Comentários: A escola e o tempo

Grande texto Soledade! Espero que muita muita gente leia isto e pense. Bem sei que parece uma guerra perdida ou estará mesmo perdida mas, mesmo assim...é bom ler isto. Beijinho

Afixado por ana assunção em outubro 5, 2005 07:48 PM

«Se quereis respostas, fazei ciências. Se quereis perguntas, lede poesia.»
Heidegger podia também ter invertido os períodos, mas isso estava longe do seu modo de ver o mundo. Até que ponto filósofos como ele não terão contribuído para as fábricas de clones consumidores (e não só), em que se vão tornando as escolas, melhor dizendo, em que os programas do ensino (e os governos) as vão deliberadamente transformando, é uma pergunta capaz de caber neste dia. Honra, pois, aos professores resistentes.

Afixado por mb em outubro 5, 2005 09:23 PM

«(...)como se deixá-los entregues a si, e eventualmente ao tédio, fosse um risco. Roubamos-lhes assim o tempo de pensar, de sonhar(-se), de se confrontarem consigo-próprios.» Gostei especialmente deste comentário. E lembrei-me do «Pelo sonho é que vamos...» de Sebastião da Gama, também um bom exemplo, neste caso português.

Afixado por legendas em outubro 5, 2005 09:36 PM

mb, todos os filósofos (e poetas, já agora) fazem o mundo que os segue: "Sempre que um homem sonha..." Tento, apesar disso, não confundir o que sei da filosofia de Heidegger (e que não é muito, admito) com as posições políticas dele, tal como faço com a poesia de Ezra Pound. Procuro discernir. A citação de Heidegger, no contexto, é absolutamente pertinente, embora se pudesse, sem perda de sentido (e de um grave sentido), inverter os termos.

Mas em causa, no diálogo de Steiner e Ladjali, estava o "Para que é que me serve aprender isso?", questão normalmente relacionada com o estudo da literatura e especialmente da poesia, e que ouvimos com frequência aos alunos. Pois filosofar ou saborear a poesia não ensina ninguém a mudar o pneu de um carro ou a preencher a declaração de IRS, acrescentam. Como dizem também em relação à Matemática, sabe? Há dias um colega contava-me que uma turma se "recusava" porque não via utilidade *prática* no que ele lhes propunha. Vivemos o primado da pragmática, e passamos a vida a justificar-nos. Pois é para a "gratuidade", como se diz no texto, do acto de aprender - para o prazer associado a essa gratuidade - que o diálogo aponta. "Não se negoceiam paixões".

Afixado por Soledade em outubro 5, 2005 10:00 PM

Ana, as batalhas perdidas podem ser, a longo prazo, as mais frutíferas. Mas isto, se calhar, sou eu num acesso de lirismo. Entretanto pensemos, questionemo-nos, e tentemos furar o sistema por dentro: em nome daquilo em que acreditamos profundamente. Sei que concordamos:-)

Um beijo

Afixado por Soledade em outubro 5, 2005 10:05 PM

Carlos, boa lembrança! Precisamos de recuperar as lições de Sebastião da Gama, poeta e professor. Precisávamos que o "Diário" dele, por exemplo, fosse de leitura obrigatória para todos os professores.
Um abraço

Afixado por Soledade em outubro 5, 2005 10:08 PM

Bela homenagem aos Professores ... e à TAL amiga professora, também. Não podia estar mais de acordo com as SUAS palavras de introdução às outras que, claro, tocam em pontos muito sensíveis do ensino. Esperemos que não seja uma batalha perdida, e para isso, vamos minando o sistema por dentro e por fora, também. Há pontos que me tocam especialmente e que não são imputáveis exclusivamente à escola:" Roubamos-lhes assim o tempo de pensar, de sonhar(-se), de se confrontarem consigo-próprios". " Negamos-lhes a intimidade e o silêncio em que frutificam o pensamento e a criatividade. Privamo-los da memória e diluimos o seu sentido de pertença a uma história, a uma língua, a uma cultura.". " «Quando se consegue estar sentado numa cadeira, em silêncio, sozinho num quarto, teve-se uma grande educação.» E é terrivelmente difícil.". Grande texto, Soledade.
Um abraço.
Fernanda.

Afixado por f.s.m. em outubro 5, 2005 11:23 PM

É...o Steiner dá voz àquilo que vamos vendo e experienciando.Não estamos sós, afinal, no pensar estas coisas.
Num mundo globalizado o risco é o pensamento plano, o fomentar do acriticismo, a negação de ser livre de e no pensar.Mas, como dizia o Manuel Alegre da Praça da Canção - «mesmo na noite mais triste/em tempo de escuridão/há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não.»-resistência underground de novo, pois claro.

[Já agora: quando orientei estágios, o 1ºlivro que mandava ler era justamente o Diário do Sebastião da Gama - alguns estagiários (que não gostavam de ler e não tinham hábitos de leitura- se calhar não devia dizer isto, que dá um pouco de mau aspecto...]diziam não o encontrar...Pena, que Sebastião da Gama era o tal que dizia, entre outras coisas, que para se ser professor era preciso ter as mãos puras...

E ainda por falar de Sebastião da Gama: há, no blogue Incursões, uma entrada sobre o pemsar professor de Sebastião da Gama:
http://incursoes.blogspot.com/

Que falta? Agradecer à Soledade mais esta prenda que me envia.E o que tenho aprendido também com ela.

Afixado por amelia em outubro 5, 2005 11:39 PM

...ora esta...quando me dei conta...era/sou já a 33028ªvisita (tentem ler em voz alta o n+umero, já agora)...Yuppi!!!!

Afixado por amélia em outubro 6, 2005 07:14 PM

Com a correria que ando não consigo ler o texto, peço desculpa!

Mas...

VIVA OS PROFESSORESSSSS!!!!!!
Não deveria existir um dia mas sim vários!

(menos para aqueles profs que só nos querem lixar, como um que estou a apanhar este ano :SSS...nã deveria dizer mas tass)

Acho que todos os professores estão de parabéns, e merecem mesmo um dia para eles! ;)

Beijões Stôra ******** =P

Afixado por Sílvia em outubro 7, 2005 08:34 PM

Não, Fernanda, não são imputáveis apenas à escola. No entanto, a escola deveria ter o imperativo de lutar contra essa corrente e de assumir, sem medo de afrontar o "politicamente correcto", a sua vocação. Mas já não lutamos contra a incultura, firmamo-la.
É espantosa a citação de Pascal, não é? Quando se pensa que a maioria dos jovens não consegue, por exemplo, ler ou estudar sem ruído de fundo, sem a "almofada" da tv ou da rádio ou de um cd... Dá que pensar.
Um abraço

Afixado por Soledade em outubro 8, 2005 09:09 PM

Amélia, não é para agradecer - a entrada é-te *naturalmente* dedicada :-) Gostei do texto no Incursões. E se parece mal dizer que os professores não lêem, que se há-de fazer? Muitos não lêem, de facto. Sabemos isso. E sabemos que é deplorável.
Um beijo

Afixado por Soledade em outubro 8, 2005 09:13 PM

Sílvia, obrigada pela parte que me toca. Um dia do professor já basta, caramba! :-)
Tens um prof de que não gostas? Bom, nunca ninguém te disse que ia ser fácil. Em todo o caso, não sejas demasiado rápida nos julgamentos, começaste apenas há duas semanas. Espera um pouco, sim? E entretanto estuda e cuida de ti.
Beijinho

Afixado por Soledade em outubro 8, 2005 09:19 PM

"Não se negoceiam as nossas paixões." Que maravilha! Isso resume tudo, o que mais eu poderia dizer? Que concordo em absoluto com o posicionamento teórico desse texto? Seria pouco e seria muito aquém do que senti, ao lê-lo.
Nossos filhos poderiam ter uma formação bem melhor se fossem lhes fosse oferecida a oportunidade de busca, de reflexão sobre o mundo em que vivem e suas contradições.
Gostei muito do seu blog, aceite os parabéns dessa brasileira de Piracicaba-SP,e seja muito feliz!

Afixado por Dare em outubro 9, 2005 07:44 PM

As nossas paixões devem ser a nossa inspiração para mostrar-mos aos outros o que se consegue fazer.
Nas aulas que dou sobre fotografia, a paixão que tenho pela sua prática, guia-me sobre o que acho importante transmitir. Se consigo trnasmitir entusiasmo não sei, mas só assim concebo esta actividade (que não é o mesmo que a escola oficial).

Afixado por Mário em outubro 10, 2005 05:23 PM

Muito obrigada pela atenção, Dare. Um abraço para Piracicaba (têm topónimos tão bonitos, no Brasil), tudo de bom para si.

Afixado por Soledade em outubro 10, 2005 07:44 PM

Mário, não sabia que também ensinavas, somos afinal do mesmo clube, embora de divisões diferentes :-) Se exceptuarmos a questão da massificação e da obrigatoriedade da escola regular (que é uma senhora questão!) acho que é exactamente o mesmo que se passa contigo: ensinamos melhor se amarmos aquilo que ensinamos; e se acreditarmos ser o melhor para os alunos. Apesar desta minha rebelião contra a revisão curricular, a filosofia que lhe preside, e os novos programas de português que acho de uma vacuidade presunçosa sem desculpa, sempre gostei de ser professora. Como diz o autor que cito nesta entrada, o Steiner, não há profissão mais orgulhosa, nem mais humilde.
Um beijo para ti e mais dois: um para a Salpico e outro para a Jasmim. Que lhes seja solicitado e mantido esse entusiasmo de que falas.

Afixado por Soledade em outubro 10, 2005 08:27 PM

No Dia Mundial do Professor, foi particularmente feliz no texto que apresentou e dedicou à sua (nossa) amiga. Gostei muito da sua introdução.
Recordei o que me disse um dia uma minha amiguinha, na altura com 13 ou 14 anos: "professora, ando tão cansada! É a escola, as explicações, a natação, a música...não tenho tempo para mim."
Mais tarde encontrei-a a trabalhar com o pai numa loja de pronto-a-vestir. Não aguentou o esforço que lhe exigia o curso superior no qual tinha ingressado.
Espero que muitos professores e pais naveguem no seu blogue, pela qualidade do que aqui é publicado e porque cada vez faz mais sentido a questionação que refere, dentro e fora da escola.

Afixado por Ana Gil em outubro 11, 2005 08:05 PM

É, a Ana também é do métier, sabe exactamente como são as coisas. E sabe que esta sobre-ocupação do tempo das crianças, além de produzir o tal "ruído" que não propicia o pensamento crítico e original, serve um fim óbvio: mantê-las ocupadas e vigiadas enquanto os pais trabalham muitas, muitas horas. Quando uma sociedade não sabe que fazer dos seus mais jovens e dos seus mais velhos, além de os "armazenar" em prisões de grades mais ou menos douradas...
Beijo

Afixado por Soledade em outubro 12, 2005 01:16 PM

Pois é Soledade, e até já fomos da mesma divisão, mas isso já foi numa outra vida :)

Beijo

Afixado por Mário em outubro 12, 2005 05:15 PM

Sério, Mário? Que ensinarias tu? Vou deitar-me a adivinhar :-) Largaste o tronco. Em bom tempo.
Um beijo

Afixado por Soledade em outubro 12, 2005 10:02 PM