A direita e o aborto

A estratégia da direita em geral e do CDS/PP em particular em relação ao aborto é adiar ao máximo o referendo. Esta posição não pode deixar de refleti um medo de ver derrotados os valores que defendem, ou seja, a direita admite à partida que a descriminalização do aborto vencerá, daí o seu "desespero" em relação ao adiamento ao máximo da consulta popular.

Ao admitir de antemão a derrota, não estarão a subestimar o poder de influência da Igreja, que não deixará de participar activamente na defesa dos valores em que acredita?

7 comentários a A direita e o aborto

  1. Jazzy
    quarta-feira, 02 de novembro de 2005 @ 10:01

    Annie e Francisco,

    não acho que o aborto seja matéria para um grupo de pseudo-iluminados poder decidir por todos nós. Nesse sentido, acho que a resolução da questão pelo parlamento é uma má solução.

    A propósito, não me sinto no direito de condicionar a escolha de qualquer mulher na questão do aborto. Nesse sentido, a minha posição em relação a este tema é a de aceitar a liberalização: quem quiser abortar aborta, quem não concorda, não deve impôr as suas ideias aos outros.

  2. Jazzy
    quarta-feira, 02 de novembro de 2005 @ 09:56

    Cris,

    claro que a Igreja interfere na questão do aborto e tem todo o direito de o fazer, quer cada um de nós concorde ou discorde do sentido dessa interferência. Tal como qualquer Movimento Cívico também pode interferir, quer a favor quer contra o aborto.

  3. Planície Heróica
    terça-feira, 01 de novembro de 2005 @ 23:53

    Nem toda a direita é contra a IVG,nem toda a esquerda lhe é favorável. (Recorda-te da posição do papa-hóstias Guterres...)

    De qualquer forma não estou a ver o que impede a Esquerda de resolver o problema, já!... Algum cinismozito politiqueiro? Han?

    Um abraço,
    Francisco Nunes

  4. Cris(nuvemLiLas)
    segunda-feira, 31 de outubro de 2005 @ 22:55

    Não entendi como uma crítica tua à Igreja, Jazzy. :) Mas normalmente as "correntes religiosas" - me sou religiosa - interferem e muito na questão do aborto, por isso eu não resisti a levar o comentário para esse lado. :)

    Mas concordo contigo, Annie: em primeiro lugar deveríamos ter uma campanha "séria" sobre planeamento familiar. Não disse que sou a favor do aborto como solução. Só não imagino uma mulher fazendo um aborto como se fosse uma consulta ao dentista. A decisão deve ser dificílima.

    E como mulher, também sei que não é por falta de metodos contraceptivos que uma mulher pode engravidar. E nesse caso, questiono tanta "luta" pelo direito do ser humano merecer "viver" - ainda um feto - e a total inércia desses mesmo grupos em relacção à crianças perambulando pelas ruas e sendo assassinadas - como no caso da Candelária - ou "mendingando" para os pais. Só isso!

  5. annie hall
    domingo, 30 de outubro de 2005 @ 20:38

    1º:- despenalizar , na assembleia,numa reunião simples ,sem politica ,sem palavras ocas , sem jornalistas.
    2º:- usar o dinheiro que se gasta em referendos em boas campanhas de prevenção da gravidez,em consultas de planeamento familiar.
    3º.-Nascer é direito, viver...nem tanto. ESTA FRASE NO FINAL DO COMENTARIO 1 É ABSURDA .Desculte mas teinha de dizer isto.VIVER É SEMPRE UM DIREITO.

  6. Jazzy
    domingo, 30 de outubro de 2005 @ 16:34

    Cris,

    neste post não tinha intenção de julgar a posição da igreja em relação ao aborto.

    Apesar de não concordar com as ideias da igreja em vários temas, incluindo o aborto, reconheço-lhe toda a legitimidade para exprimir e defender essas posições.

  7. Cris(nuvemLiLas)
    sábado, 29 de outubro de 2005 @ 23:43

    Sempre a Igreja. Aqui também, como não encontro a lógica, acredito que pensam ser melhor milhares de crianças nascerem e serem abandonadas. Ou crescerem apenas com a mãe, tão criança quanto o bebé, enfim...
    Nascer é direito, viver...nem tanto.

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