Comentários: Ritos de excelência

Que alguém venha ter connosco, que assim pensa-
mos,e diga que o rei vai nu...é bem aquilo de que necessitamos.
Nós também sabemos de que falamos quando o pensamos e dizemos, indo tamtas vezes contra a maré e o «politicamente correcto».
Boas leituras, amiga.

Afixado por amelia em junho 22, 2005 08:59 AM

E não deveriam as "clássicos" ser substituídos pela contemporaneidade? Não deveriam os docentes aprender também as novas linguagens para entender as verbalizações e exteriorizações dos alunos, ao invés de estagnarem no classicismo exacerbado?
Porque as sucessivas gerações não vão empobrecendo intelectualmente - isso seria contra natura -; os saberes, ou as formas de os passar, é que se fixam em paradigmas com a agilidade de lesmas. Digo eu...
Festinhas à Jade.

Afixado por Ricardo Garcia em junho 22, 2005 01:04 PM

É, Amélia. Mas antes de admitir que o rei vai nu, vamos dar cabo de mais umas quantas gerações, certo? :(

Afixado por Soledade em junho 22, 2005 02:22 PM

Ricardo, clássico e contemporâneo não se excluem. Steiner diz que clássico é o que nos questiona, o que desafia os recursos da nossa consciência e do nosso intelecto. Concordo com ele. Está em causa, portanto, não a patine do tempo, mas a capacidade de significar com excelência, seja em 2005 ou no tempo de Homero. E privar os alunos dessa excelência e da mobilização e treino dos próprios recursos intelectuais, como se fossem crianças retardadas, é realmente criminoso e só pode servir fins perversos.

É meu dever desafiá-los para o novo, para o diferente e para o melhor, mesmo que o melhor seja o mais difícil ou o menos atractivo a um primeiro embate. E faço-o porque os respeito e acredito que serão capazes, se aceitarem esforçar-se.

As suas verbalizações e exteriorizações entendo-as muito bem, é o "caldo" em que vivo, e acho importante reflectir, com eles, acerca delas. Mas a minha sala de aula não é a extensão de nenhuma associação recreativa, nem nenhum altar à juvenilia. E se é para os alunos "aprenderem" e estagnarem no que já sabem, não lhes vale a pena vir à escola, não te parece?

Quanto a motivações (costuma ser o argumento seguinte), motivar para aquilo de que já se gosta ou se domina, não é motivação nenhuma - é a pedagogia da chupeta. Nada de válido se consegue sem esforço: toda a aprendizagem consiste numa penosa e gozosa construção pessoal. E, já agora, orientar os alunos nessa construção é um privilégio raro - e a alegria de se ser professor. Se alguma resta, nesta choldra.

Outra coisa ainda: cortar a ligação com o passado, desvalorizá-lo tout court, é perigoso. Sem laços, sem identidade cultural e sem memória, somos muito mais manipuláveis e desprovidos de meios para analisar lucidamente o presente e planear o futuro.
Um beijo
P.S.: A Jade, do alto dos seus 7,650Kgs e da neura da sua dieta draconiana, manda um ronron ao Capitão :)

Afixado por Soledade em junho 22, 2005 03:42 PM

Soledade:
Estou 100% consigo no comentário que faz. Ninguém, creio eu, estará interessado em ter à frente do país (daqui a uns anos) "retardados", o que poderá acontecer se se tratarem os jovens de hoje como se o fossem. Bem vou ficar por aqui, os 100% dizem o resto.
Para lá disto fiquei a saber que a sua Jade é uma grande gata e vai uma festinha para ela. :) Bjs.

Afixado por Ana Gil em junho 22, 2005 09:39 PM

Eta, prof braba, se não tem cautela os Ricardos, por mais coração de leão que tenham, quando forem ministros desta choldra, ministros da Iliteracia, da Falta de Saúde, do Esbulho, da Economia em Venda, da Formatação de Adolescentes - já me perdi! -, quando forem ministros deste charco inquinado ainda lhe movem um processo que se liksa :)

Afixado por sol-e-lua em junho 22, 2005 11:37 PM

Ana, eu não sei às vezes é que diabo de masoquismo nos faz persistir. Mas tem de ser, não tem?
Beijinho
P.S.: A Jade recomenda-se... mais ou menos :)

Afixado por Soledade em junho 22, 2005 11:52 PM

sol-e-lua, o Ricardo não cabe nessas categorias. Ele tem uma opinião diferente da minha, o que é um seu direito, e é justo. Eu é que defendo demasiado apaixonadamente o meu ponto de vista.
Ah, "liksados" estamos todos, no charco inquinado...

Afixado por Soledade em junho 23, 2005 12:05 AM

:)Ministério da formatação de adolescentes, onde é que eu já ouvi/vi isto...
Mas por que haveriamos de substituir, e não adicionar? Talvez não haja tanto espaço nas cabeças contemporâneas,talvez.

Afixado por ana assunção em junho 23, 2005 12:43 AM

Há espaço, Ana, há sim, o espaço cria-se, amplia-se, multiplica-se, se usado. E a ideia é mesmo adicionar - com critério. A idosa professora negra de que citei o excerto de uma fala no romance de Roth, diz que deixou de haver critérios para só haver opiniões. É com este relativismo que eu, tal como ela, não concordo.

Afixado por Soledade em junho 23, 2005 12:59 AM

Bem sei,Soledade, bem sei. Encontrei a Ernestina hoje de tarde quase no fim do livro do Roth. Obrigada á Amélia :) Beijo para si

Afixado por ana assunção em junho 23, 2005 01:20 AM

É um encontro inesperado, não é? E uma mulher surpreendente, a Ernestina. Mas não vamos adiantar mais, Ana, porque alguém acabou de comprar "The Human Stain" e, se calhar vir aqui ao Nocturno, não quero gorar-lhe o prazer de descobrir a história. Alguém que é a prova viva de que a dificuldade não desanima os jovens que aceitam o desafio e se impõem padrões de exigência.

Afixado por Soledade em junho 24, 2005 02:26 AM