Comentários: IN MEMORIAM BERNARDO V. MOREIRA DE SÁ

Era então este um dos meninos Moreira de Sá que faziam digressões pelo estrangeiro onde, segundo o jornal "A Revolução de Setembro", de meados do séc. XIX, eram muito aplaudidos.
Que terá sido feito do outro menino? Terá morrido cedo? Terá deixado de ser prodígio?

Afixado por Ana Maria Costa em novembro 10, 2005 09:53 AM

Félix, irmão de Bernardo Valentim Moreira de Sá,o outro "menino prodígio" segundo informações que me foram transmitidas pela família, numa das várias deslocações que fez ao Brasil, terá ficado por lá, onde constituiu família. Não sei se seguiu a carreira de músico, mas aguardo novas notícias que aqui transmitirei, logo que seja possível.

Afixado por vm em novembro 10, 2005 09:59 PM

Bernardo Valentim Moreira de Sá, Vianna da Motta, Arthur e Alfredo Napoleão, Francisco Valle e Macedo já estivem em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, onde devem ter se apresentado. Estiveram hospedados na residência de Eugenio Fontainha. A informação consta de obra memorialística publicada em 1940.
Se desejar, posso enviar foto da página da obra onde encontra-se tal informação.

Busco rapidas informações biográficas sobre os nomes citados por conta de uma pesquisa que tenho em curso.
Se fizer contato seja explícito no título da mensagem para que eu possa recordar do tema e responde-lo.

Afixado por Rogério em junho 17, 2007 03:05 PM

Félix Augusto Moreira de Sá, de seu nome completo, nasceu a 23/02/1855 em Guimarães (Nª Sª da Oliveira), foi notável pianista, tendo efectuado com seu irmão Bernardo Valentim Moreira de Sá diversas digressões, nomeadamente no Brasil, Venezuela e México. Numa dessas digressões, já sem seu irmão, entretanto regressado a Portugal, desapareceu, tendo-se perdido totalmente o seu rasto. Crê-se que terá sido assassinado, embora se desconheçam as verdadeiras causas. Nas parcas referências constantes do arquivo da Família Moreira de Sá, admite-se a hipótese (ainda que sem qualquer consistência documental) de se ter tratado de homicídio com o fim de lhe extorquir dinheiro. Afirma-se mesmo que ele teria feito considerável fortuna nas suas actuações como solista, o que se nos afigura, para um músico, pouco consistente e razoável para época de que se trata.
Sabe-se que casou com D. Francisca Amália Nunes Monteiro, já viúva, que era distinta pianista e "espírito requintado". Desconhece-se se deixou geração desse casamento, nem mesmo quanto tempo durou o casamento, por se desconhecer a data do falecimento de Félix Augusto.
Sublinhe-se a estranheza de toda esta "tradição familiar", atenta a quase total ausência de referências ao pianista, sendo igualmente inexplicável que o irmão e seu acompanhante em várias dessas digressões (enquanto jovens) nunca se refira ao caso nas suas cartas e até nas suas obras sobre a Música em Portugal. Por outro lado, que tipo de averiguações foram solicitadas às autoridades (portuguesas e estrangeiras) com vista a tentar descobrir o paradeiro do desaparecido? Que foi feito da viúva e também pianista? Terá Bernardo Moreira de Sá tido contactos com a cunhada, depois do desaparecimento do irmão? São perguntas que se me afiguram razoáveis e pertinentes, para as quais gostaria de obter qualquer tipo de pistas.
Os dados que possuo constam do meu estudo sobre a Família, em preparação "Os Sás de Vizela - MOREIRAS DE SÁ - Memórias históricas, Genealógicas e Heráldicas".
Resta-me concluir com a informação de que sou bisneto de Bernardo Valentim Moreira de Sá.

Afixado por Fernando M. Moreira de Sá Monteiro em agosto 5, 2007 09:45 PM

Uma vez que se sabe o nome da senhora com quem Félix Moreira de Sá casou no Brasil, D. Francisca Amália Nunes Monteiro, não seria fácil através de familiares desta senhora saber mais dados? Alguém terá feito já a tentativa?

Afixado por vm em agosto 14, 2007 12:06 AM

Há dias, adquiri num alfarrabista do Porto, o livro "In Memoriam Bernardo V. Moreira de Sá", ainda não li, mas agora estou bem mais curioso com a leitura, na lista de espera é agora a prioridade.

Afixado por em novembro 11, 2007 08:10 AM

O Endereço IP do comentário anterior é 84.39.43.52.

O Livro de que fala tem depoimentos de muito interesse que mostram bem a grande importância que teve Bernardo Moreira de Sá no panorama musical, não só do Porto mas de Portugal.

Afixado por vm em novembro 11, 2007 08:29 AM

Num estudo intitulado "A Música no Maranhão Imperial: um estudo sobre o compositor Leocádio Rayol baseado em dois manuscritos do Inventário João Mohana" da autoria de João Berchmans de Carvalho Sobrinho, in "Em Pauta", v. 15, n. 25 (julho a dezembro, 2004), lê-se a dado passo que no desenvolvimento de diversas instituições promotoras de eventos da cultura artística, foi fundado em 1822 pelo violinista, compositor e regente Robert Kinsman Benjamin o "Club Beethoven", destinado a promover "os mais significantes eventos musicais dos anos de 1880", destacando-se pelo reportório camarístico e sinfónico de influência germânica.
Os executantes eram escolhidos entre os melhores profissionais do Rio de Janeiro, tais como Alfredo Bevilacqua, Arthur Napoleão, F. Moreira de Sá, Leopoldo Miguez, Vicenzo Cernicchiaro, J. Cerrone, Augusto Duque-Estrada, e muitos outros, sendo posteriormente convidados o violinista Leocácio Rayol, o violinista Paul Faullhaber, e o violoncelista Frederico Nascimento, que participaram dos eventos do Clube por toda a década.
Ora, não tenho dúvidas em identificar aquele F. Moreira de Sá ali citado com o Félix Moreira de Sá. O nome, a época, a companhia de nomes tão ligados igualmente a seu irmão Bernardo Moreira de Sá, como os de Arthur Napoleão e Leopoldo Miguez (entre outros), este último compositor brasileiro cujas obras foram tocadas em 1ª audição em Portugal nos concertos organizados pelo fundador do "Orpheon Portuense", são motivos para me garantir tratar-se do meu tio-bisavô Félix Augusto Moreira de Sá. E, assim sendo, temos mais uma notícia acerca da sua vida e carreira musical, no Rio de Janeiro, na década de 1880.
Por outro lado, a constatação da existência hoje no Brasil, nomeadamente na zona do Rio de Janeiro e S. Paulo, de nomes tão próximos ao do artista, fazem-me ter uma suspeita muito forte de se tratar de descendentes, o que tentarei por todos os meios confirmar, se Deus me der vida e sáude.

Afixado por Fernando Moreira de Sá Monteiro em dezembro 7, 2009 01:34 PM
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