Comentários: A proposta que é imbecil

Fim da linha. «Mundo vasto mundo». Aqui não é possível. Já não há volta a dar.

Afixado por lbeira em maio 29, 2006 10:34 PM

...e as mentes que a pariram...

Afixado por amélia em maio 30, 2006 01:12 AM

Soledade, confesso que a ideia de poder avaliar alguns maus professores que a minha filha tem encontrado me fez nascer um sorriso nos lábios.
No entanto e embora os pais devam poder participar no esforço educativo (e não vou falar sobre isso aqui) realmente a questão para o ministério deve ser outra.

Pobres professores e pais também!

Afixado por Mário em maio 30, 2006 01:38 PM

Confesso que não tive possibilidade de ler correctamente todo o texto. Fiz uma leitura em diagonal e receio cometer erros graves ao comentar. Mesmo assim fica o meu parecer:

Depois da leitura que consegui fazer surgiu-me uma dúvida: está evidente, em qualquer artigo, a necessidade de preparação de aulas da minha (nossa ) disciplina? O meu (nosso) papel como professor não está diluído num sem número de atribuições (artigos 35º e 36º)? E , de acordo com as propostas para avaliação e a diversidade de actividades a desenvolver na "componente não lectiva", não levam a uma dispersão de energia que vai faltar para aquilo que é fundamental na nossa profissão? Que papel está reservado ao professor? Apagar todos os fogos ateados por quem quer que seja? É o professor responsável pelos problemas económicos, sociais e culturais das famílias?

Tem o professor de fazer " Acompanhamento dos alunos nos diferentes espaços escolares" - qual o alcance deste parágrafo? O professor tem de fazer vigilância na cantina, por exemplo, ou no recreio, ou na ocupação de tempos livres enquanto esperam que os pais possam ir buscá-los à escola?

Que turmas são organizadas pelas escolas? Como é distribuído o serviço nas escolas? Sei de professores que todos os anos só têm turmas de 6º ano, (depois de serem conhecidas, escrutinadas, no 5º), mesmo que isso implique não dar continuidade pedagógica e "passar por cima" de professores competentes.

Que mecanismos estão previstos para que a avaliação do desempenho não se transforme numa caça às bruxas, sendo a distribuição de serviço o meio eficaz e legal para a promover- turmas tão diferentes como permitem alcançar objectivos iguais?
Não posso alongar-me mais. Vou cumprir mais uma tarde de trabalho. penso que me dispersei demasiado...

Afixado por dores em maio 30, 2006 03:26 PM

Mário, a porta da minha sala de aula esteve sempre aberta: aos meus pares, aos inspectores, a alunos universitários que precisavam de fazer trabalhos a partir de observação de aulas e à direcção da escola. E os primeiros, segundos e terceiros entraram por ela algumas vezes: foram experiências formativas e, apesar de algum nervosismo, sempre gratificantes.

Aos pais, a minha sala de aula não está aberta, excepto em situações muito especiais, como aconteceu uma vez, no âmbito de um projecto de Área-Escola. Mas nunca em aulas comuns ou com o objectivo de me avaliarem. Para isso terão de me coagir. Colaboração escola-família não é isso. E deixa-me que te diga que existe muito pouca e é quase toda unidireccional. A maior parte dos pais omite-se. E omite-se. E omite-se! Excepto no final do ano para pressionar no sentido da transição de ano, se o filho indiciar retenção. Pois a partir de agora, o pai irá exigi-la. Sucesso garantido, muito bom para os índices da OCDE, certo? Quando o diferencial de autoridade do professor já é tão baixo, assim como o seu prestígio, nada melhor que isto para levar os alunos a valorizarem a cultura escolar, certo? Para os motivar ao esforço de aprender, certo? «Tenho o prof nas mãos, tenho o seu futuro profissional, o salário, a progressão na carreira, até a segurança no trabaho, nas mãos. Para quê esforçar-me?» Muitos miúdos vão funcionar assim. Eles sabem. Muito mais do que os pais imaginam.

Aplicar a lógica empresarial às escolas é um absurdo. Lembras-te dos rankings? As perversões a que levou? Pois é, os "clientes" - pais e alunos - são parte da equação, portanto não podem ficar fora dela. E não podem avaliar, de fora, como meros clientes, um processo em que também são actores. E actores que tantas vezes não cumprem a sua parte do contrato que assumem ao matricularem os filhos, e estes ao matricular-se.

Mas, se queres que te diga, a avaliação pelos pais não é o que mais me perturba nesta "proposta" de ECD. Isso é o que mais se vê, talvez para não se ver o fundo das coisas. Este documento é perverso, é atentatório da dignidade humana e não apenas da do trabalhador. É degradante e humilhante. Pedirem-te contas por coisas que não estão nas tuas mãos? Fazerem depender disso a tua segurança profissional? Obrigarem-te a uma competição desenfreada e doentia com os teus colegas, em lugar de estimular as práticas colaborativas?! É uma coisa kafkiana.

Deixa-me terminar dizendo que tanto a escola como os professores têm de ser avaliados, que tem de haver diferenciação pelo mérito e pelas boas práticas; responsabilização das escolas e de todos os seus agentes, em especial (mas não só) dos professores. Mas não é essa a filosofia do documento que agora - uma vez mais em cima dos exames e das férias - nos chega às mãos. A má fé deste ministério, que se demarca de toda e qualquer responsabilidade, atingiu níveis que eu nunca tinha visto. E divide, divide. Devíamos estar juntos nesta luta, pais e professores, contra uma política que não é educativa, mas de um economicismo grosseiro, e que camufladamente ataca as nossas crianças a pretexto de as proteger dos mauis professores. Mas só quem está no convento sabe o que lá vai dentro. Chegará a todos. Aos vossos filhos também. A herança que lhes vamos legar é amarga. Pobres deles, Mário.

Um beijo

Afixado por Soledade em maio 30, 2006 04:16 PM

Fim da linha para nós, lbeira. Sim, acho que sim. Presos por ter cão, presos por não ter.
Abraço

Afixado por Soledade em maio 30, 2006 04:35 PM

As mentes que a pariram não deixaram nada ao acaso, Amélia. A teia teceu-se de forma perfeita e maquiavélica. Cansada...
Beijo

Afixado por Soledade em maio 30, 2006 04:39 PM

Eu sei que os pais se omitem (estive dois traumatizantes anos numa associação de pais e sofri na pele isso) e fazem mal. O que dizes também é verdade, só na hora da passagem é que acorrem com as suplicas. Para mim uma participação minima seria poder contactar os professores ao longo do ano para esclarecer dúvidas que surgem sempre em algumas disciplinas ou tão só conversar sobre as dificuldades na sua disciplina. Mas nas 2 escolas porque até agora a minha filha passou, o contacto nunca podia ser directamente com o professor, tinha de ser através do director de turma. No caso da escola actual o director de turma só atende um dia por volta das 11 da manhã o que é de convir é uma forma encapotada de dizer "não apareçam". Claro que não será agradável ouvir as queixas que temos a fazer, tal como a marcação de mais de um teste para o mesmo dia ou a não utilização do cartão magnético que se pagou no inicio do ano e que não é utilizado, mas acho que isso é o mínimo de interacção.
Estou muito angustiado com o estado da educação, mas não atiro cegamente as culpas aos professores porque isso seria injustiçar todos os bons profissionais que têm de sobreviver no meio dos outros, dos que se acomodam na preguiça, no "status quo" e que desistiram de pensar.
Neste momento faço o que posso em casa para minorar os estragos, mas não devia ser tão preciso como o é.

Um beijo Soledade

Afixado por Mário em maio 30, 2006 04:53 PM

«E, de acordo com as propostas para avaliação e a diversidade de actividades a desenvolver na "componente não lectiva", não levam a uma dispersão de energia que vai faltar para aquilo que é fundamental na nossa profissão? Que papel está reservado ao professor? Apagar todos os fogos ateados por quem quer que seja? É o professor responsável pelos problemas económicos, sociais e culturais das famílias?»

Sim, Dores, é isso que se depreende do documento.

O facto de deixar também demasiadas janelas abertas (há tempos um amigo jurista falava-me dessas interessantes "janelas" que os legisladores gostam de abrir nas leis e códigos que elaboram), enfim, o facto de deixar demasiados aspectos por definir, alguns dos quais a Dores refere, faz recear (e tudo no comportamento persecutório deste ministério aponta para aí) o pior: não é um documento para estimular a qualidade e premiar níveis de excelência, mas para ter mão de obra muito barata e para nos manter de cerviz dobrada, sob permanente ameaça. "Caça às bruxas", como disse.
A discussão do documento estava a ser feita no Aragem. Se não se importa, transfiro para lá o seu comentário.
Também vou voltar ao trabalho. Um beijo, Dores. Coragem!

Afixado por Soledade em maio 30, 2006 04:54 PM

Agradeço que transfira o comentário, por lapso não me apercebi que estava fora do lugar correcto.

Afixado por dores em maio 30, 2006 06:51 PM

Mário, na minha escola, o atendimento aos pais só pode ser marcado depois das 18h; se os pais não podem falar com o DT na hora ou no dia em que este atende, combinam uma hora que convenha a ambos. Se o pai quer falar com um professor, o DT (que tem de estar presente, entenderás a razão, ele é o "chefe" daquela equipa de profs e o elo de ligação com a família) organiza o encontro. São aspectos mínimos e fáceis de gerir se houver boa vontade e bom senso. E se se compreender que o professor também tem vida familiar, também é gente. Do cartão magnético, concordo contigo. E acrescento que todos temos levado muitos choques tecnológicos :-( Dois testes no mesmo dia: bom, são entendimentos a construir entre os profs e os alunos. Nós temos indicações para evitar essa situação, mas nem sempre é fácil, se atenderes à quantidade de disciplinas.

Tens toda a razão, estas coisas deviam ser ditas, ouvidas, explicadas, partilhadas, aprende-se muito a ouvir os outros. Acho que podíamos desenvolver o espírito de comunidade educativa até pelo convívio informal entre pais e professores. Mas não temos ainda essa cultura. E a ministra quer à força que sejamos antagonistas. Há pouco dizia na TSF que só poderão avaliar os profs os pais que forem regularmente à escola. Pronto: a possibilidade de poder influir na nossa carreira é a cenoura com que se acena aos pais. Esta mulher é indescritível!

Sorri quando falaste da tua experiência na associação de pais. Tenho um irmão com quem me "pegava" com frequência desde que o filho passou a ter idade escolar. Até ter feito parte da direcção da associação de pais do agrupamento. Foi uma experiência muito educativa para ele!

Nota que não quero tapar o sol com a peneira: sabemos que há muitos professores incompetentes e desinteressados; muitos professores mal preparados, não apenas na área pedagógica, mas também no domínio da língua materna e na sua própria área científica; professores com pouquíssima cultura geral e que já são eles próprios o produto da cultura e do ensino light. Isto é muito preocupante. Se ao menos os sindicatos não tivessem boicotado as avaliações de desempemho! Mas não adianta chorar sobre o leite derramado. Têm de ser tomadas medidas duras, tem de se exigir rigor, competência e responsabilidade aos professores e às escolas. Mas humilhá-los e pedir-lhes o impossível é camuflar sob a aparência de rigor o que não passa de economicismo puro e duro, e não nos levará a lado nenhum.

E vês o min-edu assumir as suas responsabilidades? Cada professor é que tem de pagar pelos erros e pela incúria da tutela? Quem permitiu o florescimento das universidades privadas, sem as supervisionar, universidades onde se entrava com notas negativas nas provas específicas? E se saía com grandes classificações, passando, nos concursos, à frente de outros vindos de universidades mais rigorosas?! E as ESE's?! E as licenciaturas "de aviário"?! E os novos estágios? E a formação contínua de profs? Mas é melhor não ir por aí, que me ponho doente. E ninguém presta contas por isso. Nem os órgãos de soberania ou os seus acessores são avaliados.

Olha, vamos ter a serenidade possível. Faremos o que pudermos. Ainda bem que podes apoiar as tuas filhas. Que estás atento. Nem todas as crianças têm essa sorte.

Um beijo para ti e para cada uma delas.

Afixado por Soledade em maio 30, 2006 07:35 PM

Tantos males para tão poucos remédios!
O que é triste é ficarmos sentados, enquanto os "nossos" sindicatos negoceiam mais umas abébias para a interminável lista de sindicalistas armados em defensores da profissão docente, os tais que não dão aulas e, pelos vistos, têm raiva a quem as dá? Os tais que não sabem propor outra coisa que não seja uma greve a seguir a outra greve, eles que há muito deixaram de saber o que é a realidade das escolas, e que só lá vão para "ver as montras"?
Por mim, não brinco ao boicote aos exames! Nesse barco já não me afundo!

Afixado por Assobio em junho 1, 2006 02:27 PM

É muito difícil lutar contra o absurdo, assobio rebelde. Até os alunos estavam perplexos e incomodados com as afirmações da ministra. Mas de facto nós damos o flanco: continuamos desunidos, incapazes de uma mobilização eficaz, continuamos sem uma Ordem ou outra estrutura digna que nos represente. Só temos os sindicatos, e não confiamos neles. Mas é o que temos, por ora. Deviamos reunir nas escolas, discutir a proposta, produzir contra-propostas e enviá-las aos sindicatos. Cada um de nós pode também fazê-lo, individualmente. E "controlá-los", na medida do possível, recusando por exemplo boicotes aos exames. Eu não embarquei nisso o ano passado; reluntantemente embarquei na "greve de 6ª feira", e sob protesto. Mas de facto não temos muito campo de manobra. O sindicalismo e as estruturas colectivas de representação dos trabalhadores andam também em busca de um caminho e de formas de actuação neste mundo da economia globalizada. Sinto que, gradualmente, todos os colectivos estão a ser feitos em pedaços, os sindicatos, a família, o estado, as nações. Querem-nos nus e sós - indefesos. E o documento chegou numa altura péssima: em cima dos exames e do final de um ano lectivo em que estamos exaustos e desgastados; metem-se as férias e logo a preparação de outro ano lectivo que vai ser muito complicado (viste as instruções para 2006/2007?) Não foi casual. A criatura quer que os sindicatos decretem greve aos exames. Não podemos deixá-los fazer isso. A pararmos, ou paramos a sério, em Setembro-Outubro, e paramos todos, e quanto tempo for preciso, até que o país pare connosco, ou não se pára. E temos de ser sensatos, justos e realistas naquilo que reivindicarmos. Isto é o que eu acho.

Um abraço, assobio rebelde.

P.S.: No blogue de uma colega que julgo também frequentas, fala-se do desejo generalizado de dar uns bofetões à ministra. Sim, como se fazia aos meninos malcriados, quando eu era pequena. Pensa nisso. Ou imagina a cara dela num saco de boxe... terapêutico :)

Afixado por Soledade em junho 1, 2006 06:03 PM

Embora tenha lido o texto de forma leve, chamo a atenção para os Art. 46- 2 b) c); Art 47-6 ( só com 97% de lecionação, Art. 80-2 só o professor com mais de 50 anos pode ser orientador ou supervisor pedagógico.
Em todo o diploma é permanente a intenção de travar a progressão na carreira e poder excluir. Numa palavra retirar segurança e pagar menos.

Atenção- não é a possibilidade de os pais avaliarem são as alineas b)e c) do artigo 46 que vão fazer rebentar os resultados de qualidade lectiva.

A Srª Ministra não tem noção do monstro que está a criar.

Afixado por João Norte em junho 1, 2006 06:18 PM

Concordo, João: "retirar segurança e pagar menos". Condições duríssimas de trabalho, com escassos meios, e muito escassas possibilidades de poder realizar esse trabalho com qualidade. Sucesso educativo?! Entretanto, um PNL. "Há dinheiro para gastar", diz Saramago. Pois...
E, para mal dos nossos pecados, a fenprof já fez asneira. Tinha razão o assobio rebelde. Porque não colocam eles no site as contra-propostas que apresentaram à ministra, para uma discussão em regra com os associados, em lugar de partirem para a greve, ainda por cima entre feriados, o que é tão conveniente! Aquela gente não aprende!

Afixado por Soledade em junho 2, 2006 12:09 PM

teste

Afixado por teste em junho 13, 2006 06:08 PM