Comentários: Memória de Inês de Castro

Soledade, muito obrigado pelo teu comentário no Dicionário.

Jaime Gil de Biedma dizia que todo o poeta deve aprender a ler os seus poemas em voz alta para assim tomar consciência da música pessoal da sua voz. Garcia Montero, acreditava nisto como uma forma de conservar a humildade.

Acredito nestes dois princípios. Na forma, mais pela oralidade do que pela métrica, um transporte para o diálogo íntimo, um caminho para a voz pessoal, (já que do contéudo, todos somos devedores de vozes passadas e aqui não há arrojos de originalidade).

Um abraço amistoso.

Afixado por Rui Miguel Ribeiro em janeiro 13, 2005 10:53 PM

Pensamos rigorosamente da mesma maneira: "mais pela oralidade que pela métrica, um caminho para a voz pessoal". Quanto ao conteúdo: todos somos devedores uns dos outros. E sorrio quando citas em especial Montero, de cuja poesia gosto muito particularmente.
Um abraço amigo

Afixado por Soledade em janeiro 13, 2005 11:14 PM

Soledade

Entre Brancusi e António Cândido Franco o que escolher?

Talvez, esta frase lapidar: "Amanheceu baço e sem luz aquilo que foi o dia."

Afixado por hfm em janeiro 14, 2005 12:31 PM

Puxando a brasa, Montero opta por uma poesia cuja disciplina não é imediatamenbte visível em toda a sua extensão, mas baseia-se em princípios métricos e de acentuação tónica exactos (mas aqueles de aplicação em geral não tradicional, como vemos nos compêndios de versificação), e com ele, Reyes, Villena, Marzal, Vicente Gallego, etc. não se coibindo todos eles naturalmente de ferir essas regras prevalecentes. E Montero é dos citados o mais rigoroso nisso.

Quanto a mim a métrica não fere a oralidade nem a sua sua busca, nem a insistência dela. São é dois meios distintos de procurar essa oralidade. Certamente que, com o verso livre, se torna mais difícil. Estamos a falar de ouvir apenas, e não de ler e ouvir ao mesmo tempo. Havia imenso a falar sobre isto.

Entretanto gostei muito desta Inês da imagem.

Afixado por Musas Esqueléticas em janeiro 14, 2005 01:52 PM

MB, o termo "oralidade" foi usado em contexto (o de um comentário que eu fizera no blogue do Rui) e de forma pouco precisa. Em causa, o facto de essa oralidade - a qualidade que aproxima o poema da música, pois no fim é disso que se trata - não resultar apenas dos recursos tradicionais e sua regularidade(a métrica, a acentuação, a rima), mas também da expressão de uma voz íntima que pode bem fundar-se em intencionais assimetrias. Não significa memos rigor no trabalho do verso. É outro trabalho. Foi o que me fascinou nos dois poemas do Rui.

Já agora, escrevo sempre os meus poemas em voz alta, e leio os dos outros em voz alta também, se posso.

Quanto a Montero, sei que é um poeta disciplinadíssimo, ainda que por vezes essa disciplina seja subtil, pouco óbvia. Mas o que me agrada nele, nem é tanto a música, e sim a mundividência.

Inês de Castro: também gosto muito deste romance. E foi com esta mesma colagem de excertos que consegui que uma turma o lesse, nos idos de 90. Bons tempos...

Um abraço

Afixado por Soledade em janeiro 14, 2005 07:37 PM

Jorge, a tua presença é boa, é bem vinda, silenciosa ou não. Obrigada. Um beijo

Afixado por Soledade em janeiro 15, 2005 02:29 AM

Helena, acredito que "aquilo que foi o dia", se é que houve dia (lembrava aqui Camões vituperando o sol por não ter escondido os seus raios) há-de ter nascido cinzento de presságios, como todos os dias que assistem ao nascimento de lendas. Nãoo deve ter passado muito até que corressem cantigas e rimances sobre os amores e a morte de Inês. Quanto à escultura de Brancusi, "A Musa adormecida", achei-a tão bonita, pálida e delicada, uma Inês degolada, sim, mas musa inesgotável e aguardando apenas o fim do mundo para despertar.
Um beijo

Afixado por Soledade em janeiro 15, 2005 02:39 AM

Sol(edade),
Caí, neste blogue, de pára-quedas pela 1ª. vez. Agora, tenho caído aos trambolhões.
Três coisas:
- O seu blogue medrou (e isso é bom);
- Fico atento à sua poesia;
- Bem-haja, pelo pensamento (merecido) a Inês. Que haja mais pensamentos neste Ano Inesiano da Cultura e que a Vila medieval Jarmelo (concelho Guarda) obtenha o (já merecido) perdão.

Afixado por anto em janeiro 16, 2005 12:08 AM

Anto, de paraquedas há-de ser mais suave, mas venha como quiser, é uuma alegria especial quando chega alguém que, pela referência ao Jarmelo, suponho ser da minha região.Tinha pensado fazer - e farei - uma entrada sobre a relação do Jarmelo e do Sabugal Velho com a história de Inês e Pedro. E farei. Agora farei mesmo! :-)
Muito obrigada.
Um abraço

Afixado por Soledade em janeiro 17, 2005 12:44 AM

Desculpem meter-me.... Jarmelo, Inês... antiga vila do Jarmelo e muito abandono!!!! esquecimento e outras coisas ligadas ao desaparecer cada dia mais! A moret de Inês, não deveria ser a morte do Jarmelo tantos anos antes.
Se os nossos antepassados conseguiram resistir tantos anos, como é que nós os"ilustrados" vamos deixar que as oportunidades continuem a passar ao lado?? Todas as instituições, mesmo a CM Guarda deveriam inetressar-se mais pelo Jarmelo e associar, tirando partido á História de Inês.

Afixado por agostinho da silva em janeiro 19, 2005 11:09 AM

mais uma... visitem jarmelo.com e deixem a vossa marca !!! está ainda em cosntrução mas queremos ir mais além!! promover o que de peculiar temos: Vaca em Extinção, único fazedor de tesouras de tosquia do país... etc e cada dia menos gente..

Afixado por agostinho da silva em janeiro 19, 2005 11:13 AM

Agostinho, muito abandono, desertificação, e não apenas no Jarmelo. Olha Sacaparte. Olha as termas do Cró. Aqui - no Nocturno - não se esquece. Pelo comentário anterior, de Anto, vês que não sou a única. E se procurares no índice, encontras algumas entradas, sob o título "Epitáfios", relativas a usos em perda ou perdidos, da nossa região. Haverá mais. E está prometida a história da relação entre o Jarmelo e Inês. Dá-me tempo.

Quanto a visitar-se o Jarmelo - sim, recomendo vivamente. E outra coisa: não queres falar tu sobre os vossos usos peculiares? Posso publicar aqui, se não tiveres site ou blogue.

É bom encontrar outro conterrâneo :-) Um abraço beirão!

Afixado por Soledade em janeiro 20, 2005 12:14 AM

Bem haja! dizemos assim na beira, por teres estas preocupações, do cró já visitei porque do Jarmelo iam lá a banhos, o ti Maximino, que saía pela manhã cedo (noite) para não cansar a burra que o levava. Aplicaram aqui nas nossas terras uma hist´ria ao ti Maximino, que um dia dessas idas ao Cró.. montado na burra e com a filha Amélia como companhia a seu pai, levavam numa merendeira uns quantos bolos de calhabau (bacalhau, mas dizem assim para os garotos acharem mais piada); a burra numa subida, e dado o esforço de carregar com o senhor, caiu... ao levantar-se soltou uns quantos pericos (chamamos assim aos da burra, entende-se?) como era noite, elees parecidos com os que saíram da merendeira, estes de calhabau, tudo apanharam... como sobravam, o ti Maximino, disse: Ó Amélia, cóño,(dizia-se assim aberto, porque nós de espanhol... pouco, e dá mais entoação á palvra) trás cá uns bolos--- já que sobraram.
Ao comer alguns souberam-lhe mesmo ao que eram.....( nós em miúdos, qualquer coisa que metesse uma asneira.. dáva-nos para rir...ora o homem a comer uns pericos de burro...)
Bem, isto foi uma história, vistem JARMELO.COM, e fiquem com Deus (assim se despediam as pessoas).

Afixado por agostinho da silva em janeiro 20, 2005 11:42 AM

Agostinho, bem haja eu, que me parti a rir :)
Não é só aos pequenos que as "asneiras" dão para rir. Ora coitado do ti Maximino, assim no escuro, a comer pericos da burra :) Ah, na minha zona também se diz coño e outras espanholadas. Afinal somos raianos e fomos contrabandistas.
Obrigada pela história. Conta mais, se te lembrares.

Afixado por Soledade em janeiro 21, 2005 01:03 AM