Comentários: Definitivo

Não serve para nada o poema:
não resgata não limpa não sara.


Não concordo, tu sabes.Se não servisse para nada, como nos redimiríamos de existirmos em nós e no mundo - em dias assim?

Afixado por amelia em abril 18, 2005 05:12 PM

E se não houver remissão? E se houver só o sem-sentido que nos assola como um deserto?
Eu sei que não concordas. Mas é apenas um poema. E um instante.
Bj

Afixado por Soledade em abril 18, 2005 11:03 PM

Se não houver remissão...se for mesmo só absurdo,sem sentido- então remeto para L'homme Révolté de Camus- resposta a Sísifo e à estranheza Ou para a noção de afrontamento
:«quando a desordem se torna ordem, uma atitude se impõe: afrontamento»(creio que esta é do e.mounier.)
É só um poema, dizes.E um instante.Registo isso- poeta «fingidora» da da dor que deveras sente (?)...

Après tout: excelente fingimento este que deu em belo poema.Mesmo que seja só um poema e um instante.

[já agora é melhor eu parar com tantas citações, caso contrário ainda me pareço com o outro...:))]

Afixado por amelia em abril 18, 2005 11:43 PM

ups, minhas senhoras, bem que estava difícil de entrar.Até fico sem graça, mas vou arriscar na mesma... O tempo é o que é :cruel, inexorável e despudorado mesmo, é capaz até de nem haver remissão mas continuo a achar que escrever resgata, limpa e sara. Agora ou noutro momento depois do nosso instante. E este poema é muito bonito, melhor ferramenta do que aquele vidro.
Pronto, desculpa pela interrupção, beijinho ás duas.

Afixado por ana assunção em abril 19, 2005 12:09 AM

Ana, não há interrupção, é mais que bem-vinda à conversa. Além disso, a Ana é da casa :)
Numa outra conversa sobre a aflição de nos sentirmos estrangeiros num mundo de que deixámos de entender o sentido, se algum tem, eu disse à Amélia que escrevia contra a força da gravidade. Então, se escrevo, é por achar que o poema, apesar de tudo, é melhor instrumento que o gume. Mas não se pode sempre "cantar" a reconciliação. Também a desolação. que nos assalta de quando em quando, é vida. E tudo é, também, "fingimento".
Um beijo às duas e ao Zef (ele sabe a razão). E vamos ver se o comentário entra, que o sistema tem estado errático no weblog.

Afixado por Soledade em abril 19, 2005 10:47 AM

O vidro serve para os doentes sem esperança cortarem a jugular e a poesia para ser lida e nos revermos nela

Afixado por Isabel em abril 19, 2005 10:54 AM

Isabel, conheci um doente sem esperança que quis morrer "naturalmente". Recusou prolongar a vida por meios "artificiais", mas também não quis pôr-lhe fim. E este chegou com dignidade. Assim, a finalidade do vidro é relativa. Mas o suicídio e a eutanásia são temas controversos e eu não desejaria agora discuti-los. Agradeço o comentário, a visita e a distinção - oportuna - entre o vidro e o poema. Obrigada

Afixado por Soledade em abril 19, 2005 01:36 PM

Gostei do poema. Mas... haverá uma certa desilusão/amargura naquilo que escreve? Espero não ser impertinente, é o meu sentir. De qualquer forma prefiro o poema "que não resgata não limpa não sara" mas alimenta a vida. Beijos.

Afixado por Ana Gil em abril 19, 2005 06:47 PM

Impertinente, a Ana Gil, nem pensar! E também é da casa :) Vou-lhe dizer o que disse a uma amiga comum sobre este poema: que não é grande coisa, mas os poemas são como os dias: uns melhores, outros piores, uns luminosos, outros sem esperança.
Um beijinho, obrigada pela visita, pela compreensão

Afixado por Soledade em abril 19, 2005 07:24 PM

Soledade

Como a compreendo e, contudo
"Não serve para nada o poema:
não resgata não limpa não sara."
a ser verdade serve para tornar o sal dos dias aceitável.

Um abraço meu e do mar que marulha lá fora.

Afixado por hfm em abril 19, 2005 09:53 PM

Gostei muito do poema — belo como sempre — e muitíssimo, da segunda estrofe, toda ela, um achado.

Beijo daqui, Sol.

Afixado por Márcia em abril 19, 2005 11:38 PM

belo poema. li os comentários e entendo o que quis dizer. apenas uma reflexão. um pouco como marianne moore disse no seu poema "poetry":
"I, too, dislike it"
publiquei o seu poema "to be alone" lá no papel de rascunho.
um abraço,
virna

Afixado por virna em abril 20, 2005 02:36 PM

Helena, gosto desse "tornar o sal dos dias aceitável". Sal qb, minha amiga.
Um beijo e saudades ao mar da Ericeira

Afixado por Soledade em abril 20, 2005 11:18 PM

Márcia, talvez a 2ª estrofe acabe por salvar o poema? Não sei. Obrigada, e um beijo daqui deste lado :)

Afixado por Soledade em abril 20, 2005 11:25 PM

É isso mesmo, Virna. Obrigada! :)
E também pela entrada no Papel de Rascunho.
Beijo

Afixado por Soledade em abril 20, 2005 11:27 PM

Obrigada, Jorge, o poema fica assim, enquanto "pulsar". Em que terás tu pensado?:)
Beijinho

Afixado por Soledade em abril 21, 2005 08:30 PM

Terei ficado tantos dias assim, sem vir por aqui? Que coisa... Perco com isso.
Quanto ao poema, este belo poema de desencanto, sei bem do que vc fala. Há instantes que se erguem diante de nós, se impõem. E a reflexão sobre a vida tem tantas facetas...
Penso que este poema tem poemas-irmãos entre os meus, ao menos no conteúdo.
É bom podermos pensar ( e escrever) mais de uma forma de perceber as coisas.

Beijos,
Silvia

Afixado por Silvia Chueire em abril 22, 2005 01:36 PM

De facto temos poemas-irmãos, Silvia: afinidades de sempre, circunstâncias, e a clara evidência de que a vida (e nós) somos poliédricos.
Beijo grande

Afixado por Soledade em abril 23, 2005 11:02 AM