Andava em busca de imagens sobre o conceito de felicidade, no google, e deparei com um desenho conhecido - um dos que tens dos teus sobrinhos,creio que do teu João -ilha, palmeira,peixes, sol e nuvens sorridentes - e chamado «ilha da felicidade»-remetia para o nocturno.
Abri -e encontro este teu texto nostálgico - também eu não vejo nevar há muito, na minha aldeia granítica.«Há quanto tempo a não via /e que saudades, Deus meu!»
E há a vaga nostalgia dela, do sincelo, das raízes dispersas por esse mundo.Sina nossa: deixarmos a alma pelo mundo em pedaços repartida...E se fôssemos a Salamanca?
Belo texto, Soledade, só que Salamanca será sempre única com ou sem neve e, saindo pelas arcadas que estão ao fundo na imagem e descendo um pouco, na junção de 2 ruas há um impressionante nicho da Virgen de la Escuela - a virgem e o menino sentado numa carteira! Aquele é, para mim, um local onde vou sempre que estou em Salamanca - prazeres de agnóstica!
Afixado por Helena Monteiro em fevereiro 10, 2005 09:46 AMO Google impressiona-me, e às vezes assusta-me um bocadinho - rede, teia, polvo, coisa gigantesca.
Nevou nos teus granitos e nos meus, e nenhuma de nós lá estava. Mas de que servem queixumes? Como diz Camões (repito-me, eu sei, mas tenho um afecto grande a este soneto, a este verso, e ultimamente vem-me muito à ideia): "De quem me queixarei se tudo mente?"
Salamanca? E por que não?:-)
Afixado por Soledade em fevereiro 10, 2005 02:08 PMHelena, Salamanca está cheia de recantos e de surpresas. Conheço o nicho a que se refere. É bom ter um sítio para peregrinar (e esse é um belo sítio), mesmo sendo-se agnósticas. Resolvidas ou por resolver :-)
"Não sei se nevou em Salamanca, já não resta ninguém que mo possa dizer"
Pois por aqui há neve, vi-a na Guarda, na Serra de Tarouca, ao longe na Estrela, e em Salamanca nevou, sim, senhora, y en la Plaza Mayor. Bastava perguntar: "Ouça lá, ó papa-quilómetros ibérico, hube nieve en la Plaza?"
Afixado por mb em fevereiro 10, 2005 10:55 PM...de repente:
«cai neve na natureza / e cai no meu coração» -acabava assim o poema.
Afixado por Amélia em fevereiro 10, 2005 11:13 PMY entonces la hube. Gracias :-)
Afixado por Soledade em fevereiro 10, 2005 11:23 PMAmélia, "Há quanto tempo a não via/E que saudades Deus meu" é do Augusto Gil, a Balada da Neve, não é? Acaba assim? Já não me lembro. Tive de a decorar na escola, claro. Decorei a versão canónica e a outra :-)
Uma boa noite, amiga
Oi, soledade,
cheguei aqui através do adair, que é um velho amigo virtual de listas e poesia faz anos, embora já conhecesse seu nome através do prefácio do "desencontrados ventos", não conhecia seu trabalho.
gostei muito de seus poemas e como estou preparando a atualização do site "letra de corpo" - http://letradecorpo.rg3.net/ - estou pensando em incluir "outra lua" lá, tudo bem?
deixei meu email aqui. escreva para mim, ok?
um beijo da eliane
Afixado por li stoducto em fevereiro 11, 2005 07:40 AMGostei muito do seu texto, como de costume. Fico maravilhado com a interactividade/afectividade/amizade que consegue através do seu blogue. E obrigado por ter afixado a minha imagem: a Plaza Mayor de Salamanca é de uma grande beleza e imponência.
Afixado por Rogério Santos em fevereiro 11, 2005 08:52 AMPois é, estar em Salamanca é sonhar acordada um belo sonho, com a vantagem de ser real.
Afixado por Helena em fevereiro 11, 2005 10:28 AMJá lá estive :)
Afixado por Ricardo Garcia em fevereiro 11, 2005 10:53 AMA afectividade que R.Santos referiu é uma das coisas boas que por aqui se criam.
Afixado por zef em fevereiro 11, 2005 01:31 PMÉ do augusto gil, sim...ainda bem que nesse tempo éramos obrigados a decorar...
Bem, mas em relação ao que diz o Rogério: é verdade -neste teu espaço não há só poesia - e de excelência - há laços que se vão entretecendo.E isso aumenta-nos...
Já viu onde veio parar!?! Não neva cá há 18anos (estava eu para nascer =p). Quero neve, quero neve, quero neve...hum (beicinho)! Um beijão e bom fim de semana**********
Afixado por Sílvia em fevereiro 11, 2005 04:00 PMSaudades de Salamanca...dos tempos em que lá passava para comprar livros de estudo que não encontrava no Porto. Ficava triste por ter que sair do Porto para comprar livros...e contente por respirar aquele ambiente único.
Afixado por Orlando em fevereiro 12, 2005 02:06 PMem 1999 fui para salamanca e vivi lá um ano. ainda não regressei a matar saudades...
beijinhos.
Eliane, conheço o seu trabalho (temos vários amigos comuns), conheço sobretudo a mestria com que desenha belas páginas. E claro que já visitei a letra de corpo, e em tempos o site da Katarse, "levada", não sei já se pelo Adair se pelo Fred. Outra lua? Tudo bem, claro! Eu passo ao pvt.
Um beijo
Rogério, é a sua simpatia que merece gratidão. Por razões que não vêm ao caso, há um bom tempo que não vou a "casa", que não estou na minha vila, que não vejo o Coa, o castelo, a minha paisagem. E nem tenho passado a fronteira para Salamanca. A sua fotografia foi uma prenda que me comoveu. Alegrou os meus olhos e alimentou as saudades. Obrigada.
Afixado por Soledade em fevereiro 13, 2005 01:44 PMOlá, Helena! Que bom ter a sua visita! Já há uns tempos que também não visito o digitalis, ando aqui muito em torno do meu espaço, e o digitalis faz falta ler-se. Tal como ir a Salamanca :-)
A fotografia do Rogério tem alguma coisa de onírico, não tem?
Um beijo
Ricardo, já lá estiveste e, pelo sorriso, presumo que gostaste. Ainda bem :-)
beijo
Jorge, viveste lá um ano, invejo-te por isso. Eu, durante a infância, ia nas férias (o mês de Agosto era sempre lá) e amiudadamente de visita à família. Saudades desse tempo. Que possas matar as tuas em breve.
Beijo
Afixado por Soledade em fevereiro 13, 2005 02:31 PM
Jorge, Zef, respondo aos dois em conjunto, calorosamente. E agradeço a vossa visita aqui. Se há essa "lareira" no nocturno, é porque os amigos, virtuais ou não, têm a generosidade de se reunir aqui.
E fico muito contente quando tantos desses amigos dizem que gostam de Salamanca, é esta minha mania de ser proprietária, como se a cidade me pertencesse, mas é que pertence, cidade onde a minha mãe talvez tenha nascido, onde cresceu, onde conheceu o meu pai, e onde foi, espero, feliz. E também eu o fui. Só tenho boas memórias de Salamanca.
Um beijo aos dois
Afixado por Soledade em fevereiro 13, 2005 02:39 PMOrlando, de facto há na velha cidade um ambiente único. Salamanca tem uma das universidades mais antigas da Europa e uma tradição académica muito própria. Mesmo nos tempos do Franquismo, a censura nunca foi tão mesquinha e castradora como aqui. E os livros são um bom pretexto para sair do Porto e de Portugal.
Um beijo
Sílvia, nevou quando estavas prestes a nascer?! Vês? Um prodigioso sinal de que nesse ano viria ao mundo uma linda menina, fadada em graça e sensibilidade! Que podia ser um pouquinho mais estudiosa, não achas? :)
Ah, por acaso nevou aqui há menos tempo (8, 9 anos?), uns dispersos farrapos, apenas, mas ficaram todos muito excitados, tudo a correr para a serra dos Candeeiros em plena noite. Achei muita graça.
Beijinho para ti e que tenhas, amanhã, um feliz dia dos namorados.
Já foi há uns 15 anos que nevou na Serra dos Candeeiros! Não foi? Pelo menos eu tenho uma fotografia, segurando uma grande bola de neve, e não me dou mais de cinco anos. Hei-de perguntar à minha mãe.
Versão canónica da Balada da Neve, sei. Vinha nos livros e acho que decorei uns versos espontaneamente. Simples e belo como a neve.
"E a outra"? Que outra?
Baralho-me com os anos, mas vejamos: há 15 anos eu ainda não morava aqui. No ano em que nevou, habitava numa casa ao cimo da rua Rei da Memória, e ainda vivia o meu gato Dom Tico. Terá sido há uns 10 anos, não mais.
Pois, a versão canónica da Balada, a outra não ta digo, pelo menos aqui, mas podes imaginar, não? :-)
Beijinho
Sou, certamente, o mais recém chegado a esta lareira cibernética, onde se fala (e sente o calor da palavra), em cavaqueira amena, da neve, das cerejas – que podiam ser as da Gardunha –, e também poderemos falar das castanhas do Sabugal, do Souto (ainda no sábado, dia 12) as vi na Guarda – prontinhas para assar.
Em silêncio, estou aqui. Recebo mais do que dou: é o privilégio de aprender convosco todos os dias e isso… é belo.
Obrigado
Anto, és muito bem vindo. Que bom teres falado! És daí? Da Guarda? Quem serás tu? (não tens de dizer, a pergunta é indelicada). Mas referes uma boa parte da minha geografia ancestral, as castanhas do Sabugal e do Soito, as cerejas da Beira Baixa... É que os meus avós paternos eram de uma aldeiazinha da Cova da Beira, de um lado crescia a serra da Gardunha, muito próxima, quase muralha a fechar o horizonte, e do outro, na lonjura do vale, erguia-se a Estrela. Tinham pomares e olivais, os meus avós. Muita cereja colhi e comi da árvore. Muitos brincos e colares de cerejas teci. Tudo isso lá vai. Mas é bom lembrar.
Um abraço
Anto: não sei quem é, mas gosto do nome que me faz lembrar António Nobre, o«só»...
Afixado por amélia em fevereiro 15, 2005 09:43 AME sendo “as conversas como as cerejas” cá estou.
Sim, Soledade, sou daqui: Também pertinho do Fundão, da Covilhã, da vilória de Belmonte. Demando (de vez quando) as “veredas” de Sortelha, Sabugal, Foios em busca da gastronomia “cabrital” e “Javalina” e também dos peixes e trutas do Côa.
Sim, Amélia: Anto. De Torre da Anto, Nobre e do seu “Só” e não só: Da sua irreverência no vestir, da sua poesia, angústia e luta. Persistente a correr estradas e países para evitar a fuga para outro mapa.
vim aqui à procura de um gato para um texto que estava a escrever e encontrei um lugar tremendo de poesia...
Afixado por jpn em fevereiro 16, 2005 11:05 PMOlá, olá, olá, Anto. Belmonte, vilória? Retracte-se já, seu malandro..., senão, desta torre de Centum Cellas, mais "alta" que a de Anto, afogo a Cova da Beira...Um abraço.
Afixado por zef em fevereiro 16, 2005 11:15 PMZef, a Cova da Beira não muito grande. È possível que já nos tenhamos cruzado num campo de futebol ou numa estrada, anónimos. Não mais. Por isso, não entendi o verbo retractar.
Afixado por anto em fevereiro 18, 2005 07:25 PMNo entanto, zef, retracto-me: Belmonte não é uma vilória, não senhor.Um abraço.
Afixado por anto em fevereiro 18, 2005 08:35 PMAnto, percorremos as mesmas veredas. Alegra-me isso. Temos também o amigo Zef que, de Centum Celas, protesta do termo "vilória" e ameaça afogar a Cova da Beira :)
Gosto muito do "Só", comove-me a evocação da infância e a ternura de poemas como "Purinha". Mas hoje só me vem à ideia aquela tristeza fadada, sem remédio: «Que desgraça nascer em Portugal!». Ou: «Quando ele nasceu, nascemos todos nós. (...) órfãos de pai e de mãe, perdidos de Deus, no meio da floresta, e chorando inutilmente, sem outra consolação do que essa, infantil, de sabermos que é inútilmente que choramos.» Disse Pessoa. Mas não pensemos nisso. Hoje. Pensemos que a raia é terra do fero javali, de bom cabrito na brasa, e de belas trutas no Côa! Um grande abraço
P.S.: Também temos aqui amigos oriundos de Sortelha e da Rebolosa.
jpn, obrigada. O blogue foi buscar o título a um poema que escrevi (que está lá para trás, nos arquivos iniciais) e ao sentimento da vida em trânsito - "Ed è subito sera". De qualquer forma encontraste um gato, um Merlim adequado à tua história - uma história também do devir. E assim tive o privilégio de desdobrir o "respirar o mesmo ar".
Afixado por Soledade em fevereiro 19, 2005 09:52 PMtinha passado por aqui antes e na pressa não comentei - mas é bela mesmo a plaza major.
Afixado por virna em fevereiro 20, 2005 05:10 PMÉ sim, Virna. Recomenda-se a visita.
Um abraço
“É proibido proibir” comandava a utopia dos sonhos.
Daquele mês de Maio, já não há flores (para trincar).
Aqui, será sempre proibido encerrar este blogue.
(P.S. hoje, a neve regressou à cidade)