É quase uma da matina, horinha em que devia já estar a dormir...mas felizmente a última coisa que faço antes de dormir é ver se há coisas novas no nocturno- quer poemas, quer comentários. E ainda bem que o fiz hoje. Este poema é soberbo, dos melhores (mas tu tens tantos que são sempre dos melhores) que li teus.
Sabes como gosto desta tuas revisitas nostálgicas aos lugares onde se foi tantas vezes feliz.Ou pelo menos os sentimos assim (lembro sempre o «fui-o outrora agora»). Não tenho a felicidade de fazer muitas dessas revisitas
nem de ter muitas saudades. De momentos priveligiados por vezes, sim. E sempre, sempre, dos afectos tecidos e nalguns casos destecidos.
Beijo grande. Que o comentário hoje também o é. E estou emocionada com a leitura deste poema.
Afixado por amelia em novembro 21, 2004 12:58 AM
Amiga Soledade,
ler este poema, o primeiro deste domingo, que faz com a argamassa do tempo essa casa que nos veste, é certeza de ter começado bem o dia. Se nas listas só de vez em quando tínhamos o prazer de lê-la, agora sei onde a fonte. O meu abraço grande, Antoniel Campos.
(em tempo: o (mau) costume deste em ler apenas os últimos comentários sobre o que eu postara, fez com que eu não percebesse a sua visita em meu rincão. Nada me restava senão fazer do Atlântico um córrego, e cruzá-lo. A nado que fosse, rs.)
Afixado por Antoniel Campos em novembro 21, 2004 09:08 AMSe me perguntassem qual era dos seus poemas o de que mais gostava respondia:
Não sei, não há nenhum, não pode haver nenhum, muitos dos poemas, juntos, são só um, diversamente vários de per si. É impossível a escolha. Escolhia uma grande mancheia deles, como escreveria Aquilino. Um livro inteiro. E é bem lindo, este, é do livro que falei.
Afixado por Musas Esqueléticas em novembro 21, 2004 09:54 AMNão conhecia este blog. Dei um belo passeio por aqui e gostei imenso. Voltarei com toda a certeza.
Afixado por Micas em novembro 21, 2004 09:59 AMTodo o passado feliz é um "foi-o outrora agora", Amélia. Ou pelo menos assim o sinto nesta manhã de domingo em que o verão de S. Martinho nos vai deixando. Obrigada, amiga, e que o nosso afecto nunca se desteça.
Afixado por Soledade em novembro 21, 2004 11:17 AMAntoniel, só conhecia o "Poros e Cendais". E pensei que lhe tinha dito do Nocturno. Mas agora é o Antoniel quem se lê pouco nas listas - os blogues mudaram a nossa forma de interagir, e às vezes vem-me uma saudade do Fórum PD, quando éramos todos tão recém-chegados e entusiastas. E tão jovens. Um grande abraço
Afixado por Soledade em novembro 21, 2004 11:22 AMMicas, obrigada pela visita. Também passeei gostosamente pelo teu blogue. Chegaram então os primeiros nevões! São essas coisas simples, as que lá referes, que no fim valem a pena.
Afixado por Soledade em novembro 21, 2004 11:32 AMÉ gratificante ter leitores como as Musas. E que dizem "mancheia", como Aquilino. E como eu :-) Obrigada por tudo. Um abraço
Afixado por Soledade em novembro 21, 2004 11:40 AMFiquei com pouco ânimo para escrever - escapuliu-se todo nessas casas, nesses esconsos e dei por mim a percorrer outras numa metalinguagem de viajante!
"
Não se pode mudar de luz
nem outros espelhos além dos primeiros
nos aceitam o rosto."
e daí para o fim é um hino à sabedoria e à poesia!
God bless your poetry! (dito assim em inglês talvez escape o vir de uma agnóstica!).
Tão belo. Tão belo. Me dá uma saudade do que não vivo, Sol, esse seu poema.
Um beijo.
Helena, eu vi. nos Alicerces. Mas não se deixe abater.
Entre agnósticas (mal resolvidas as duas, acho eu) agradeço e aceito a sua benção. É também pelas palavras que o mundo se faz. Em inglês fica mais bonito. Talvez :-)
E para ti um grande beijo, groze! Obrigada por passares :-)
Afixado por Soledade em novembro 21, 2004 07:23 PM"E toda aquela infância/Que não tive me vem/ Numa onda de saudade/Que não é de ninguém" - citando, de memória, Pessoa. Obrigada por deixar-se tocar pelo poema, Márcia.
Beijo
boa amiga - uma pré reforma que não o foi, com actividade para alem do desejado, leva a ausencia danet, da poesia...do plano inicial - esta visita é de fugida - bonito post, à La Soledade!
bj
Nos tempos que correm, antes assim do que o contrário. Obrigada pela visita. Bj
Afixado por Soledade em novembro 22, 2004 11:59 AMMaestra :)! É o q te posso dizer, pois, fico tímida diante da tua maestria com a escrita, sempre digo e por muitas e muitas vezes venho a ler, quieta e aprender. "Alguma coisa" fez-me mirar olhos trás as roseiras e acompanhar o cenário poético. Tão mágico :).
Bj.
Afixado por Eduarda em novembro 22, 2004 12:58 PMSinto-me leve sem o ser. Engano-me com a ideia de que vou sentir... O nocturno sem gatos não é nocturno: miaauuuuu ;)
Afixado por Neo-normal em novembro 22, 2004 06:29 PM"Não se pode mudar de luz...", aquela luzinha, às vezes esconsa, que nos vai sempre nos olhos, mesmo os já fechados, e que, se não diz onde estamos, sabe donde vimos. E (aqui vai um sorriso) essa é bom que tenha sempre
brilho. Abraços.
É incrivelmente belo e trágico quando ela diz: Não se pode mudar de luz nem outros espelhos além dos primeiros nos aceitam o rosto. É incrível, faz-nos sentir terrivelmente nus da mesma forma que quase que nos parece empurrar de encontro à memória de um tempo algures esquecido: o primeiro homem, a primeira mulher, a criança e os seus múltiplos gestos. Mas agora, como se fossemos velhos, regressamos; a casa existe ainda, tal como as pessoas, mas quem somos nós que regressamos? Ou o que somos nós que nos abrigamos? Vale a pena quando se regressa e se encontra. Como se fosse aquilo que, de facto, se procurava.
Afixado por Ricardo em novembro 24, 2004 03:18 AMEduarda, e assim fico sem jeito. Obrigada :)
Um beijo
Neo-normal, há gatos aqui, há sempre gatos. E serão talvez leves :-)
Afixado por Soledade em novembro 25, 2004 01:46 PMA poesia é isto mesmo: dizer quase tudo em poucas palavras. E assim, as sensações transmitidas passam a ser minhas também, moldadas pela minha imaginação.
Afixado por Orlando em novembro 25, 2004 05:56 PMNão tenho conseguido inserir comentários no meu próprio blogue. É exasperante! Queria só deixar um agradecimento ao Ricardo, ao Zef e ao Orlando.
Afixado por Soledade em novembro 26, 2004 01:31 PMo seu poema transporta para esta casa, densa. torna possível entrar nos seus cômodos, na cozinha. é como uma viagem ao passado. achei também muito português - a atmosfera antiga, a salsa e os ovos picados, acho que por isso.
um beijo,
virna
Há casas assim densas,famílas assim entrelaçadas, mulheres que assim reunidas em torno das cores e cheiros do almoço evidenciam os alicerces destas casas.
É um poema amoroso e nostálgico. Gosto tanto dele.
Beijos,
Virna, Silvia, há gente que nos acolhe, e há casas onde encontramos um sentido de pertença. Crescendo entre rapazes, sem referências femininas fortes, desconhecia os sinais de um código ou de uma certa sintaxe feminina. E desprezava-os. Até lhes sentir a falta. São alicerces, como diz a Silvia, e eu não o sabia. Aprendi-o tardiamente. Nesta casa das roseiras, por exemplo.
Um beijo às duas.
Um dia mais tarde poderei dizer:
eu conheci a Soledade Santos.
:)
(gosto, especialmente, da última estrofe deste poema) Abraço
Afixado por Astrophil em novembro 29, 2004 09:21 PMOlha, Astrophil, eu já digo, orgulhosa: "Eu conheci o Paulo." As razões (a alternativa que julgo a tua poesia representa) escrevia-as no teu blogue.
Obrigada, meu amigo, e um beijo