogspot.com/

Afixado por Paulo Torrinha em setembro 28, 2004 09:42 AM

O Paulo falou de avaliação formativa. É raro ouvir falar desta coisa no ensino superior. Por essa razão, já não estranho os escritos das nossas Bonifácios.

Afixado por Miguel Pinto em setembro 28, 2004 06:35 PM

Estou de volta...espero! É que este início de ano lectivo está a dar cabo de mim...

Afixado por whiteball em outubro 15, 2004 03:34 PM

A Paulo Torrinha que tanto critica M. Fátima Bonifácio, conviria primeiramente ler o que ela escreveu sobre educação. Talvez, assim, fosse mais humilde sobre a irresponsabilidade que tão prodigamente distribui.
"Enfim, centrar o ensino/aprendizagem no aluno exige grande trabalho do aluno e do professor, e parece-me que muita gente ou não quer saber, ou não sabe o que isto implica." Se Paulo Torrinha tivesse sido aluno de M. Fátima Bonifácio talvez o soubesse.

Afixado por António Vicente em novembro 6, 2004 05:51 PM

Caro António, admito ter ficado confuso com o seu comentário. Li o que Fátima Bonifácio escreveu sobre educação (o que é muito pouco) e compreendo a irresponsabilidade atribuída pelo Paulo Torrinha à mesma, pois o que Fátima Bonifácio fez, foi repetir uma data de clichés de senso comum.
Em relação ao segundo parágrafo do seu comentário, gostaria que o explicasse um pouco, pois não compreendo o sentido e as razões do mesmo.

Afixado por andrepacheco em novembro 7, 2004 03:08 PM