Fantástico… Fez-me lembrar de imediato a “Aparição” de Virgílio Ferreira, … a experiência do espelho. Quando li esta obra pela primeira vez descobri uma descrição perfeita daquilo que sentia quando me observava ao espelho, quando me olhava nos olhos por uns momentos… O atordoamento, a náusea, a separação do eu e da imagem que o espelho me mostrava, o esvaziamento do meu ser como se de repente algo retirasse o tampo do ralo da enorme piscina que ele é (que imagem estranha esta…), como uma queda repentina dum precipício, um susto que nos faz acordar da realidade atrofiante do dia-a-dia (e não para ela) e ver mais além, como que imersos no estado último de consciência… As questões “o que é isto?” e “quem e o que sou eu?” A sensação do nada que somos seguida da certeza de sermos algo, de estarmos vivos, a consciência de que um dia deixaremos de o estar e do absurdo de tudo isto. A procura de uma unidade no meu ser, procura ciente da multiplicidade do mesmo. A certeza de que sou o que faço, o que vivo e ainda muito mais, da existência dos meus eus … A estranheza de que isto que me fala naquele momento, a minha consciência, que vive na imagem que vejo ao espelho, se apagará um dia.
Afixado por Fallen Angel em março 17, 2006 04:03 PMuau imagem exelente! texto não fica atrás!
afinal quem somos nós??