Comentários: Ascensão

(apaga o anterior e as suas gralhas).Eu repito:
Pois...mas continua a valer a pena escalar montanhas e sonhar horizontes por detrás do nevoeiro e dos recortes duvidosos de quaisquer berlengas...

Afixado por Amélia em maio 22, 2006 05:36 PM

Há muitos trilhos para esta ascensão.
O olhar desencantado pelos vestígios do tempo é belo.

Afixado por ana assunção em maio 22, 2006 10:42 PM

... e vale sempre a pena passar por este sítio. Há sempre uma boa surpresa à nossa espera.
Será que posso usar este poema para os "meus meninos"?

Afixado por dores em maio 22, 2006 11:53 PM

A percepção de um tempo recuadísssimo, a percepção desse tempo face ao nosso rosto, face ao nosso tempo. Gostei muito da sua poesia.

Afixado por Jerónimo em maio 23, 2006 03:25 PM

Amélia, não vou apagar: sem as tuas gralhas isto não tinha graça nenhuma, de tal modo fazem parte de ti :) Deixa-as esvoaçar.
Beijinho e boas escaladas: o céu é o limite.

Afixado por Soledade em maio 23, 2006 05:24 PM

Ana, Jerónimo, toda a ascensão é um degrau, são breves as obras do Homem e fugaz o périplo humano, quando confrontado com o tempo natural.
Obrigada aos dois.

Afixado por Soledade em maio 23, 2006 05:31 PM

Dores, claro que deixo, fico lisonjeada e "encabulada". Depois conte-me o que eles disseram, se tiver tempo.
E estamos a acabar. Boa sorte para os nossos meninos todos - e para nós também - que este ano precisamos muito dela!

Afixado por Soledade em maio 23, 2006 05:45 PM

"sob a leve tutela de deuses descuidosos" se processa o caminho do humano. Chegar é ter ido, estar é ter chegado. Parabéns.

Afixado por paula lago em maio 24, 2006 10:28 AM

Paula, esse comentário é especial! Para guardar com especial cuidado. Lembrou-me o nosso mágico narrador. Estamos de acordo: ousar é desafiar o tempo e interpelar a morte.
Um bj

Afixado por Soledade em maio 24, 2006 09:21 PM

Um só trevo

Com pouco me satisfaço:
em ver uma papoila,
por ser só e ser vermelha
no verde tenro de Maio;

(Soledade Santos)
Aqui está-se bem. 50 000, somos muitos… Guardamos um raminho de espigas e mais flores do campo para lhe dar (não é hoje, dia da espiga e da Ascensão também, que se vai por elas aos campos?).
Beijos

Afixado por zef e piedade em maio 25, 2006 06:18 PM

Deram-me o nome
da mãe
da avó
e de outra-S ancestrais que não conheci

a avó fez jus ao n-O-me
e de Andaluzia onde foi menina
trouxe a espantosa so-L-idão
da cama d-E-sabitada
dos filhos
per-D-idos
na guerr-A

a mãe foi artesã
da alegria
(da minha - não D-a sua)
e passou breve
cisne ao sol
sacrificado

e agora
eu herança
no longe dos s-E-us olhos

DERAM-ME O NOME SOLEDADE, nome bem bonito, dado pelas mulheres que contam (gosto tanto deste poema)!
Venho aqui soprar uma pequena vela de amizade pelos 50.000 e queria pedir-lhe, que mesmo com muitos afazeres, muito cansaço, não nos deixe sem nocturno e sem gatos. Beijinhos e por mim falo, que tal 100.000???
Ana

Afixado por ana assunção em maio 25, 2006 06:27 PM

que nervos, esta caixinha está lenta e como diria a Amélia,apague , sff, o anterior...:)
re-Bjo

Afixado por ana assunção em maio 25, 2006 06:33 PM

Aqui fica a minha prenda: Descobre as letras do teu nome, porque nada se alcança sem algum trabalhito:)
INTERIOR
para Amélia Pais
Distância vErde
nos pinheiroS
que anOitecem
Macio afago
Do som De água
que ao longe flui
NáutiLa conchA
que Encerra o lume
De estar sem mim

Soledade Santos

BEIJOS

Afixado por amélia em maio 25, 2006 06:34 PM

50.000... visitas às tuas palavras...

Há dentro de mim uma cidade de avenidas monótonas
onde podes perder-te
que nenhuma S-e perc-O-rre duas vezes igual.
Cobre-a, aos olhos sitiados de angústia,
devagar uma patine;
escamas cor de rosa, sonhos erodidos, torres
cerces ao chão.
Houve um rio? Jardins? Chuva estival? Uma vontade?
L-ua e estrelas desenharam o ciclo das estaçõ-E-s?
Esta cidade onde na-DA- contraria a força da gravida-DE.

Afixado por emn em maio 25, 2006 06:40 PM

Bem!... tens muito que apagar :)))

Afixado por emn em maio 25, 2006 06:49 PM

Parabéns pelo maravilhoso blog.
Que este lugar permaneça durante muito tempo!
O poema que segue ficou-me no sangue :-)

Swing para manhã de sol

na casa vazia
eu deus o mundo por fazer
e danço

Swingo com pano
do pó aspirador
cadeira e cantO
swing enche a minha casa
e roupa suja espaLhada
no chão misturada
com lápis lEgos ferraris

ó sol tão amarelo
na janela
a roupa fumega
varal colorido manhã de 6ªfeira
swingo com ella oh baby
sing me a swing song and let me
Dance

que a vizinha de baixo é surda creio
pois não se queixou nuncA nem
Dos gritos à noitE
dos gatos

Afixado por sete-sóis em maio 25, 2006 06:50 PM

Um pequeno TPC para comemorar os 50.000 visitantes:
Descubra o seu nome e mais uma palavra que agora não digo... :-)

Secrecia de Papel ou pelE
dóceis
ao toque dA mão às papilas do Olhar
os livRos

mAr ao vagar dos dEdos
oNde corre livremente o tempo
sem nunca tomar A Direcção da morte

velhoS companheiros Da luxúria vária
e da mais provada fidElidade

caDa um
uma Luva
um Bisturi
um sortilégio


E um beijo.

Afixado por M em maio 25, 2006 07:18 PM


Sol
Ou
Lua
Ed è subito sera.
Dia a dia
A grande alegria
De aqui
Estar con te!

... Um grande beijo, SOLEDADE !

Afixado por António em maio 25, 2006 07:33 PM

Também me junto à conspiração festiva, claro. Se não acertei no 50.000, acertei à mesma na muge, estive (creio) no 49.999 e no 50.001, donde sai um outro 50.000, o médio aritmético :)

É um número lindo e muito redondo.

Um beijo

O TEMPO FECHADO

Silenciou-se o tropel
e outros sons povoaram a casa:
os pardais chiam na madrugada
e à tarde instalam-se as criança(S)
v(O)zear de tragédia fáci(L);
na co(ZINHA) a alcofa das compras
som de fibras descoradas
e o frigorífico exala
um rumor de saciedade(.)

Mas o tem(P)o fechado
mora melhor na sala
nas janelas aber(T)as ao vazio
aos dias luminosos e completos
de uma perfeição sem objectivo -
comer uma pêra folhear um livro
regar hortênsias arrumar gavetas
queimar um pau de incenso
esperar que a noite desça.

Soledade Santos

Afixado por mb em maio 25, 2006 07:40 PM

A promotora da celebração também me "convidou" para a festa dos 50.000. Mas eu ainda me sinto estranho nesse teu mundo da poesia. Não estaria a ser sincero comigo se colaborasse na comemoração da forma que ela me sugeriu.
Reconheço, todavia, a importância do momento. Felicito-te pelo teu sucesso e espero que não concretizes os sinais que vens dando e que mantenhas o teu blog vivo, para felicidade do teu interessante grupo de amigos porque "a vida vai tecendo laços impossíveis de romper", como li na entrada onde também participei para contribuir para o grande número dos teus admiradores.

Afixado por António Antão em maio 25, 2006 07:41 PM

Ó senhores ouvintes! (como se dizia antigamente), este Nocturno é muito mais animado na minha ausência! Não pode uma proletarizada prof ir dar suas aulas ou cumprir sua CNL, zás! Fazem-lhe uma festa em casa. E depois inflacionaram os comentários. Na senda da Amélia, meninas Ana e Eliana? :-)

Estou agradecida, estou comovida, deram-se a tanto trabalho, andaram a procurar poemas, prestaram-me atenção (no sentido mais estrito do termo), fizeram acrósticos...

O Zef, meu amigo epicurista, trouxe o ramo da espiga, é hoje o dia, que nos abençoe a casa e o ano!

E o Sete-Sóis, o menino que vi crescer em graças do espírito, em formosura e teimosia :) - e cresceu tanto, e veio trazer notícias da minha antiga alegria. Um beijo especial para ti, que me desarmas sempre.

E o António, que troca em luz o poema crepuscular que constitui a égide deste blogue. O António, de quem em breve se ouvirá aqui a voz :-)

E mb, arrebatado sem apelo nem agravo
pela promotora da festa, e que em meio às suas médias aritméticas teve tempo para recordar o antigo nick da solzinhapt :-)

E o António A, que não deve sentir-se estranho porque foi o primeiro dos amigos que aqui estão -o que veio de mais longe, de quando tínhamos diminutivos patetas e partilhávamos a mesma carteira na escola :-) Que te sintas aqui em casa.

E as meninas: isto é uma grande roda de mulheres. Por isso a Ana foi buscar o poema da estirpe feminina, das "mulheres que contam". Obrigada, Ana. Vou mantendo o nocturno enquanto puder ser. E, indo-se o nocturno, ainda há um hotel. Não é a mesma coisa, mas tem acomodações para todos os amigos.

E a Piedade, de quem tenho saudades, e que faz coisas tão lindas com ervas bem-cheirosas, coisas de ternura e de dias com sentido.

Amélia (deves ter vigiado o counter desde ontem -és incrível!) escolheste o *teu* poema e dizes-me algo que a raposa disse ao principezinho (ou este à rosa? já não recordo). Se implodirmos o nocturno, migramos todos para o teu barco, Jade incluída. O pavarotti que se cuide! ;-)

E a Manuela que foi buscar um poema que não consta aqui do espólio do Nocturno (onde o terá encontrado?) e me deixa um TPC: Beira? terra-natal? :-)

E last, but not the last, Eliana, das angústias e canseiras partilhadas, da revolta lúcida, minha colega lá longe. Fiquei contente por teres escolhido esse desassossegado poema. E tu não eras tu se não me mandasses(sim, que isso é um ilocutório indirecto!)limpar a casa!

Obrigada, do coração, a cada um de vós.

Afixado por Soledade em maio 25, 2006 10:11 PM

eSpera um pOuco sei
que é branca a Luz quE bebo
nas sílabas dos sulcos dos teus olhos
e nem rasgões DA boca acesa
poDEm contra ela.

Soledade Santos.

Uhfa !!! Consegui cá chegar a tempo para deixar grande beijo pelas 50.000 ...

Afixado por fernanda s.m. em maio 25, 2006 11:28 PM

Eu estava sem conexão o dia todo. Agora vão os meus parabéns e o meu carinho.
Sua escrita, Soledade, cada vez mais depurada. Mas eu fui achar um poema lá atrás, do qual gosto muito.

Beijos, saudades,
Silvia


que venha
e que seja manhã de fevereiro
e que as gieStas ardam
no sincelO da janeLa

que me arrefeça a extremidade dos oLhos
AbErtos
e amores sem epílogo
e ela sorria travessa
De em cegA pirueta pisar
De roxo o meu peito

que não espEre mais por mim
que eu respire e seja
cais
enfim

SOLEDADE SANTOS

Afixado por Silvia Chueire em maio 25, 2006 11:55 PM

Fernanda e Silvia, mais dois poemas não nocturnianos-com-gatos?! Anda a minha escrita em pedaços pelo mundo repartida! :)
Obrigada às duas. Os amigos chegam sempre a tempo.
Beijos

Afixado por Soledade em maio 26, 2006 12:04 AM

E foram 50.000 utilizações da palavra…
E continuaremos.
Então, como homenagem, Soledade feche os olhos e ouça este poema que me encanta: “Balada para los poetas” de Rafael Alberti (in memoriam) interpretado pelos Agua-Viva - Qué cantan los poetas andaluces de ahora(…).

Afixado por Anto em maio 26, 2006 08:41 PM

Estive sem acesso à net...
Parabéns por este sítio onde dá prazer vadiar.

Fora de tempo...mas dentro da validade. Um beijo amigo.


Alguém

Sou as palavras e os Segredos que guardei
e um estrito reservar-me nunca soube porquê
se tãO completa me entrego as vezes que me entreguei.

Sou a Lembrança que se vai diluindo
em olhos que julguei perenes e consanguíneos.
Sou as canções e os poEmas e tantas
desperDiçadas luas. E a música e os livros
e uma varanda que um arquitecto desenhou sem saber que era p'ra mim. E que perdi.

Sou o teu sono, minha JADe, redondo ainda e já inclinado ao fim. Sou árvores, o rio que amei, as giestas, uma pouca de tErra que o vento dispersa.

Soledade Santos

Afixado por dores em maio 28, 2006 11:50 PM

Embora com atraso, os meus parabéns pelos 50 mil visitantes. Um número redondo sempre agradável de atingir. Espero que continue até aos cem mil, duzentos mil, etc.

Afixado por Rogério Santos em maio 29, 2006 08:51 AM

Anto, obrigada, também gosto muito desta lindíssima canção dos Água Viva. Ainda bem que lembrou. Festejamos os amigos que o nocturno foi reunindo, mas em redor de nós os tempos são de escuridão. Ouçamos pois, e cantemos juntos, pensando na esperança de que "oiran otros oidos". E não estaremos tão sós.
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 29, 2006 12:57 PM

Rogério, tal longevidade parece-me pouco provável. O nocturno precisa além do mais de uma remodelação, de uma revisão do "projecto", mas o tempo escasseia. E vai escassear mais.
Obrigada pela atenção gentil ao longo destes quase 3 anos.
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 29, 2006 01:03 PM

ESCREVO

Querido amigo goStava de enviar-te
o canto lavado dos pássaros
nos plátanOs de Alcobaça

do mosteiro o siLêncio coalhado
no sono púrpura de Inês e Pedro

da luz a mais desvElada, a da Foz
por onde o mar regressa
chapinhaDo de infância e sal

enviar-te enfim o pequeno país íntimo
adjacente ao litoral do corAção

porque um dia entraste na minha casa
e inesperadamente
toDas as janelas sE abriram

Soledade Santos

Estou atrasada, eu sei, mas não podia deixar de me associar a esta homenagem, mais do que merecida. Vá lá descubra o seu nome... eu facilitei :-)
Difícil, difícil foi escolher o poema! (H)
Qualquer dia estamos a festejar as 60.000...

Afixado por Ana Gil em maio 29, 2006 06:06 PM