Vê se descansas, rapariga! Estás em interrupção lectiva. Mete férias!
Bj
Já não bastam os programas de ensino, agora assegura-se os seus desideratos directamente pelos "governos-sombra" que na sombra governam os governos. É a preversão do humano levada a limites de desumanização globalmente nunca alcançados. E o pior é que só nos resta a revolta individual e a visão histórica antecipada de um longo período de obscuridade, com clarões de revolta sem norte, rapidamente apagados pelos mercenários das polícias e dos exércitos.
Afixado por mb em abril 2, 2006 11:11 AMSim, vou meter férias, L. Talvez até emigre. Conheces algum planeta decente? :-)
Afixado por Soledade em abril 2, 2006 11:53 AMParece eu a falar, mb :) A revolta individual, a impotência... Somos todos carne para canhão. Mas um arcaico apelo do maquis teima em me atormentar.
Os programas são parte desta perversão, e nada disto é novo, vem pelo menos de 2000, quando o Conselho Europeu fixou como meta da política educativa comum produzir um capital humano rentável ao serviço da competitividade económica, esse fim último de todas as aspirações humanas, esse maravilhoso motor que faz mover o sol e as estrelas. A Inglaterra avançou de vento em popa, mas parece que não há bela sem senão: o sistema educativo inglês está de pantanas. E o nosso idem.
Ainda:
«Les organismes internationaux, et plus particulièrement l’OCDE, se sont intéressés aux acquis des élèves plutôt qu’à la façon dont l’égalité des chances était respectée. Progressivement, les indicateurs de performance, les tableaux de comparaison entre établissements, entre régions ou entre Etats, les tests standardisés deviendront en effet une sorte de boîte à outils pour évaluer la qualité des systèmes éducatifs. Ce qui revient à importer les méthodes de gestion des entreprises et à réduire la fonction de l’école à une production de compétences soumise aux critères de rationalité et d’efficacité. Le Royaume-Uni en constitue un exemple caricatural» - Louis Weber.
Até aqui legislava-se ao "faz de conta": faz de conta que a escola tem condições para fazer ensino individualizado(em turmas de 20,26 e mais), faz de conta que a escola faz integração, faz de conta que os E.E. estão empenhados na aprendizagem, formação dos seus filhos, faz de conta que os governos(todos eles, desde sempre) querem formar cidadãos( e não boas estatísticas para europeu ver...). Finalmente legislar-se-á às claras.
É bom poder partilhar algumas angústias, mas não vale a pena emigrar...e se tentássemos...
... imigrar(?). Pareço doida? Eu também acho que sim.
E o prazer da cultura, o prazer dos sentidos da alma, a procura do "EU" ? Onde ficam ? A realização pessoal ? Onde fica? "Une tête bien pleine" ou "une tête bien faite" ?
Parece-me que também já estou a ficar maluca. Aproveite as férias e faça passeatas ao ar livre, puro ( ?!?!)
Bjs.
Dores, acho que se continua a legislar ao faz de conta no que respeita à transmissão do saber, à integração dos alunos, à diluição das diferenças sociais, à qualidade real do ensino, à formação segundo valores *humanos*. Mais ou menos às claras, que o pudor já era; mais ou menos às escuras, que convém manter a cortina de fumo e a desunião entre os principais interessados (professores, pais e alunos). Além de entretermos os miúdos enquanto os pais estão a trabalhar e de os mantermos fora do mercado de trabalho, exigem-nos grande eficácia (e os sistemas de avaliação das escolas e de desempenho dos professores virão com critérios de nos pôr os cabelos em pé). Também acho que devemos ser eficazes, é claro, mas em que sentido nos veremos obrigados a exercer e aumentar a nossa eficácia? Que objectivos vamos servir? Quem decide das políticas educativas? Quais serão os critérios pedagógicos?
No meio de tudo isto, as escolas profissionais e as vias alternativas ao ensino regular começam a aparecer a uma luz sinistra, não é? E nós continuamos a debater-nos com sofismas e paradoxos e impossibilidades, e a arcar com as culpas de tudo.
Mas como não há outro planeta e este está todo igual ou em vias de ficar todo igual, se calhar teremos mesmo de i-migrar... Tentar. E por ora descansar. Ânimo, Dores! Boa interrupção lectiva.
E um abraço
Ah, Fernanda, maquinazinhas de produzir e de consumir lá devem ter consciência de si?! Isso é um luxo! E nós somos criaturas arcaicas, remanescentes de outro tempo.
Hoje estou particularmente pessimista, preciso é de ar puro, tem razão!
Um beijo
Até aí penso que já todos tínhamos chegado,que a velha teoria da conspiração parece ser já o único meio de interpretar o mundo; o que conta aqui, porém, é que - vamos ver no que dá - a TLEBS nem para isso serve e irá sobrecarregar o sistema com repetências sucessivas. Até porque a Matemática (ah!, velho Eça, tu é que conseguiste conhecer Portugal!) está na mesma orientação - vender os resultados da pesquisa para consumo no Ensino Público, num jogo de faz-de-conta ao qual tudo o resto é alheio. Já que o blogue é de gatos (e confesso, eu sou mais de cães, embora geralmente os gatos gostem de mim, o que muito me honra), gato escondido com o rabo de fora (mais um): os licenciados em Linguística têm a partir de agora habilitação própria para leccionar Português, desde que no seu currículo tenham uma cadeira (quiçá mesmo semestral...)de Introdução aos Estudos Literários...
Morra o Dantas e a APP - que por sinal está bem e se recomenda, cheinha de Acções de Formação da TLEBS.
No mais imediato, é pura e e simplesmente ILEGAL que os alunos do 12º deste ano (que não foram sequer objecto da experiência pedagógica) tenham o novo programa - e o raio da TLEBS - no exame; mas isso não acontece só com o Português, infelizmente...
Alguém desta roda tem visibilidade para colocar um artiguito onde ele possa incomodar? Eu posso e quero escrevê-lo, já o tenho alinhavado, estou com vontade de desafiar esses inconscientes da TLEBS a expor a sua intolerável SOBERBA intelectual em público...
Bj. Soledade, obrigada pela dica - já vi, e acontece que os filhos dos outros têm os mesmos direitos que os meus; não tenciono calar-me.
...Talvez seja bom, de facto,imigrar...como diz a Dores.
Entretanto, amigos, procuremos o sol, o ar livre (enquanto não tivermos de pagar imposto por esse luxo de respirar)- e a poesia, a palavra que nos eleva.
No resto, as mesmas apreensões.
«Morra o Dantas e a APP - que por sinal está bem e se recomenda, cheinha de Acções de Formação da TLEBS.»diz a Paula Lago -estranhos conluios entre a APP (de que desliguei aquando do lançamento dos novos programas) e o M.E.(ou não assim tão estranhos,afinal)
Paula, os gatos têm essa singularidade de se chegarem a quem não gosta deles :)
Quanto ao problema que nos apoquenta e à visibilidade pública para cutucar o formigueiro, eu não a tenho. E mesmo quem a tem... Veja por exemplo o artigo que Vasco Graça Moura publicou no DN, sobre a TLEBS, http://dn.sapo.pt/2005/12/21/opiniao/a_tlebs_sapatinho.html e que pouco ou nenhum eco teve; ou, quando este processo de derrisão da classe docente começou, a Amélia Pais esteve no Prós e Contras, na RTP1; e, em Outubro, uma Carta Aberta, redigida por dois colegas da Secundária de Sacavém, deu origem a uma petição http://nocturnocomgatos.weblog.com.pt/arquivo/2005_10.html#211922 que recolheu milhares de assinaturas, tendo os colegas sido recebidos, na Assembleia da República, pela Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Serviu de alguma coisa? No entanto, se tem um artigo escrito, pode tentar os circuitos da internet (por exemplo o educare.pt) ou enviá-lo para os jornais ditos de referência, que às vezes publicam. Não devemos calar-nos, mas receio bem que nada altere o estado das coisas. O ministério é cego e surdo. E há muitos gatos (mal) escondidos, sim.
Ah, a dica já está a ser enviada a todas as escolas, gratuitamente, como foi a base de dados. Todos terão acesso a ela, e isso deixou-me, por razões particulares, aliviada e contente. No entanto é só para o Básico.
Que ano, este!
Boas "férias", Paula!
menina: martirizas-te, dás cabo da saúde e…?
sugestão – não se pode ser militante em part-time –
1
continuarás a ter tuas reflexões, trocas de impressões …na desportiva!
ou
2
avanças para junção a – ou fundação de – …um grupo para “à séria” te bateres até às últimas consequências, sabendo do David & G…Quixote & Moinhos…e virás a ser uma líder de uma corrente que talvez um dia seja ouvida
no stress dessa consciência e sem partires eventualmente para a luta (?)…prejudicas-te!
como é fácil dar conselhos, este foi de amigo…
boa Páscoa
bj carlos p f
Carlos, é muito difícil alhearmo-nos. Ouvi o teu conselho, obrigada.
Bj