E é nesse outro caminho que eu vou "apostar" os próximos anos da minha vida.
Afixado por CMF em outubro 12, 2004 02:00 AMMas não será um pouco desfocado o problema de querer pôr os computadores a simular exactamente os comportamentos humanos? Poderiamos nós simular um computador através do teste de Turing invertido? A resposta é não.
Resolver um problema de duas formas distintas nao implica que ambas usam o mesmo algoritmo.
Afixado por sLx em outubro 13, 2004 08:58 AMCara/o sLx: o que é "simular exactamente os comportamentos humanos"? O que é que faz com que um comportamento seja humano? O que é que se opõe a humano? Des-humano? In-humano? Animal? Artificial? Extra-terrestre?
Outra questão é: porque se usam os humanos como um padrão possível de comportamento inteligente? Não é porque se afirme que não há mais nenhum tipo de comportamento inteligente. É porque em geral os cépticos acerca de outras formas de inteligência aceitam que pelo menos os humanos exemplificam alguma forma de inteligência. E esse pressuposto é particularmente atraente... para os humanos, pois claro. O que muitas vezes se tem aqui contestado, implicitamente, é que o critério comportamental simples seja um critério de inteligência: dois comportamentos que parecem similares ao observador, podem não ser similares (por exemplo, se os observarmos durante uma semana e não durante uma hora veremos que são muito diferentes). E isso levanta problemas tramados.
Quanto à sua afirmação "Resolver um problema de duas formas distintas nao implica que ambas usam o mesmo algoritmo", confesso que não a compreendo. Ou melhor: concordo com ela, mas para concordar com ela basta aceitar esta outra: "A e B podem ser duas formas distintas de resolver um problema e usarem algoritmos diferentes." Sim, e depois? E já agora: como define (a) qual é "o problema" e (b) o que constitui uma "resolução" para o problema?
PAra mim há outro ponto interessante: se essa afirmação assentar na ideia de que o único elemento decisivo da resolução de um problema é o algoritmo, aí eu discordo radicalmente. Se a "situação" muda, o algoritmo pertinente pode ter de ser outro: operar no deserto do Sahara, em Marte ou dentro do intestino, implicará em geral algoritmos diferentes para resolver um problema de deslocação,por exemplo. Se o agente muda, o algoritmo pertinente muda: eu, simplesmente, não posso deslocar-me dentro do intestino seguindo os mesmos procedimentos de uma bactéria - e uma "agente" de software não se desloca dentro do intestino como uma bactéria. Por isso digo aos furiosos dos algoritmos: deixem as abstracções obtusas para os maus filósofos e pensem um bocadinho na empiria com mais sentido crítico.
Obrigado aos comentadores e voltem sempre.
Caro Porfírio,
Não vou ser capaz de responder a todas essas perguntas, até pq algumas dariam sozinhas livros inteiros :) De qq forma, perguntas sobre o que significam conceitos como 'problema' ou 'resolução' e ao mesmo tempo não poder usar abstracções (obtusas ou não) fica dificil especificar sem um caso concreto. No teu post, o problema é ganhar o jogo de futebol, e a solução é marcar mais golos que o adversário. Serve?
"simular exactamente os comportamentos humanos"
queria só dizer passar no Teste de Turing ou no futuro, à la Blade Runner.
Mas... a principal razao do comentário era em relação ao que seria a atitude da maioria de nós, ao avaliar um ser artificial, ou seja, 1º comparar o comportamento com um comportamento humano dito normal, e 2º analizar o algoritmo que esse ser artificial usaria. A comparação feita nesses moldes parece-me injusta. Nós avaliamo-nos uns aos outros a partir dos nossos comportamentos, não como funciona cada cérebro (se fossemos capazes de o fazer, claro...)
Um abraço,
ps: é verdade, chamo-me Pedro, portanto é "Caro" ;-)
Afixado por sLx em outubro 14, 2004 06:57 PMCaro Pedro:
O meu foco de interesse não é o artificial. Parece estranha esta afirmação, depois de tudo o que disse neste blogue. Mas é verdade: não me interesso nada, por exemplo, pelos robots industriais que se utilizam nas linhas de montagem de automóveis.
O meu foco de interesse é o "comércio de metáforas" entre o artificial e o humano, nomeadamente entre o artificial e o social. A minha atenção incide sobre o facto de que há uma comunidade de imagens construídas em torno do humano (por exemplo, o "homem económico" dos economistas neoclássicos) que se alimenta ou reforça na cultura contemporânea em estreita coesão com uma comunidade de imagens construídas em torno do artificial (por exemplo, o des-encorpamento da IA clássica).
Sendo esse o meu ponto, é natural que eu parta do "paralelo" humano/artificial. Não é nada contra os que se interessam de forma pura pelo artificial. É que, bem vistas as coisas, o meu interesse pelo artificial é... político, pois.
Outro abraço.