Concordo que a nossa matriz cultural faz de nós um dos povos mais resignados da Europa, e que esta resignação está na directa raiz da actual situação do país. Mas existem sinais de mudança... Cada vez se protesta mais e melhor... Se os tribunais funcionassem (não funcionam e cairam em descrédito) assistiriamos a uma multiplicação de queixas. Penso que a geração que começa agora a entrar na vida activa está finalmente livre das prisões erguidas no salazarismo e nos turbulentos anos de Abril. Acredito muito nessa geração. Veremos se o tempo (quando esta chegar ao Poder) me dá razão...
Afixado por Rui Martins em janeiro 19, 2006 07:49 PMConcordo totalmente com a sua análise e penso que as conclusões do estudo apenas demonstram a capacidade portuguesa para a retórica sem consequências. O melhor exemplo disso é o próprio hino nacional. Seria impossível definir melhor a atitude portuguesa: fizemos e ficámo-nos com a portuguesa: às armas e outras tretas enquanto os inglesees nos impuseram e impuseram internacionalmente o mapa cor de rosa. Mas as lusas consciencias ficaram tranquilas na pequenina mediocridade da sua reacção.
Afixado por Fernando C Lopes em janeiro 19, 2006 09:12 PMComcordo inteiramente. O espírito acrítico, o discurso único, o vazio de ideias tornaram-se a regra, fruto de uma cada vez menor cultura política e de cidadania onde destoar ou protestar é visto como pecado quase mortal e abunda a iliteracia. Desenvolveu-se uma sociedade alienada, onde muitas vezes os cidadãos sabem mais da vida da família real britânica que dos seus próprios direitos, em que a indignação se manifesta mais relativamente a assuntos como esse que por motivos de solidariedade com alguém próximo ou até relativamente ao desrespeito dos seus próprios direitos de cidadão ou de consumidor. Veja-se quantos preenchem um livro de reclamações quando se sentem lesados ou veja-se o discurso que mais tem agradado aos portugueses nestas eleições: o de quem, por estratégia, se remete sucessiva e deliberadamente ao silêncio.
Afixado por Aissetie em janeiro 19, 2006 10:17 PMRui, gostaria que estivesse certo.
Fernando, a retórica sem consequências é, de facto, um dos nossos ex-libris.
Aissetie, o seu comentário poderia ser o meu "post".
Afixado por ACarvalho em janeiro 19, 2006 11:46 PM