É um povo, que acorda ao som dos tiros.
Que come ao som dos tiros.
Que trabalha ao som dos tiros.
Que aprende o ABC ao som dos tiros.
Que reza ao som dos tiros.
Que morre ao som dos tiros.
E ainda pior, isto acontece na sua terra
selvaticamente ocupada.
Por isso, a luta continua.
É evidente caro João que o facto de Arafat ter morrido independentemente das causas que faltam apurar e que não me surpreenderiam se tivesse sido por envenenamento como aliás acusou o cientista israelita que já foi de novo dentro, não vai adiantar nada rigorosamente nada. Israel
vai continuar a ocupar os territórios ocupados e os palestinianos a não verem resolvidos os seus problemas.
A ideologia dominante, que não por acaso também é a dos que dominam, associada a uma lamentável cegueira eurocentrista leva a uma incompreensão tão ostensiva do Outro (do que é diferente) que chega a atingir o absurdo. estou a lembrar-me dos relatos dos reporteres presentes no funeral e a adjectivação que usaram para descrever o acontecimento: caotico e anarquico! Cheguei a ler na imprensa estrangeira que os tiros para o ar, que como se sabe fazem parte dos rituais árabes de celebração, (riam-se!) tinham como objectivo impôr a ordem na multidão...
Nada se compreende quando não se está predisposto a compreender...seja qual for o motivo que nos impele a tal fechamento.
abraço