Comentários: “Inventem-se novos pais XI – O direito de bater dos pais”

já viu este Sitio?
http://www.paisatentos.no.sapo.pt

Afixado por hencal em janeiro 28, 2006 10:59 PM

Não conhecia o sítio. Agradeço a recomendação, visto ter gostado bastante do que vi e do que li, pois é sempre reconfortante ver pais que se preocupam de uma forma activa com a educação das nossas crianças e jovens. Deste modo, adicionei este sítio aos links deste espaço.

Afixado por andrepacheco em janeiro 29, 2006 07:12 PM

bater nas crianças, aliás, bater em qualquer ser humano, é errado!!

Bater não tem nada a ver com educar.

Vários países da União Europeia têm legislação em que se proibe o acto de bater nas crianças, e uma palmada é bater!!A própria União Europeia prepara agora uma legislação sobre o assunto, para erradicar de vez esse hábito enraizado e erróneo que não educa, mas sim perpetua ad infinitum o ciclo da violência, que começa em casa.

O senhor está muito desactualizado nas suas opiniões.

Investigue os artigos da Psicóloga Alice Miller.

Afixado por maria em outubro 19, 2006 01:20 PM

Cara Maria, concordo com parte do seu comentário. Infelizmente, não com a sua totalidade. Também considero o acto de bater, por si só, como algo errado. Mas, para mim, mais errado é o não educar, substituído pelo conforto, egoísmo e preguiça da manutenção da máxima “não bater” a qualquer custo.

Relativamente a «esse hábito enraizado e erróneo que não educa, mas sim perpetua ad infinitum o ciclo da violência, que começa em casa», terei de lhe dar más notícias: tenho dois filhos, um casal, que apanharam as suas palmadas quer de mim, quer da mãe, quando assim se justificou, sempre de um modo controlado. Estão no jardim de infância e nunca tiveram qualquer atitude violenta para com os seus pares. Pelo contrário, foram já várias vezes vítimas de actos violentos por parte de alguns dos seus pares, pelos que cujos pais se recusam a dar-lhes uma palmada, ou pelos que que são violentamente espancados pelos pais. Estranho? Não. Ensinamos aos nossos filhos que a violência é algo errado e evitamos que assistam a violência, seja qual for a forma sob que estas se apresentam (por exemplo, desenhos animados). Eles vêm a palmada recebida como algo realizado por aqueles que detêm autoridade sobre eles e como consequência de uma falha deles. No entanto, quando a violência é efectuada por um dos seus pares, algo a que eu já assisti, eles ficam extremamente chocados porque não compreendem o porque daqueles actos violentos, sem qualquer tipo de lógica e desprovidos de qualquer sentido para eles. Isto porque, para eles, a violência arbitrária e acéfala não existe, ao contrário do que acontece com muitos filhos de pessoas com quem eu me dou, que partilham a sua visão sobre este assunto. Para reforçar esta ideia simples, aconselho-lhe a leitura de um comentário, presente no texto seguinte, de um exemplo, entre muitos, de comportamentos por parte de filhos de pais que se recusam bater. No entanto, tenho de afirmar que se for possível educar sem bater, esta será sempre a melhor forma de o fazer.

Para terminar, terei todo o prazer em ler os artigos da Psicóloga Alice Miller. No entanto, independentemente do conteúdo dos mesmos, devo dizer que para dar uma opinião sobre os mesmos terei de conhecer os filhos de tal psicóloga. Isto porque já conheci muitos estudiosos, entre os quais psicólogos, que têm teorias belíssimas sobre esta questão. No entanto, todas essas teorias caíram por terra a partir do momento em que conheci os seus filhos… Pelo contrário, tenho dois filhos maravilhosos a quem toda a gente gaba a boa educação e a alegria constante.

Afixado por andrepacheco em outubro 21, 2006 09:18 PM

caro senhor

também tenho um filho maravilhoso, tem três anos, educado e pacífico, aliás, por várias vezes elogiado pela sua natureza amável, ao qual NUNCA BATI!! NEM O MEU MARIDO. E RARAS VEZES GRITEI!(e se gritei, pedi desculpas, pois não se grita, como já disse várias vezes ao meu filho...

Image a cena: Uma criança de 2/3 anos, tem 1 m, o senhor, ou eu! (que sou bem pequenina) temos mais 50 ou 70, ou 80 cm. Pensa que a sua mão , quando bate, é como uma mão infantil ?! Imagine agora um gigante que lhe batesse, que lhe desse uma palmada... é assim que a criança o vê, o senhor aos olhos duma criança, é como um gigante aos seus olhos. Como é que ensinamos o controlo, como é que educamos ? Com educação... A criança faz algo de errado, e nós MANTEMOS O CONTROLO. FALAMOS! EXPRIMIMOS VERBALMENTE O NOSSO DESAPONTAMENTO! Assim é que se educa. Quando o senhor dá uma palmada, inconscientemente, mete medo, aleija, faz doer
(image o gigante com uma mão de gigante a bater-lhe, ou então , imagine uma pessoa da sua altura a bater-lhe, mas com um pau, pois a sua mão, no seu filho, é à escala de adulto para adulto, um pau), E AINDA POR CIMA, LEGITIMA O ACTO DE BATER ( se o meu pai bate SE DESCONTROLA, ME ALEIJA, BATER É POSSÍVEL, DE PREFERENCIA EM ALGUÉM BEM PEQUENINO, QUE NÃO SE POSSA DEFENDER). Resumindo, acredito que os seus filhos sejam bem educados, mas o meu também é, e confia em mim, sempre que faz uma asneira, ele sabe que eu não lhe faltarei ao respeito. Mas que o educarei.
De qualquer modo, pessoalizar não acrescenta nada á discussão.

Pode encontrar os artigos (em ingles, frances e alemão) de Alice Miller, disponíveis na Internet.

Os meus melhores cumprimentos

Afixado por maria em outubro 23, 2006 11:54 AM

Cara Maria, mais uma vez concordo com muito do que escreveu, mas terei que fazer alguns reparos.

Concordo plenamente em não gritar com as crianças. Sou professor e não preciso de o fazer para impor a minha autoridade sobre os meus alunos. Tanto eu como a mãe dos meus filhos sempre evitamos fazê-lo. Quando o fizemos foi uma falha, o que acontece, pois somos humanos. Relativamente ao pedir desculpa é discutível. Primeiro porque só a partir de uma certa idade uma criança compreende a noção de pedir desculpa. Até lá poderá confundir o acto de pedir desculpa com a desculpabilização da sua falha. No entanto, é um acto nobre.

Relativamente à metáfora do gigante considero-a muito pobre porque parte de um pressuposto errado. Isto porque no nosso subconsciente a imagem de um gigante violento é de alguém monstruoso que usa a violência com o único propósito de nos fazer sofrer, e não de alguém que nos ama. A partir daqui toda a metáfora se demonstra uma falácia. Para reforçar a ideia, os meus pais deram-me uma palmada ou outra quando assim acharam necessário e nunca eu os vi como gigantes ou algo similar e nunca deixei de os amar ou sentir o seu amor por mim devido a tais correctivos.

Relativamente ao falar com a criança sobre a sua falha, mais uma vez é algo muito discutível. Primeiro porque já Freinet (que tinha uma opinião similar à sua nesta questão, mas viveu noutros tempos, onde a violência era algo corriqueiro), há muitos anos, demonstrava claramente que os “sermões” de pouco ou nada servem. Nem nos adultos eles demonstram qualquer tipo de efeito, quanto mais em crianças que não compreendem metade dos conceitos que nós utilizamos para explicar onde falharam. E aqui surge outra questão: se uma criança de 1 ano volta a mexer num objecto sobre o qual já lhe tínhamos dito para não o fazer, o que fazer? Falar com ela sobre o assunto? Podemos sempre retirar o objecto ou permitir que ela mexa em tudo livremente (quem nunca ouviu falar nos célebres destruidores de telemóveis e comandos de televisão?). Mas aqui não estaremos a educar. Estaremos a retardar um problema. Por um lado estaremos a privar a criança de efectuar aprendizagens essenciais como o respeito pela autoridade de um adulto, ou o respeito pela propriedade de outrem. Por outro, tendo em conta que são nos primeiros 4/5 anos de vida que a personalidade da pessoa é praticamente formada, a longo prazo a falta de tais aprendizagens demonstrar-se-á grave. Para além disso, existe situações em que falar sobre o assunto se demonstra totalmente ridículo, sobretudo naquelas situações em que se demonstra necessária uma intervenção célere. Poderia dar dezenas de exemplos de situações destas.

No entanto, concordo quando refere a manutenção do controlo. Este é essencial e dou-lhe os parabéns por o referir. Mais uma vez, tanto eu como a mãe dos meus pequenos sempre tentamos manter o controlo em situações problemáticas, e mesmo quando aplicamos uma palmada pedagógica, é sempre de um modo controlado e não como uma explosão de violência totalmente irracional.

Em relação ao acto de legitimar o acto de bater penso ter sido bastante explícito no meu anterior comentário.

No que concerne ao pessoalizar a questão acredito ser importante fazê-lo. Isto porque já conheci muitos casos de pessoas bem intencionadas, com ideias sobre esta questão muito belas e politicamente correctas mas, quando aplicaram tais ideias foi um verdadeiro desastre, com evidentes vítimas: as crianças. Como tal, só depois de ter vivido a experiência única de educar duas crianças (acto sempre inacabado), comecei por dar a minha opinião sobre o assunto. Para além disso, tendo o privilégio de ser professor, pode imaginar quantas situações já vivi relacionadas com este tema.

Quero ainda dar os parabéns a si e ao seu marido por terem educado bem o vosso filho sem ter sido necessário dar-lhe qualquer palmada. Devo dizer que, se assim for, será o primeiro caso que conheço, a não ser que haja aqui uma divergência sobre o conceito de boa educação. Acreditando que não, teria muito gosto em conhecer a criança, bem como os responsáveis por tal feito. Mas o facto de o terem conseguido não invalida que outras pessoas optem por um caminho diferente caso tal se demonstre indispensável.

Por fim, quero dar-lhe os parabéns por ser alguém de convicções. Apesar de termos opiniões divergentes e, provavelmente, assim continuarmos, ficaremos mais ricos ao conhecer a forma de pensar de alguém que tem um modo diferente de ver esta questão e de o defender de um modo civilizado e credível.

Afixado por andrepacheco em outubro 23, 2006 09:57 PM

Está-se mesmo a ver que uma criança de um ano tem esse poder de abstração e capacidades cognitivas para saber que o senhor (com quase o dobro do tamanho do seu pequeno)ao lhe dar a palmada, o está a fazer para o educar! Ele até sabe o que quer dizer educar! Sabe porque é que ele não volta a mexer naquele sítio ? Porque tem medo da dor! Foi isso que o senhor lhe ensinou! E claro que um bébé de um ano ao olhar para si vê um gigante!!! é claro que o senhor é gigante aos olhos dele! Não a nível de subconsciente, a nível de facto objectivo ! Nunca foi visitar a sua escola primária já adulto, e sorriu ao reparar que esta lhe parecia tão pequena? E pode ter a certeza de uma coisa, os seus pequenos filhos, quando o senhor "dá a palmada pedagógica", nesse momento, como qualquer outro mamífero agredido, o que lhes apetece é fazer-lhe a si o mesmo, defender-se da agressão. E é claro que a sua mão é como se fosse um pau dum gigante em si! Isto é um facto : tem a ver com dimensões, o senhor é de facto muito maior e a sua mão muito mais pesada! Mas deixe estar que depressa lhe vão perdoar. Nós estamos programados para amar desmesuradamente os pais.Porque não usa antes essa fonte inesgotável que é o amor dos filhos pelos pais para educar SEM VIOLÊNCIA?
As aquisições fazem-se consoante a idade e por meta a meta. Para quê dar palmada num bébé minúsculo de um ano, para ele não mexer ali, quando seria mais fácil tirar esses objectos valiosos, e deixá-lo explorar o mundo ( como está programado para fazer) ou pôr tampinhas nas fichas de electricidade como dizia o outro
comentário? E ir explicando? Sabe, não tem nada a ver com sermões, tem a ver com ir dizendo as coisas de forma clara e passo a passo. Nós temos memória retrospectiva. Há coisas que não percebemos na altura, mas percebemos retrospectivamente. Educar é amar, é ter tempo (muito tempo) é ser mestre.. A verdadeira autoridade nasce com o respeito pelo outro, ou seja com o respeito mútuo, do mais velho para com o mais jovem. O mais jovem tem também tantas coisas a ensinar-me!Olhe, por exemplo, a tolerância! Já reparou como o mais jovem é tão mais tolerante para com os seus erros ? com a sua falta de tempo ? com os seus gritos ? (não falo do senhor directamente falo de alguém em abstracto). Tem um olhar pelos objectos tão novo! E eu tenho também montanhas de coisas a ensinar-lhe, por sua vez. Vou estragar tudo pela violência duma "palmada pedagógica" porquê ? Isso não é respeitar o ser que eu amo mais no mundo e que é meu filho. Bater num filho é o mesmo que bater em si próprio senhor!

Afixado por maria em outubro 24, 2006 11:24 AM

Cara Maria, mais uma vez terei de realizar alguns reparos, um deles um pouco desagradável.

Começarei pelo desagradável: admito que tenha uma opinião divergente da minha e que actue em conformidade. Só não posso admitir é a arrogância de uma suposta superioridade moral ao colocar em causa o amar e respeitar os filhos de quem conscientemente age de modo diferente. Assim, simplesmente ignorarei tudo o que no seu comentário evocar esse amor e respeito conotado à sua forma de agir, pois comentar seria colocar a hipótese de eu não o fazer.

Em relação ao início do seu comentário, só veio reforçar a ideia por mim avançada no meu anterior comentário. Devido ao facto da criança não compreender é óbvio que não se pode explicar. No entanto, ela pode aprender que aquilo que os pais dizem é para ela cumprir. A isto chama-se obediência, algo que não é importante só nos cães como algumas pessoas dizem. Um dos problemas hoje em dia é o facto de muitas das crianças não obedecerem aos pais, o que faz com que estes, por exemplo, se humilhem perante os professores pedindo-lhes para dizerem aos seus filhos para fazer algo, já que a eles os filhos simplesmente desprezam as ordens. Deste modo, se um pai ou uma mãe diz a uma criança de um ano para não voltar a mexer em tal objecto e a criança volta a fazê-lo, quando apanha uma palmada ela compreende que o ter desobedecido à ordem dada de forma clara e calma resultou naquele efeito que, obviamente, lhe é desagradável. Deste modo, ela compreende perfeitamente que não poderá mexer em tal objecto nem desobedecer a uma ordem dada pelos seus pais. Também é óbvio que a palmada deve ser dada com uma força que surta efeito mas que seja proporcional ao seu tamanho (esqueça o gigante de uma vez por todas, pode ser retórica muito bem construída mas pobre no conteúdo). Relativamente ao medo é óbvio que ela o sente. Aliás, se pensar um pouco sobre o assunto descobre muitas coisas que nós adultos não fazemos com medo das consequências. É algo que faz parte do nosso quotidiano, não compreendo o drama. Relativamente às tomadas, as mesmas não se podem comparar a outro objectos, visto que neste caso estamos a falar de segurança. Não confundamos as situações. Nunca me viu ou verá a dizer para não se proteger as tomadas.

Relativamente à vontade de ripostar a palmada, deveria repensar a sua forma de ver esse facto. Só no caso de violência, onde aí sim existe falta de respeito, é que uma criança poderá sentir vontade de ripostar, visto haver na violência um descontrole que retira o discernimento a todos os intervenientes. Se perguntasse a qualquer criança na primeira infância, que apanha uma palmada, se lhe apetece ripostar, ela não saberia o que responder pois a noção de ripostar lhe seria incompreensível. Ainda em relação a este facto, já vi uma criança, que tinha todo o ar de nunca ter apanhado uma palmada, a encher de bofetadas o pai, sem que este tivesse qualquer tipo de reacção. Ela não era um gigante, mas acredite que devia doer. Com quem teria ela aprendido tal comportamento?

Afixado por andrepacheco em outubro 24, 2006 09:20 PM

http://www.naturalchild.org/alice miller/manifesto.html

Afixado por maria em outubro 25, 2006 11:23 AM

Caro André Pacheco,

Pela agressividade e deselegância das palavras enviadas pela Senhora Maria, sugiro que ignore as mesmas e siga em frente com as suas convicções.

Na verdade, se reparar, as palavras deselegantes e agressivas da Senhora Maria contradizem a sua alegada postura de não violência. Parecem-me altamente incoerentes.

Miguel

Afixado por Miguel em fevereiro 26, 2007 06:13 PM

Sr.André Pacheco:
estou de total acordo consigo sobre o assunto de como educar um filho.Felismente vou ser pai de uma menina mas porque o destino assim o quiz,juntei-me com uma rapariga á 3 anos em que ja tinha uma filha que naquela altura tinha 2 anos.Digo o destino porque os meus pais separaram se quando eu ainda era uma criança e sofri com o acontecimento.Felismente o meu pai com quem fiquei a viver conheceu uma pessoa em que hoje a chamo de mãe pois foi ela que me educou e se hoje sou o que sou devo tudo a ela.Ralhou muito comigo,bateu-me quando era preciso e nunca a deixei de a amar e nunca a deixarei.Aprendi muito com ela e dou graças por ela ter perdido muito tempo comigo pois se fosse como muitas mulheres nem me aturava pois eu nem sequer era o filho dela.Mas voltando a conversa,dizia,ao conhecer essa linda menina,ofereci-me a educa-la como eu fui, e hoje,ela tem 4 anos e somos inseparraveis.Ralho quando ela comete uma asneira e se eu vir que é preciso de lhe dar uma palmada eu proprio trato do assunto mas nunca,nunca lhe dei na cara e não sou apólogista de fazer pois a muitas partes do corpo em que se pode dar,atenção,controlo com a força ao dar lhe a palmada e se hoje ela e uma menina educada e nos adoramos,foi tudo pela simples educação que eu tive na minha infançia.Acho que muitas pessoas fazem desta conversa um bicho de 7 cabeças.Hoje vejo a juventude que temos e envergonho-me.São rebeldes,mal educados,etc...Claro que não são todos mas infelizmente os pais de hoje não dão a devida educação aos filhos mas isso ja não é comigo.cada um dá da maneira que entenda ou até que possa.Eu sempre continuarei a educar as minhas meninas da maneira que fui educado e por favor não me venham com essa da lei em que não se pode bater(atenção que eu não falo em espancar ou dar um exerto de porrada mas sim uma palmada na hora certa,no sitío certo e se for mesmo necessário) num filho ou até gritar pois se acontecer aconselharei a todas as pessoas a nem pensar a terem filhos.Os meus cumprrimentos:
Nicolas Duarte

Afixado por Nivcolas Duarte em novembro 30, 2007 08:01 PM

Sr. André pacheco

Não concordo com a sua visão. Não me parece que as observações realizadas pela sr.ª Maria sejam desajustadas.
Por outro lado, parece-me que abolir a palmada não é sinónimo de demissão de educação ou preguiça. A minha experiência mostrou-me que até dá muito mais trabalho. Acredito que seria muito mais fácil dar uma palmada do que dar exemplo e zelar pela segurança e protecção da criança.

Acho que não está em causa o facto de os filhos acabarem por ser mais ou menos educados por uma ou outra via. Eu acredito na capacidade extraordinária que as crianças têm de apreender o mundo e de se transcenderem constantemente. Vemos crianças que foram vitimas de abusos e que acabaram por se transformar em seres capazes de transcender ao seu passado.

Penso que o que está aqui em causa é o sentido para onde queremos evoluir como seres humanos no futuro e as tentativas que fazemos para nos melhorarmos permanentemente.

Assumir a palmada como uma via de educação é, a meu ver, um mau principio. Ainda que ela venha a acontecer, a falha não me parece ser da criança mas nossa...porque ainda não sabemos fazer de outro modo.

Tenho um filho de 3 anos. Nunca lhe bati. Se vai ser bem educado? não sei. O futuro o dirá. Agora,no presente, só tento fazer de acordo com o que acho a acredito que deveria ser melhor para todos.

Obrigada pela vosso diálogo e argumentos expostos.

Bem hajam!

Susana

Afixado por Susana em junho 29, 2008 07:16 PM

Cara Susana, é com alegria que leio o seu comentário, tanto pelo modo (ponderado, claro e respeitoso), como pelo conteúdo. Não coloco em causa nenhum argumento que refere, concordando em parte.

Só questiono o final: o seu filho ir ser ou não educado não depende só do futuro, mas sobretudo da acção dos adultos dos quais ele depende. Quanto ao resto, provavelmente não partilho na totalidade da sua visão devido ao facto de trabalhar com crianças durante todo o dia e, deste modo, de observar diariamente quão nefasta é para essas crianças uma educação permissiva.

No entanto, volto a afirmar que a sua visão tem toda a pertinência.

André Pacheco

Afixado por andrepacheco em julho 2, 2008 06:13 PM

Oi Maria Parabéns pela sua visao futurista de eduacar xom amor, com dialogo, com paciencia.
Eu também sou contra qualquer tipo de agressao, ou violencia, tapas, chineladas, gritos nao tem nada a hever com educacao.
Se o ser humano é capaz de evuluir, de aprender, de se educar, de mudar seus habitos, se se corregir, entao ele é capaz de educar.
A falta de informacao,tornam as pessoas segas, elas seguem os caminhos mais faceis,porque nao é preciso fazer muito, assim ocorre com aqueles que acreditam que uns tapinhas de vez enquando corrige, nao nao corrige, nem nunca corrigiu ninguém,só criou adultos inseguros,timos, agressivos,egoistas, exibicionistas, imaturos,medrodos e muitos tem algum tipo de desturbio, vivem com dores aqui ou ali, e nem imaginam de onde elas veem.
educar significa amar o proximo querer ensina-lo a fazer as coisas bem feitas,mais como fazer algo bem feito ou corrigir de maneira eficaz se fomos corrigidos de maneira errada.
aquele que usa dos tapas nao tem compeesao se tivessem usaria!
Mais como nunca é tarde,é sempre possivel mudar. mudar nossas atitudes, nossos habitos, nossas crencas, nossas opinioes, se o bem sempre vence é preciso ter coragem pra lutar comtra o mau e a agressao a uma crianca é um dos maiores males da natureza humana

Afixado por Meire em setembro 1, 2008 03:36 PM

Oi Maria Parabéns pela sua visao futurista de eduacar com amor, com dialogo, com paciencia.
Eu também sou contra qualquer tipo de agressao, ou violencia, tapas, chineladas, gritos nao tem nada a hever com educacao.Tem dois filhos amaveis um de 4 outro 6, que nao sabem se quer o que significa um tapa nas maos, nunca em nehnum momento usaria minhas maos que podem até curar para agredir um ser humano, ou ser da natureza
Se o ser humano é capaz de evuluir, de aprender, de se educar, de mudar seus habitos, de se corregir, entao ele é capaz de educar outro ser humano
A falta de informacao,tornam as pessoas cegas, muitas seguem os caminhos mais faceis,porque nao é preciso fazer muito, assim ocorre com aqueles que acreditam que uns tapinhas de vez enquando corrige! Nao,nao corrige, nem nunca corrigiu ninguém só criou adultos inseguros,timidos, agressivos,egoistas, exibicionistas, confusos,imaturos,medrosos e muitos tem algum tipo de desturbio, vivem com dores aqui ou ali, e nem imaginam de onde elas veem.
As vezes da a impressao de que tudo se evolui só o ser humano se recusa a se evoluir
Os pais que usam da violencia para educar ensinam aos filhos que violencia é algo bom, nao podem reclamar mais tarde se o filho sair por ai dando porrada em todo mundo, e claro levando também!
Aquele que usa dos tapas para educar nao tem compeesao se tivessem usaria-a!
Mais como nunca é tarde,é sempre possivel mudar. Mudar nossas atitudes, nossos habitos, nossas crencas, nossas opinioes, se o bem sempre vence é preciso ter coragem pra lutar comtra o mau e a agressao a uma crianca é um dos maiores males da natureza humana

Afixado por Meire em setembro 1, 2008 03:50 PM

Caro Meire
Lendo com atenção as suas palavras só gostaria de colocar duas questões:
1) Porque é que a minha filha já foi agredida pelo menos duas vezes por crianças da sua idade educadas sem qualquer palmada (nem imagina o choque dela quando tal sucedeu e, já agora, nunca ela teve uma atitude similar);
2) Vi há pouco tempo uma criança educada desse mesmo jeito que, numa piscina pública, gritava com a mãe, dizendo "Tu não me toques!" e "Tu irritas-me!". Vai ser um adulto equilibrado quando lhe permitem tal comportamento? Duvido...

Afixado por andrepacheco em setembro 2, 2008 11:09 PM

Sr. André Pacheco,

Obrigada pela sua resposta, pelo acto e pela forma.
Concordo totalmente quando diz que: "o seu filho ir ser ou não educado não depende só do futuro, mas sobretudo da acção dos adultos dos quais ele depende"...é essa a razão pela qual não lhe bato. Porque, de outra forma, qual seria o exemplo da minha acção? A minha forma de lhe ensinar autocontrolo é precisamente... mostrar, dar o exemplo, ser controlada nas minhas acções. Como é que ele aprende, se a própria mãe não o consegue fazer? O facto de defender uma abordagem que não passa pelo bater não significa que seja apologista da permissividade, de modo nenhum! Poderia discutir consigo,por exemplo, o conceito de "tempo de qualidade". Quando penso em tempo de qualidade, não penso só em momentos felizes e de brincadeira (sem dúvida importantes) mas também de tempo para, com grande paciência, aguentar um enorme birra, sem ceder ao principio que está a ser regulado, após um dia de trabalho, sem me passar... mantendo a calma e serenidade, e isso é dificil. Porém, confesso-lhe que isso se transformou até numa capacidade importante para a minha vida profissional. Agradeço muito ao meu filho por me ter ajudado a perceber melhor o delicado equilibrio entre o nosso autocontrolo e a necessidade de por vezes sabermos marcar a nossa posição. Um equilibrio entre a nossa individualidade e a nossa necessidade de estar numa relação de respeito para com os outros. Principalmente os mais vulneráveis.

Agradeço a discussão mais uma vez,
Susana

Afixado por Susana em março 27, 2009 04:50 PM

Sabe que tenho olhado para os vários comentários e começo a pensar que talvez não possamos ver a questão da palmada de forma isolada. Confesso que eu própria me introduzo neste tema de conversa com facilidade (por alguma razão vim aqui parar...não é?).Mas sabe uma coisa? Acho que o problema talvez não seja a questão da palmada em si...mas o que ela significa para cada um de nós como pais e o que significou enquanto filhos. E essa questão pode ser muito variada de pessoa para pessoa. Foi por essa razão que anteriormente referi que até considero não ser o facto de dar ou não dar palmadas "pedagógicas" que vai determinar a boa ou a má educação, mas o sentido que lhe está subjacente. Para mim (e isto é uma partilha que faço) dar uma palmada significa que não fui capaz de resolver a situação de outra forma, e eu acredito e quero um mundo de pessoas que tentem resolver as coisas sem violência. Este é o meu humilde contributo. Tentar isso com o meu filho. Fazer a minha parte. Não sinto um "sentido de perfeição" (do género: "que bondade!" ou "superioridade")...sinto que tenho a responsabilidade de ir tentando. Como hei-de explicar? Por outras palavras, acredito que todos os seres humanos estão ligados de alguma forma e que as nossas acções Têm efeito multiplicador. Por isso, esforço-me por fazer a minha parte no sentido de que comportamentos violentos não partam de mim. Por isso começo por não assumir a palmada como um principio educativo...e vou tentando outras formas. Uma coisa que decorreu daqui foi...tive que dedicar tempo à criatividade e a descobri o que era importante para mim, de certa forma, descobrir mais acerca de mim própria. Também agradeço ao meu filho por isso.

Mas que grande lenga-lenga:-)
Acho que não volto a falar disto durante o próximo milénio!

Susana

Afixado por Susana em março 27, 2009 05:21 PM

Cara Susana

Devo começar por dizer que continuo a concordar com praticamente tudo o que afirma.
Tal como você, dou uma extrema importância ao auto-controlo, independentemente da forma de acção, com ou sem palmada.
E, como professor, vivo diariamente a importância do exemplo da minha acção.
E, sempre que os meus filhos fizeram birras optei pela técnica de os vencer pelo cansaço, mantendo a serenidade, mas sem nunca ceder a tais caprichos.
No entanto, há uma fronteira. Há uma fronteira relacionada com a questão da autoridade. Autoridade que hoje está tão mal tratada. Vivo diariamente com relatos, directos e indirectos, de situações de profundo desrespeito pela autoridade dos adultos. Tenho a autoridade como um princípio basilar de uma educação equilibrada. Deste modo, não poço conceber faltas de respeito de uma criança por um dos pais, ou o desrespeito de uma ordem directa dos mesmos. E, na maior parte destas situações, infelizmente, por vezes uma palmada é a única forma de cimentar essa mesma autoridade. É uma realidade politicamente incorrecta, mas real. Uma criança não é um adulto.
No entanto, concordo que, num mundo perfeito, de crianças que nascem perfeitas, num mundo politicamente correcto, a palmada não deveria ser tolerada. Mas o mundo não é assim, as crianças não são perfeitas, são humanas. Têm atitudes desrespeitosas e não podemos esperar que aprendam sozinhas que tal é errado e inadmissível. E também não podemos esperar que ela compreenda esse princípio conversando com ela, pois não tem maturidade suficiente para tal. Por este facto, é que não posso concordar com fundamentalistas anti-palmada que permitem que os seus filhos não respeitem qualquer tipo de autoridade, transformando-as em jovens com problemas sociais.

Mas, tal não faz com que não concorde consigo, e que não tenha um profundo respeito pela sua opinião, porque a mesma é equilibrada e tolerante.

Afixado por andrepacheco em março 27, 2009 10:38 PM

Sr.André Pacheco,

A questão que coloca da autoridade é uma questão muito pertinente. E concordo com o facto de que a autoridade está muito maltratada. Não sei bem ainda porque é que acontece. Não sinto que isso seja um problema entre mim e o meu filho. Mas se calhar tive sorte! Porém há algumas coisas que me parecem estar relacionadas com esse problema. O que me parece ser mais relevante é o tipo de relação com os pais. Muitos pais lidam com os filhos de igual para igual numa relação semelhante à que existe entre dois amigos. Eu até compreendo a ideia, mas não concordo. A relação doS pai com os filhos deve, na minha perspectiva, ser uma relação de autoridade até certa idade. Mas uma autoridade fundamentada no respeito, não no medo. A construção do respeito é mais complicada do que o medo, mas parece-me um melhor investimento a longo prazo. É verdade que as crianças são imaturas mas, também me parece importante que seja importante sermos vigilantes relativamente à observação real das capacidades de cada uma, ou seja, não pressupor que não são capazes disto e daquilo a priori. Há um outro aspecto que considero muito, mas mesmo muito importante. Antigamente, não se falava de sexo às crianças. Hoje não se fala de morte. Esconde-se a morte. Como explica o facto de o meu filho ser a unica criança presente no último funeral a que fui? Como queremos nós que eles compreendam que, nós humanos, temos limites? Crescem pensando que são imortais e donos do mundo. Antigamente as pessoas morriam em casa, na familia, e o ciclo de vida era interiorizado. Hoje morrem no hospital, não se aceita e esconde-se a morte. vive-se uma mentira. Uma grande mentira e ilusão que não ajudamos os nossos filhos a integrar de forma verdadeira.

Afixado por Susana em março 28, 2009 07:33 PM

Olá outra vez Susana :)

Cada vez gosto mais de a ler e de trocar argumentos consigo.
Mais uma vez concordo com tudo o que li e gostei do que li.
A única questão que ainda coloco prende-se com o medo. Independentemente da questão da palmada, o medo é algo que faz parte de qualquer ser, estando sempre ligado aos actos incorrectos que praticamos e respectivos efeitos sobre nós. Penso que não se poderá ter uma visão a preto e branco neste ponto, não confundindo, em simultâneo, medo com respeito.
Por fim, devo fazer mais um elogio por dois pontos muito bem focados. O primeiro um lugar comum que muitos pais infelizmente esquecem: a relação entre pais e filhos não pode ser uma relação de igual para igual, até que o último tenha maturidade para tal.
Inesperadamente, o outro ponto focado foi o da morte. Ora aí está uma questão muito pouco citada por um ocidental, que sempre vive como se a mesma não existisse. Apesar de, pessoalmente, ser uma questão muito importante, diria mesmo central, admito nunca ter pensado muito na sua relação com a educação das crianças. Pessoalmente não escondo a morte dos meus filhos, falando nela, de acordo com a naturalidade da mesma, sempre que o tema surge. Com isso procuro simplesmente que os meus filhos saibam que a morte existe e que vivam essa realidade sem amarguras. Mas essa ligação do reconhecimento da morte com a educação abre-me toda uma nova fonte de reflexão. Obrigado.

Afixado por andrepacheco em março 30, 2009 12:55 PM

Olá Sr. André Pacheco,

Acho que a nossa discussão tem sido rica e também eu a estou a apreciar.
Relativamente à questão do medo também não discordo do que disse. Nem eu a vejo a preto e branco. Aliás, vejo-a com muitas áreas cinzentas. Até para mim mesma, descobrir o medo que está na origem de algumas das minhas acções e decisões não é fácil. Falei-lhe da questão da morte porque tenho desenvolvido estudos nessa área (apoio a doentes terminais) e, durante os mesmos, estudei que medos estão na origem de algumas transições ao longo do ciclo de vida humano e de que forma tudo isso se relaciona com a satisfação das necessidades das pessoas(sou enfermeira). Abordei a questão da morte por ter plena consciência de como essa experiência profissional mudou radicalmente a minha forma de experimentar o mundo. O medo é uma arma poderosa de protecção mas também de ataque (basta alharmos para a disseminação do terrorismo). Existem aspectos para aos quais eu ainda procuro respostas. Tento estAR atenta e questionar. O medo faz parte de nós, é verdade. O que penso? Por enquanto (porque há aspectos que para mim ainda não estão claros), penso que não deve ser evitado ( ou fazer de conta que não existe) mas, que também não deve ser induzido. O ideal é que seja compreendido e transcendido. Aqui se situa a coragem e a esperança (pelo menos entendo as coisas assim) e a capacidade de construirmos sentido para a vida (cuja tarefa fica dificil se nos regemos pelo medo e não pelo principio). Penso que, à medida que as capacidades cognitivas se vão desenvolvendo podemos estimular nas crianças a sua capacidade de memória autobigráfica. Obviamente, que isso é dificil numa criança pequenina que está a começar a viver. Ora, quando começamos a aprender qualquer coisa, as regras são muito importantes (acho que todos já tivemos essa experiência) porque são securizantes para alguém que ainda não é capaz de garantir a própria segurança. As regras exigem coerência de ambos os pais na explicação e aplicação...e talvez isso seja o mais complicado. Porque talvez a coisa mais exigente para um adulto é encontrar uma via de coerência para a própria vida (pelo menos para mim é). Já é dificil mantermos a nossa coerência...quanto mais transmitir uma coerência a outro! A palmada não deve ser, a meu ver, vista de forma isolada e, defender a sua essencialidade na educação pode ser tão fundamentalista como defender a sua ausência. Por isso, abordo a "aboliçaõ da palmada" como um principio para o qual devemos tentar caminhar. Não nego que ela possa ocorrer, porque não somos perfeitos e o ser humano está em permanente evolução mas, para mim, deve ser senpre encarada como algo que deve ser melhorado e não como um dado adquirido de pincipio educativo.

Devo dizer-lhe que este post já me ajudou a organizar algumas ideias.

Obrigado pelo estimulo

Susana

Afixado por susana em abril 1, 2009 04:22 PM

Olá Susana

Relativamente ao último post vou somente tocar três pontos.
Primeiro ainda a questão do medo. Tendo em que conta o que escreveu tento igualmente organizar algumas ideias. Vejo também dois tipos de medo: o primitivo e o consciente. No primeiro há o medo da repercussão da nossa acção, sem que acto seja visto conscientemente como algo nefasto. É o medo que uma criança sente quando um educador lhe diz para não mexer, por exemplo, no comando da televisão, sabendo que caso o faça levará uma palmada na mão. A criança não vê o que está errado em mexer em tal objecto (o que é natural), mas quando recebe uma mensagem do educador que não deve mexer em tal objecto, sabe que não o poderá fazer. A apreensão desta aprendizagem levará a que, mais tarde, a criança saiba que não pode mexer em objectos que não lhe dizem respeito, respeitando a propriedade alheia. Aqui já existe um medo consciente: sabe que aqueles objectos não são dele e conhece e acredita em regras sociais que o levam a respeitar a propriedade do outro e o espaço do outro. Sei que não vemos este facto como medo, talvez porque à palavra seja dado uma significativa carga negativa. Mas se observarmos em profundidade os sentimentos que nos levaram a apreender esta regra social, vemos que há alguns medos envolvidos: medo da repreensão, da exclusão social, da incompreensão, do desrespeito pelo nosso espaço, etc., tudo repercussões possíveis do nosso acto de desrespeitar a propriedade e espaço do outro.
O segundo ponto que pretendo focar é o da morte, relacionando-a com o medo. Também aqui sinto haver os dois medos atrás descritos. Vi o medo primitivo quando o meu avô paterno (não-religioso ao ponto de colocar tinta nas pias da água benta das igrejas), estando em risco de morrer com cancro no intestino, se pôs a ler livros sobre Nossa Senhora de Fátima e outros correlacionados. Não acredito que ele se tenha convertido naquele momento, ou que tenha passado a perceber a mensagem que o catolicismo pretende divulgar, pois é algo que não se poderá apreender de um momento para o outro com meia dúzia de leituras dissociadas de uma prática diária. Era o simples medo do desconhecido que o impelia a acreditar em algo que controlasse o medo que sentia. Por outro lado, sinto haver um medo consciente da morte quando um indivíduo com um conjunto de crenças sobre a morte, crenças que podem estar dissociadas de uma religião, vive a sua vida com a morte sempre no horizonte, tentando fazer com que a sua vida seja utilizada da melhor forma no sentido de ser feliz e de ajudar os outros a também o serem, de modo a que a morte seja um fim perfeitamente natural e aceite.
Por fim, o último ponto, é só mais um merecido elogio: a chamada de atenção para a primordial importância da coerência na aplicação das regras pelos pais. Independentemente dos princípios que colocámos na educação a dar aos nossos filhos, o mais importante é que por parte dos pais eles sejam comuns, caso contrário irá confundir totalmente a criança, tornando-a naturalmente insegura. Essa coerência obriga a muita discussão e reflexão conjunta, e muito apoio ao outro, pelo bem da criança.

Afixado por andrepacheco em abril 6, 2009 01:19 PM
Afixe um comentário









Lembrar-me da sua informação pessoal?