Comentários: confissão

...é tão bom ler aqui o Adair...:)

Afixado por amelia em maio 17, 2006 09:10 AM

"todo poema ceifa completamente o corpo"
Sem complacências! Gostei muito deste poema, podes dizer isso ao teu amigo poeta de além-mar.

Afixado por L. em maio 17, 2006 11:49 PM

Direi, L. O Adair não é de facto um poeta de cedências ao banal e ao bonitinho, e não é por acaso que nesta sua "ars" refere o "risco" e o corpo completamente ceifado. De que outro modo, senão esmagado ou cortado, o fruto se transformaria em vinho ou pão?
Bj

Afixado por Soledade em maio 18, 2006 05:56 PM

É bom ler o Adair em todo o lado, Amélia :) Sobretudo em letra impressa. "Desencontrados Ventos" é um dos livros mais belos que li no ano da sua publicação.
Bj

Afixado por Soledade em maio 18, 2006 05:58 PM

À primeira leitura pareceu-me um poema sem a usual marca muito vincada do Adair, tão fácil de identificar. Mera ilusão de óptica. É um exemplo, que acho muito interessante, este como que ocultar a matéria-prima formal com que nascem os seus poemas, as quebras abruptas do verso, os cavalgamentos, a quebra dentro do próprio verso, versos com uma só palavra, uma série de recursos rítmicos e de significação e intensidade, que tornam a sua poesia próxima de muita música contemporânea erudita (de que tanto gosto), tive a oportunidade de lho ter dito já há algum tempo.

É um poema de grande tensão psíquica. E para uma tensão assim tamanha, a meu ver só se pode escrever poesia com uma contenção ainda maior. Este poema é um exemplo muito vivo do que digo e do vituosismo de se fazer arte da poesia: não só disciplina o grito pelo uso da distanciação, que assim se torna eficaz e universal (não pessoal), como ainda esconde, a uma primeira leitura, a marca registada do autor, que é a sua linguagem poética, rebarbativa, aguda, tensa, conflituante - dialecticamente dura, em suma -, desculpem tantos adjectivos (que são para se usar, eu sei), com o fim de se distanciar ainda mais da tensão psíquica que o obsidiava.

E fá-lo com tanta e tão natural segurança que intitula "Confissão" este poema para mim exemplar, como exemplar é de contemporaneidade a poesia do Adair, uma poesia séria, inconfundível, que só nela se resolve, sem precisar de mais nada senão de um leitor que saiba lê-la, como costumo dizer. Mas tem mais leitores desses, claro, e alegro-me por ser um deles, eu que levei não pouco tempo a digerir este modo tão afirmativo e áspero de ser totalmente do nosso tempo.

Afixado por mb em maio 18, 2006 07:20 PM

À primeira leitura pareceu-me um poema sem a usual marca muito vincada do Adair, tão fácil de identificar. Mera ilusão de óptica. É um exemplo, que acho muito interessante, este como que ocultar a matéria-prima formal com que nascem os seus poemas, as quebras abruptas do verso, os cavalgamentos, a quebra dentro do próprio verso, versos com uma só palavra, uma série de recursos rítmicos e de significação e intensidade, que tornam a sua poesia próxima de muita música contemporânea erudita (de que tanto gosto), tive a oportunidade de lho ter dito já há algum tempo.

É um poema de grande tensão psíquica. E para uma tensão assim tamanha, a meu ver só se pode escrever poesia com uma contenção ainda maior. Este poema é um exemplo muito vivo do que digo e do vituosismo de se fazer arte da poesia: não só disciplina o grito pelo uso da distanciação, que assim se torna eficaz e universal (não pessoal), como ainda esconde, a uma primeira leitura, a marca registada do autor, que é a sua linguagem poética, rebarbativa, aguda, tensa, conflituante - dialecticamente dura, em suma -, desculpem tantos adjectivos (que são para se usar, eu sei), com o fim de se distanciar ainda mais da tensão psíquica que o obsidiava.

E fá-lo com tanta e tão natural segurança que intitula "Confissão" este poema para mim exemplar, como exemplar é de contemporaneidade a poesia do Adair, uma poesia séria, inconfundível, que só nela se resolve, sem precisar de mais nada senão de um leitor que saiba lê-la, como costumo dizer. Mas tem mais leitores desses, claro, e alegro-me por ser um deles, eu que levei não pouco tempo a digerir este modo tão afirmativo e áspero de ser totalmente do nosso tempo.

Afixado por mb em maio 18, 2006 07:20 PM

Saiu em duplicado. Coisas do sistema. Será por isso que há castanhas "filipinas", como dizia em miúdo das castanhas gémeas? Sem dúvida que sim, se pensarmos que o acaso é, de todos os deuses, o mais poderoso.

Afixado por mb em maio 18, 2006 07:28 PM

É sempre um grande contentamento participar do Noturno com Gatos, da minha querida Soledade.
E é um contentamento ainda maior compartilhar minha poesia com os leitores inteligentes quo o frequentam.

Muito obrigado,

Afixado por Adair em maio 19, 2006 01:47 AM

O poema é incisivo . Um belo poema escrito com o máximo de tensão, que nos transmite exatamente a sua angústia, a dor.


Beijos,
Silvia

Afixado por Silvia Chueire em maio 19, 2006 06:17 AM

mb, sei que levou o seu tempo a "digerir" a estranheza da poesia do Adair, por isso me alegra ainda mais este seu comentário e a claridade com que evidencia o que há de tão ímpar na poesia dele. Concordo que é dura, como o mundo dilacerado em que nasce, embora busque, incessante, uma unidade e uma completude sempre adiadas. É rebarbativa (gostei do adjectivo) - as barbelas ficam-nos cravadas na pele, nos ouvidos.

Muito contente deste encontro que aqui se deu :-)

Afixado por Soledade em maio 19, 2006 01:45 PM

Silvia, em nome do Adair, obrigada.
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 19, 2006 02:13 PM

Meu amigo, se não fosse uma extravagância, transcreveria todos os poemas de "Roteiros..." e de "Desencontrados...", e ainda os seus inéditos, para o Nocturno, sabendo que quem ficaria a ganhar seriam os leitores deste blogue :) O privilégio é meu.
Um beijo enorme, Adair - cheio de admiração e de carinho.

Afixado por Soledade em maio 19, 2006 02:17 PM

Espero que não se importe de ter levado "emprestado" um poema seu. Algum inconveniente, diz que o retirarei de imediato do Poesia Portuguesa.
Grata pela partilha.

Um abraço e bom fim de semana ;)

Afixado por Poesia Portuguesa em maio 19, 2006 04:55 PM

Fiquei a conhecer este autor através da referência que a Soledade fez no Multiply e fui "lá" ler. Tocou-me muito precisamente porque, como diz, « O Adair não é de facto um poeta de cedências ao banal e ao bonitinho, e não é por acaso que nesta sua "ars" refere o "risco" e o corpo completamente ceifado. De que outro modo, senão esmagado ou cortado, o fruto se transformaria em vinho ou pão? » ...
Por isto tudo, li, reli e quero voltar a ler. Visitarei a página do Multiply sempre que puder (que não é exactamente o caso, agora) quero tranquilidade e espaço mental para o ler .
A Soledade fala de publicações de livros . Onde ?
Uma grande abraço e bom fim de semana.
fsm

Afixado por fernanda s.m. em maio 19, 2006 11:10 PM

Posia Portuguesa, não me importo, e agradeço. Tenho um carinho particular pelo poema que "levou". Percebi também que há muito a explorar no seu blogue, muito a ler. Obrigada por ter-se dado a conhecer.
Um abraço

Afixado por Soledade em maio 20, 2006 08:31 PM

Fernanda, o Adair é realmente um poeta de excepção, e que segue o seu caminho com uma enorme exigência pessoal, e sem se ater a modismos ou famas. Publicou "Roteiros para um Final de Era" em 1998, e "Desencontrados Ventos", pela Editora Outras Letras, Rio de Janeiro, em 2002. Infelizmente, nenhum dos livros foi distribuído em Portugal.
Para mais informações poderá ir ao site da Editora, ou entrar em contacto directamente com o Adair, através do Multiply, por exemplo.
Fico muito contente por ter gostado dos poemas do Adair. O que é belo deve ser partilhado:)
Um abraço, bom fim de semana

Afixado por Soledade em maio 20, 2006 08:42 PM

Muito bonito este poema do Adair

Afixado por piedadearaujosol em maio 21, 2006 09:03 PM

Para mim não é fácil ler os (alguns) poemas do Adair. Gostei deste, tem muita força. É um belo poema acompanhado de uma bela imagem.:-)
Uma boa semana de trabalho.

Afixado por Ana Gil em maio 21, 2006 10:01 PM

Olá, Piedade. Obrigada pela visita. Um enorme abraço até a bela ilha da Madeira, de onde tantos poetas nos chegaram.

Afixado por Soledade em maio 22, 2006 12:40 PM

Ana,o Adair defende que o leitor deve esforçar-se :)
Obrigada pelos bons votos. Mais uma semana!
Beijinho

Afixado por Soledade em maio 22, 2006 12:53 PM