Comentários: Cartilha do Marialva

Erguem-se altas torres de marfim, mas os alicerces são de areia.

Afixado por Luísa. em junho 2, 2005 07:25 PM

Complicado...a única coisa firme que temos, é a certeza da nossa vontade.

Afixado por Orlando em junho 3, 2005 08:35 PM

Luísa, Orlando,talvez as torres sejam de titânio, e os alicerces assentem na nossa carne e nos nossos ossos - consumidores obedientes e acéfalos, que a era da cidadania já lá vai. Perversamente, a tendência é global: a linguagem do poder, seja ele político, científico, cultural, da escola, dos media, obscurece, não revela. Lembrando Sophia, vivemos "alucinados pela ausência", vivemos um tempo em que as palavras deixaram de ser "o nome das coisas". É o que sinto, este desânimo.
Mas o sábado é de sol e vento. Talvez esteja bom na praia :)
Um beijo aos dois, bom fim de semana.

Afixado por Soledade em junho 4, 2005 10:18 AM

Fomos nós que divinizámos o poder. E muita gente ficou/está contente. Deixámo-nos libertar da participação. Divinizado o poder, venha o "droit de cuissage", que é como quem diz "direito de pernada", com participação unilateral!
Até por isso, que o fim de semana nos seja bom.

Afixado por zef em junho 4, 2005 03:49 PM

É verdade que nos demitimos, Zef, mas teria feito diferença? Poderemos sequer fazer diferença? O direito de pernada já o têm também, que nós curvámos bem a cerviz.
Enfim, aproveitemos o fim de semana. Estou a precisar de reler Manuel Bandeira, de encontrar uma Pasárgada, algures.
Um abraço

Afixado por Soledade em junho 4, 2005 09:10 PM

Soledade e Zef,
E...falando da Eurpa e da sua (?) Constituição:
Que Europa? Sim ou não?
Aí, temos: O dilema, o desânimo e raiva (muita).
Esta nunca foi a Europa dos trabalhadores. Estes não têm Europa. Têm desemprego.
Ontem (já longe) os Reis banqueteavam-se, mas havia miolas para os gatos. Hoje os Reis acabaram, ficaram os “vampiros e … comem tudo e não deixam nada”.
Nós temos participado. E respondem-nos que não produzimos, que temos de trabalhar até mais tarde. Eles trabalham 6 anos, abrem o Cofre e tiram reformas douradas.
Todos os burocratas leram Friedman, Milton - economista dos EUA ideólogo do liberalismo na sua versão mais conservadora – esquecendo-se (?) de John Kenneth Galbrait, que rebateu o consenso globalizado e neoliberal de que o Estado do Bem-Estar Social não funciona mais. Disse que na medida em que as pessoas se tornam mais ricas, mais influentes, atribuem seu sucesso ao esforço próprio e se esquecem dos pobres.
- Então, divinização, pois claro. Rasgue-se o voto. Mas, antes releia-se sim Manuel Bandeira e leia-se também Daniel Faria: “Histórias do País de Helena - Havia marinheiros/No país de Helena/ Que morriam ao pôr do Sol/ E havia Helena que sonhava/ Fazer um dia tranças às ondas/ E um berço muito grande para o mar.”

E um destes partirei em busca duma cerejeira carregadinha de cerejas com orvalho.
Um abraço

Afixado por anto em junho 5, 2005 11:29 AM

Desânimo, demissão...é verdade que há muitas vezes em que parece que não importa e, se calhar, não importa mesmo.Ó Soledade, mas então porquê tudo o que escrevemos, porquê ainda pensar alto, partilhar? se não é para encontrar um eco, multiplicar o grito, encontrar uma Pasárgada algures ou alguém que nos mostre onde se esconde o orvalho.

Afixado por ana assunção em junho 5, 2005 08:07 PM

Anto, eu não rasgo o meu voto, e voto sempre. Que mais não seja por teimosia e para afirmar um princípio. Mas não tenho ilusões. E sei do pouco poder que tenho para mudar as coisas - porque não há escolha política e porque os próprios governos são também reféns dos senhores do mundo, dos grandes cartéis, das multinacionais, super-estruturas sem rosto nem humanidade.
Vamos lá então ler poesia. E esperar, mesmo contra toda a esperança. E comer cerejas :) Aí, na Cova da Beira, é que têm boa cereja.
Um abraço

Afixado por Soledade em junho 5, 2005 11:31 PM

É por isso mesmo, Ana. Porque estamos vivos e somos gente, estrelinhas fugazes à procura de respostas, mesmo que nunca as encontremos.
Um beijo, e obrigada pelas suas palavras.

Afixado por Soledade em junho 5, 2005 11:36 PM

...estamos vivos, sim senhor, e ninguém rasgue o voto e ponha lá bem escarrapachadinha a cruz naquilo em que acredita, porque não há cavaleiro que sempre cavalgue, "que uma coisa pensa o cavalo;/outra quem está a montá-lo"(O'Neill).

Afixado por zef em junho 6, 2005 10:29 AM

Oportuno o texto, amiga.

Afixado por amelia em junho 8, 2005 05:35 PM

Um texto de 1960, e tão actual. Não só por causa do processo obscuro e obscurecedor da Constituição Europeia, como sabes.

Afixado por Soledade em junho 8, 2005 11:34 PM

Um dia derrubaremos o cavaleiro, Zef! A sua fé faz-me bem.
Um beijo

Afixado por Soledade em junho 9, 2005 12:08 AM