"conhecedor", mas pouco, meu caro! Muito pouco, mesmo... Mais conhecedor é o meu amigo Pires do Espreitador ...
A minha grande "fonte" de Vieira é o "História de António Vieira" de Lúcio de Azevedo, 1º volume (o segundo anda algures num caixote no sótão dos meus pais...) e neste nada se fala sobre esta obra...
Sei que a autoria da obra é polémica:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Vieira
Em:
http://www.arqnet.pt/dicionario/vieira_antoniop.html surge a frase:
"Em 1652 saiu a Arte de furtar, que por muito tempo se lhe atribuiu, mas que evidentemente parece não ser dele; julga-se ser obra de Tomé Pinheiro da Veiga, falecido em 1656"
E ainda esta curiosa nota:
"165. VIEIRA, António, S.J., supposed author [actual author: P. Manuel da Costa]. Anónimo (sec. XVIII). Arte de furtar. N.p.: Estampa, (1970). Literatura Portuguesa - Clássicos de Bolso. 8°, orig. prtd. wrps. 289, (1) pp., (2 ll.). ISBN: none. $15.00
http://64.233.183.104/search?q=cache:sR9HeeJ5B2UJ:www.livroraro.com/EOB1/EOB1pt12.htm+%22arte+de+furtar%22+vieira&hl=pt-PT
The Arte de furtar, a curious and amusing treatise on the noble art of lying and thieving that became an often re-printed classic of Portuguese literature, first appeared with the false imprint Amsterdam: Officina Elvizeriana [sic], 1652, but was probably printed in Lisbon ca. 1744. Although the title page of that edition attributes the book to P. António Vieira, it has now been shown to be the work of P. Manuel da Costa."
Lamento não lhe poder dar informações em primeira mão, mas o volume que me resta do Lúcio de Azevedo deixa em claro completamente esta questão... O que penso que aponta para a tese da incorrecção da atribuição, acho eu...
Muito obrigado pela ajuda e pelo tempo que lhe tomei. A obra era para mim totalmente desconhecida e a singularidade da atribuição é que me fez adquiri-la. Como digo, o prefaciador não acredita que seja de Vieira e refere também o equívoco aparente da impressão em Amesterdão.
Um abraço
A edição original é de 1744 [ainda que o subtítulo indique ter sido escrita em 1652, o que pode ter sido feito para reforçar a tese de Vieira como autor] e indica como autor o 'Padre Antonio Vieyra'. Caso deseje, pode ver a capa Em Lorenzetti. Com efeito, a obra refere Amsterdão, não sei se com algum intuito de despiste ou até de fuga ao controlo [pelo menos na origem] da Inquisição. Noto que nem 'sempre' a obra foi atribuída ao Pe. António Vieira. Com efeito, na edição de 1970 de José Ribeiro de Mello, ilustrada por Batarda e com comentários de críticos como Natália Correia, Bénard da Costa, Armando de Castro e Hernâni Cidade, a obra é atribuída a um 'Anónimo do Século XVII'.
Parabéns pelo seu blog e ainda mais por falar deste livro, que a meu ver é uma das melhores e intemporais peças da literatura mundial.
Afixado por Lorenzetti em maio 28, 2006 10:03 PM