Comentários: Homo Consumens

Excelente.É isso mesmo de que temos vindo a falar...O Salazar dizia que «quanto mais ignorantes mais humildes».E assim pensam - e fazem - os novos oligarcas, baptizados de democratas que, como bárbaros, nos invadem subrep
ticiamente, de mansinho, aparentemente com no-bres propósitos.É a bestialização dos cérebros porque saber pensar é saber agir - e isso é perigoso para quem manda.E neste tempo de globalização e de promoção da estupidificação é cada vez mais urgente denuncá-la e voltar ao underground,reerguer as culturas ditas «margi-
nais».E que haja gente como o autor deste textoe outros que vens citando que tenham cada vez mai coragem de dizer que o rei vai obscenamente nu.

Afixado por amélia em julho 13, 2005 10:51 PM

É isso mesmo,Amélia! Sempre fui defensora de gritar e apontar que o rei vai nu! A Soledade vem gritando com os textos que vem publicando. Saiba que (pela parte que me toca) não ficam quietinhos aqui no seu blog; "viajam", e este já anda a viajar pelo meu universo familiar, para já ! É assim que se pode conseguir alguma coisa pois verdade é que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"! E, ou é agora e já, ou nunca mais ...Obrigada e um abraço.
Fernanda.

Afixado por f.s.m. em julho 13, 2005 11:22 PM

Este texto pode, de certo modo,ser complementado pelo do citador que vem lá no fundiho da página -
Espontaneidade Pública Inexistente, de Fernando
Pessoa.Até certo ponto.E Pessoa escrevia-o há algures entre 1888 e 1935...
Data: 20050713

Afixado por amelia em julho 14, 2005 08:57 AM

Farto-me de pregar sobre isto, terei algumas entradas no(s) blogue(s) sobre este tema de humanos formatados. A vulgaridade instilada, o que o autor chama "popular", é a forma que os "democratas" arranjaram para impor a sua ditadura, a ditadura sobre os escravos consumidores, e fazem-no também sobre aquilo que é cada vez menos arte. Por essa razão é que o Manuel Alegre vende que se farta como o antigo Shelltox, que também matava que se fartava, e não poucos querem ser os paulos coelhos da Betesga. A revolta individual - hoje não há possibilidades objectivas de outra - é não só uma exigência de dignidade própria, como cuidar da semente para os vindouros.

Porque há sempre quem se negue. Se o mundo recua sempre com muitos, quando avança é sempre com poucos.

Afixado por mb em julho 14, 2005 08:48 PM

Acrescento, comoo cevado da história:
«Por isso grito e gritarei:
Aqui d'el-rei, aqui d'el.rei,aqui d'el-rei!»

Afixado por amelia em julho 15, 2005 11:50 AM

A indústria de produtos culturais vai conseguindo tornar tudo tão consensual que a única revolta que aparece (mesmo esta instigada por elites...)é a motivada pele imposição de pagar impostos(fenómeno obsceno!).
Mesmo a escola (a instituição, sempre sombra negra; e a outra, a de estudantes e professores, que ora é menina dos olhos, ora castigo para uns e outros...) está a ser reprodutora de figurinhas humanas adaptadas ao que é mais conveniente: consumir o que lhes é dado, sem problema de solturas, prisão de ventre, nem de arrotos...
Se, ao menos, não perdêssemos a virgindade original diante da realidade, o coração não hesitaria nas escolhas, como diz, mais ou menos assim, Torga.

Afixado por zef em julho 15, 2005 07:31 PM

Há algum conforto, como a Soledade diz, também sinto isso. Mas ainda bem que continua a haver quem lance o seu grito de revolta,apesar de quase sempre pagar por isso, de uma forma ou de outra. A Soledade bem grita aqui no seu blogue (e não só, eu sei) e acredite que alguns hão-de ouvi-la. Não tantos como seria desejável, mas é que a mudança assusta, daí a passividade, o conformismo de muitos.

Afixado por Ana Gil em julho 16, 2005 11:45 AM

Isto não é só uma questão de mudança, embora concorde que assuste ou mace, mas mais me parece ser uma questão vital para amanhã se é que queremos ter alguma matéria cinzenta de jeito. No nosso pequeno país a questão é, no meu entender mais premente ainda, já lá vai uma geração e meia mais ou menos perdida ou quase e o que se ouve é um barulho ambiente acerca destas questões sem pés nem cabeça.(De acordo com o zef, único "pecado" que mobiliza é ter de pagar impostos!) Agora a estratégia passa por saber como realmente pôr esta questão na ordem do dia,nem que seja á boa maneira "espectacular".

Afixado por ana assunção em julho 16, 2005 02:27 PM

Citando:
“há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há outros ainda que lutam muitos anos e são muito bons; há, porém, os que lutam toda a vida e estes são os imprescindíveis".

B.Brecht

Afixado por amélia em julho 17, 2005 11:36 AM

Amigos, nos vossos comentários, o consolo do reconhecimento, de ter interlocutores que sentem, como eu, que esta sociedade está profundamente errada e que a questão cultural é fulcral para a sobrevivênvia da espécie. Bastantes (talvez mais do que se julga) profissionais da educação isto é, agentes da primeira linha do sistema de "formatação" de crianças, vão lutando como podem, ora descrendo e desanimando, ora retomando alento. São quase sempre combates anónimos e solitários (talvez também inglórios), pois a instituição Escola, antes em contra-ciclo com a cultura do consumo, está agora perfeitamente alinhada. Quanto aos efeitos que os esforços e as vozes solitárias possam ter, não sei. A imagem dos círculos concêncritos que irradiam da minúscula pedrinha que cai ao lago é poética, mas... aconteceu-nos o que Zef diz: "perdemos a inocência original". Apesar disso: omissão é que não. Obrigada a todos pelas vossas reflexões, e pelos "círculos" irradiantes. Um abraço apertado.

Afixado por Soledade em julho 18, 2005 06:14 PM

Mea culpa, várias vezes. Ao reler, acho que o meu comentário foi muito infeliz.
1- Peço desculpa se de alguma maneira pareceu ser "contra" os professores, não foi nada isso que quis dizer, foi sim um comentário relativo á esfera mais alta (e não á 1ª linha, como diz a Soledade), que se tem pautado por constantes mudanças e discontinuidades o que cria dificuldades a todos: professores, pais, crianças com as consequências e as inevitáveis desigualdades a que todos assistimos.
2- Depois, quis falar de como,talvez, utilisando outros meios, fora dos institucionais, as pessoas que têm realmente a experiência nesta matéria pudessem, encontrar novas formas de fomentar a discussão e ganhar mais gente para estas questões mas isto será porventura ingénuo.

Afixado por ana assunção em julho 18, 2005 10:40 PM

Ana, o seu comentário foi muito oportuno, nada ambíguo e nada agressivo. Quando me referi aos professores como a primeira linha, é porque lidamos com os miúdos a partir de um ponto estratégico privilegiado, e isso gera uma angústia terrível quando nos questionamos acerca da finalidade e dos processos. São as altas esferas quem decide acerca da Lei de Bases, dos programas, etc. Mas todos nós, a sociedade civil, e os professores à frente, devíamos ser mais interventivos. Tenho momentos de grande desânimo, mas se achasse ingénuo "fomentar a discussão e ganhar mais gente para estas questões", não publicava estes textos aqui no Nocturno, onde as suas intervenções são inestimáveis e, com as dos outros amigos da casa, a verdadeira mais-valia deste blogue.
Eu é que lhe peço desculpa se a induzi em erro.
Um beijo.

Afixado por Soledade em julho 18, 2005 11:42 PM