Comentários: Poesia em tempo de guerra e banalidade

A poesia pode sempre, o correr do tempo o tem provado, uma vezes mais, outras menos, tal como o espírito humano. Se hoje o tempo não corre a favor da poesia, corre a poesia e favor e contra o tempo, como habitualmente.

Afixado por paula lago em maio 11, 2006 11:45 PM

Texto a proporcionar bons motivos de reflexão.Concordo, no geral e
gostei de o ler.

Afixado por amélia em maio 11, 2006 11:56 PM

...acrescento:fui, ao escrever o comentárioo atrás, a visita nº 49 000.Upa, Upa!

Afixado por amélia em maio 11, 2006 11:57 PM

É verdade, Paula, a poesia sempre correu a favor e contra o tempo. Mas situando-nos nele - neste nosso transe da História, «que abafa e absorve o desastre como normalidade» - olhamos em redor, olhamos para nós mesmos, e o panorama não é brilhante. Outros tempos virão, sem dúvida. Mas que contas daremos ao futuro acerca do nosso próprio tempo, isso é que eu não sei.

Afixado por Soledade em maio 13, 2006 11:09 AM

Ainda bem que gostaste de ler, Amélia.
Implodimos isto aos 50.000? :)

Afixado por Soledade em maio 13, 2006 11:11 AM

Soledade, a resposta à sua questão está mesmo aqui, ao virar da esquina e no trabalho que vamos fazendo - sobretudo os que temos como responsabilidade passar testemunhos, da língua como da literatura (que nesta perspectiva obviamente não distingo): as contas que damos ao futuro são sempre pessoais e nunca colectivas, ainda que haja momentos (tenha havido, haverá) em que a poesia se torna mais visível, mais candente, mais exacta mais real (a voz de Cesário ouve-se hoje com uma nitidez particular). Nunca se sabe à partida quantas vontades poderão caber num mesmo recipiente.

Afixado por paula lago em maio 13, 2006 12:08 PM

Implodir?Nem pensar...quando muito quando o país o fizer...

Afixado por amelia em maio 13, 2006 12:22 PM

Daremos as contas que pudermos dar, Soledade, contas sempre para aquém do suicídio (desistência ou sacrifício). A poesia reflecte a sua época? Reflecte. Então, se reflecte, é de crer que esteja perto o seu fim (como se diz), embora creia que a boa subsistirá "underground" e servirá de garantia ao futuro. Como certas sementes que germinam passado muito tempo, quando encontram condições propícias. Creio que o artigo, sendo correcto e subscrevendo-o, acusa e generaliza mais do que aponta a esperança. Que para nós não é nenhuma. Não estaremos vivos para saber se a dialéctica mais uma vez se cumpriu ou se o planeta explodiu com todos os seus seres. Mas a esperança existe em nossa vida e permite-nos algo que é bastante confortável: o afrontamento é uma forma de dignidade e uma emanação de força. Beijo

Afixado por mb em maio 13, 2006 10:19 PM

Julgo que daremos contas colectivas também, Paula, somos todos parte do problema e, eventualmente, da sua solução. Precisamos de um sonho colectivo e de unir vontades: acredito que dentro de um recipiente caberão tantas quantas as necessárias - assim o sonho as congregue - para que o mundo erga voo (obrigada por lembrar isso). Mas entretanto... Ouçamos então a perfeitíssima voz de Cesário.
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 14, 2006 08:19 PM

É verdade, mb, o artigo não aponta futuros, é uma acusação desancantada, e muito difícil de rebater. No entanto, abrindo um ciclo de palestras e debates, assume a aporia, mas não exactamente a desistência. Julgo que é isso que me está a dizer também. Certo, não se vive sem esperança, uma qualquer que seja, mesmo que a longuíssimo prazo. A História cumprir-se-á.
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 14, 2006 08:51 PM

Nem a brincar, Amélia!

Afixado por Soledade em maio 14, 2006 08:54 PM

Grata, Soledade, pelas suas palavras acompanhadas pelas de Erri de Luca, que eu não conhecia.

Afixado por M em maio 15, 2006 09:50 AM

O prazer foi meu, M. "Os Três Cavalos", de Erri de Luca, é uma novela lindíssima, com uma escrita poética e uma efabulação invulgar.

Afixado por Soledade em maio 19, 2006 12:40 AM