Comentários: Trégua

Que bem que tu dizes da fugacidade do existente...a memória, os objectos, a espera, e tantas vezes, a desesperança e o cansaço.

Cito:

Sem outro fito além de estar
lentamente deixo que o ar saia
e volte voluntariamente omito
meus dóceis perdidos navios.

É fugaz o tempo da lua na pedra.

(Gostei de te ver com poemas na DiVersos - a revista merece ter-te lá).

Afixado por amelia em janeiro 5, 2005 09:30 PM

Gosto demais deste tipo de poema, dessa lua à janela da cozinha, desse instante vivido e escrito. Engraçado é que, ontem, no meu blog, também pus um poema que se referia ao que via à janela da cozinha. Mas era o pôr-do-sol.;)
Belo, como sempre, Sol.
Um beijo,


Márcia

Afixado por Márcia em janeiro 6, 2005 08:35 AM

«meus dóceis perdidos navios.»

gostei de ler

Afixado por manuel a. domingos em janeiro 6, 2005 12:00 PM

Soledade

Acabada de chegar do mar e do sol apenas dizer-lhe que este poema (belíssimo) poderia ser apenas

Trégua

É fugaz o tempo da lua na pedra.

Tudo tão aparentemente simples, despojado, quase zen.

Um grande abraço para este 2005

Afixado por Helena Monteiro em janeiro 6, 2005 03:55 PM

...somos fugazes...custa aceitar essa efemeridade...a nossa consciência, o Ser em nós, humildemente vaidoso aspira a uma qualquer eternidade...assim deixamos a lua suspensa momentaneamente,apreciamos o luzir do luar, a memória debate-se com o silêncio, uma qualquer corrente temporal arrasta-nos...remamos com as palavras...
Um abraço do Morfeu

Afixado por morfeu em janeiro 6, 2005 04:48 PM

e fica mais escura sem a luz dela.

beijinhos.

Afixado por jorge em janeiro 6, 2005 08:28 PM

Na verdade o verbo levitar é mesmo seu. Neste poema até as palavras do poema levitam, para pousarem devagar no verso final.

Afixado por Musas Esqueléticas em janeiro 6, 2005 11:10 PM

Não é fugaz porque acabaste de perpetuá-lo.
Um excelente 2005 com dóceis omissões para que te obrigues a navegar.

Afixado por onanistélico em janeiro 6, 2005 11:12 PM

Obrigada, Amélia. Contra a fugacidade, o estarmos inteiramente no momento - respirar em consciência. Como no Yoga.
Obrigada também por lembrares aqui a DiVersos :) É um privilégio figurar ao lado (salvo seja) de Tasos Leivaditis, por exemplo.

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:26 PM

Márcia
Quanto tempo passaremos nós mulheres na cozinha?
Gostei do seu por-do-sol. Tudo instantes fugazes.
Aqui tem estado seco e frio. Belos luares. E a lua cheia de Janeiro é uma coisa...
Beijo

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:30 PM

Obrigada, Manuel. É o anti-verso do poema, não é? Só me ancorarei à quietude da lua e da respiração se conseguir omitir na memória, por alguns instantes, esses pequenos navios, as perdas, as partidas goradas, as decepções.
Um abraço.

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:34 PM

Obrigada, Helena. É verdade, o poema busca uma aceitação despojada. Mais fácil dizê-lo que alcançá-lo. Mas tentamos.
Bom ano, minha amiga.

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:36 PM

É o luar que levita. E os castelos :-)
Um beijo

Afixado por solzinhapt em janeiro 8, 2005 03:38 PM

Aspiramos a uma espécie de eternidade. Aceitemos a do instante. Muito obrigada pelo teu comentário, Morfeu.
Um abraço - contingente e solidário

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:40 PM

Sim, Jorge. E por falares nisso: luar de janeiro, noite limpa, geada, frio de rachar pedras, estrelas como gumes de gelo. Lembra-te alguma coisa? :)
Beijo

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:41 PM

Perpetuei, onanistélico? Bondade tua. E perspicácia: sou muito preguiçosa :) Aprecio os teus votos para 2005 - navegar é preciso.
Um bom ano para ti também.

Afixado por Soledade em janeiro 8, 2005 03:46 PM

Belíssimo poema, belíssima mirada ao luar!

Afixado por Felipe K. em janeiro 9, 2005 02:19 AM

Muito obrigada, Felipe. Fui conhecer o teu blogue. Fiquei lá com os olhos presos num gato em blue(s)- poema e imagem. Voltarei.

Afixado por Soledade em janeiro 9, 2005 12:29 PM

Belo

Afixado por Neo-normal em janeiro 9, 2005 09:29 PM

Um beijo para ti, Neo-Normal. E saudades a Coimbra.

Afixado por Soledade em janeiro 10, 2005 01:17 AM

"É fugaz o tempo da lua na pedra ", é fugaz. Um fantástico poema. você sabe, sempre me interrogo sobre as pequenas fotografias do cotidiano que nos remetem a significados tão importantes. E além disso,compõem o poema. Como você junta os significantes, e os "amarra" num poema, numa música. Porque num momento, real ou não, tudo de fato se ancora. Ah, como gosto!
Beijos

Afixado por Silvia Chueire em janeiro 10, 2005 07:36 AM

Silvia, parece-me que a vida não são os grandes, os altos momentos. Há poucos. Duram pouco. A vida é isto, Silvia, o quotidiano mais chão e impermanente.
Obrigada pelas suas palavras. E por gostar do poema.
Um beijo

Afixado por Soledade em janeiro 10, 2005 02:24 PM