Comentários: este tempo detergente

Este post está pesado.

Afixado por mrs em junho 18, 2006 02:16 AM

A escola está pesada.

Afixado por soledade em junho 18, 2006 02:23 AM

Bendita net!

O (nosso) "Pela profissão de professor", onde já vai!

;-)

Tkxxx.

Afixado por tsiwari em junho 18, 2006 10:50 PM

Não é essa a ideia, tsiwari?
Dos muitos abaixo-assinados, manifestos, etc, este foi o que assinei, fiz seguir.
Tkxx eu. E que siga :)

Afixado por Soledade em junho 18, 2006 11:06 PM

Os professores andam bem sofridos também por aqui, e acho que em nosso caso as deficiências talvez sejam mais pesadas ainda, por causa das diferenças gritantes de renda e qualidade de vida, que dividem nosso país em países diferentes. É preciso muita força para manter a fé e continuar lutando por uma escola e um ensino que sejam capazes de mudar para melhor a sociedade. Torço por vocês tanto quanto pelos daqui, Sol. Um beijo.

Afixado por adelaide em junho 19, 2006 03:53 AM

Temos um azar do caraças com os governantes, bora lá dar uma "notinha" final a estes senhorzinhos, bora lá por tudo em pratos limpos, era engraçado depois de dar o voto, retirá-lo através de uma negativa bem grande. Isto está cada vez pior, a minha solidariedade para com os professores, querem tirar-lhes a dignidade, tudo o que vos resta.

beijinhos e não há palavras que cheguem para me sentir bem em relação a este assunto.

Afixado por sonia q em junho 19, 2006 10:47 AM

Sei disso, Adelaide, sei quão dura é a vida de um professor no Brasil, e da luta de muitos por uma escola pública de qualidade, única forma, creio, de diminuir as fracturas sociais. É muito duro perceber que estamos justamente a fazer o contrário e, no caso português, a andar para trás. Sob pretexto de introduzir reformas que são de facto necessárias, vai-se destruindo a escola, manipula-se a opinião pública e cria-se um tal ruído em torno dos problemas centrais, que estes ficam obscurecidos e não resta espaço para a informação séria nem para a reflexão lúcida. O mais difícil é resistir ao desânimo e ao desejo de abandonar o barco.
Obrigada pelo apoio, minha amiga.

Afixado por Soledade em junho 20, 2006 01:47 PM

Sónia, infelizmente estes senhores estão acima de qualquer avaliação, e nem o voto é já prova de fogo, porque troca o disco e toca a mesma. Nem contas lhes conseguimos pedir na justiça, quando é caso disso. Roubam-nos quase tudo, mas a dignidade não roubarão, ainda que pensem que sim.
Muito obrigada, Sónia, é bom ouvir uma voz solidária.

Afixado por Soledade em junho 20, 2006 02:01 PM

Ainda que a destruição da escola pareça, infelizmente, inevitável nos tempos que correm, esta tentativa de destruição da nossa escola é ainda evitável. Onde estão os sindicatos? Que estão a fazer? Terão capacidade para ver que só lhes deixam negociar o mais obviamente inaceitável - note-se a situação prevista para a maternidade e acompanhamento dos filhos - e passar para uma análise global das ilegalidades? Esse foi o caso dos exames de 12º ano, por via dos quais se tentou institucinalizar o negócio que é a TLEBS; finalmente, não se atreveram, mas não restam dúvidas de que provavelmente não lhes aconteceria nada se o fizessem...
A única solução é pô-los em tribunal, caso a caso, ponto a ponto, até que recuem (e ainda assim...) até à mais estrita legalidade.
Se assim não for, recuamos inevitavelmente ao tempo da outra senhora, cujos sinais são já bem evidentes. Basta já!

Afixado por Paula Lago em junho 21, 2006 12:30 AM

PÚBLICO nº 5927 | Domingo, 18 de Junho de 2006

A palavra ensinar foi banida do vocabulário do Ministério da Educação

Nuno Crato, matemático

Público - Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo particularmente agitado: começou com a polémica em torno das aulas de substituição e acaba com outra em torno da revisão do estatuto da carreira docente. Foi essencialmente só ruído ou as coisas estão a mudar?
Nuno Crato - Precisamos de deixar a poeira pousar para ver o que se passa. Mas julgo que um dos principais perigos deste ano é o de sair-se dele com uma guerra contra os professores. Isso é o pior que poderia existir neste momento. E é uma guerra que não tem sentido. Se alguém pretende culpar os professores sobre o que aconteceu nos últimos anos está a falhar o alvo. Porque o responsável do que se passou nos últimos 20 anos é essencialmente o Ministério da Educação. O ministério mudou muito, os ministros mudaram, mas há um grupo, uma "nomenklatura", feita de técnicos superiores do ministério e de teóricos da educação, que forjaram uma aliança ao longo de décadas, que é de facto quem manda na educação do país. Estou absolutamente convencido disso.

P - Os professores estão então isentos de culpas?
R - Se há culpas dos professores, essas também se devem ao Ministério. Por exemplo, se alguns professores não têm a melhor preparação científica isso deve-se ao Ministério da Educação que durante décadas se recusou a fazer aquilo que era evidentemente necessário, que era um exame de entrada na profissão.
P- Que está agora previsto no novo estatuto da carreira docente
R- Pois está e esperemos que funcione bem. Mas para que isso aconteça terá que ser um exame sobre os conhecimentos dos professores e não sobre "pedagogices". E conhecimentos não só numa área especifica, sobretudo quando se fala dos dois primeiros ciclos. Qualquer professor deve ter uma ideia de quem foi Almeida Garrett, seja docente de História, de Português ou de Matemática. Qualquer professor deve ter uma ideia do que é a lei da queda dos graves. Os professores devem ter esse tipo de cultura geral, digamos assim. Não podem dar erros graves de português, não podem dar erros elementares de Matemática. E depois, na área especifica, devem saber o suficiente para estar perfeitamente à vontade naquilo que vão ensinar. Infelizmente não é isso que se passa com alguns professores. Mas nós temos os docentes que o Ministério quis.
P - Os professores têm razão em sentirem-se zangados com esta ministra?
R- Têm razões para estarem zangados com todos os ministros, embora com a actual titular as questões tenham sido mais amplificadas do que aquilo que mereceriam ser. Pode ser que alguns tenham abdicado de ensinar, mas foi o Ministério, através de uma série de orientações e contra-orientações, quem destruiu as escolas. Este ano, só há cerca de mês e meio é que estas receberam indicações sobre os exames e lhes foram enviadas as provas tipo. Até lá, nem os professores, nem as famílias, nem os alunos não sabiam coisas essenciais sobre os exames. Como é que se pode trabalhar assim? Como é que se organiza um ano lectivo nestas condições?
P - As medidas que foram sendo anunciadas este ano lectivo poderão trazer mais qualidade ao ensino?
R- Penso que, em geral, vão na direcção certa e vão ao encontro de coisas que durante muito tempo praticamente só a Sociedade Portuguesa de Matemática defendeu. Por exemplo, a necessidade de exames para professores; de um número mínimo de horas de Matemática no primeiro ciclo; a insistência nos conteúdos curriculares; a existência de exames. Foram medidas preconizadas pela Sociedade Portuguesa de Matemática e muito criticadas por parte de uma série de sectores, nomeadamente por parte dessa nomenkclatura que dirige a educação em Portugal e contra a qual muitas vezes os ministros nada podem. Conta-se aquela história sobre de a Manuela Ferreira Leite [ministra da Educação entre 1993 e 1995 ] ter dito, batendo com o pé no chão, no seu gabinete: "Daqui para baixo [do 13º andar para baixo] não mando nada".
Todos os que passaram pelo Ministério da Educação se queixam de que pouco puderam fazer, que havia aquela máquina gigantesca que ia tomando conta das coisas. E é disso que tenho temos muito medoreceio. De que também estas novas medidas , apesar de serem bem intencionadas, venham a ser, na sua concretização, completamente deturpadas. Por exemplo, a obrigatoriedade dos exames para professores pode ser completamente deturpada.
P - Tudo depende do tipo de exame e de quem o faz?
R - Pois é. E o mesmo no que respeita ao novo estatuto da carreira docente. Toda a gente anda a discutir se os professores devem ser avaliados, se não devem; se os pais devem avaliar, se não. Como se, a pretexto da avaliação, se estivesse a fazer uma guerra contra ou a favor dos professores. Ora, a avaliação é necessária. Mas quem escreveu o novo estatuto da carreira docente conseguiu introduzir um artigo que liquida toda a capacidade de avaliação dos professores. Trata-se do artigo sobre o conteúdo funcional da docência [36º-2], aquele que estipula quais são as funções dos professores. E as funções dos professores deixaram de ser ensinar. Aparece ali listado um numero inacreditável delas: os professores aparecem transformados em animadores culturais, em mediadores entre a família e a escola, etc; e a sua função primeira não é ensinar, mas sim criar "situações de aprendizagem". Aliás, curiosamente, a palavra "ensinar" não aparece uma única vez no documento, que tem 55 páginas. Não é isto sintomático?
Na verdade, liquidou-se de vez qualquer capacidade de avaliação dos professores. Vai-se avaliar o quê? Se o professor criou situações de aprendizagem? Se o professor se relaciona bem com as famílias? Se relaciona bem com colegas? É isso que se vaimos avaliar?
P - Faz-se por um lado, desfaz-se por outro. É obra da tal nomenkclatura que referiu?
R - Não tenho dúvidas nenhuma disso. O que há de novo é que esta "nomenklatura" deixou cair da sua linguagem os aspectos mais dogmáticos, mais visíveis, e passou a actuar de forma a dizer que sim, que está bem, sigamos o que a ministra diz, mas na prática faz-se o contrário. No novo estatuto vacinou-se tudo o que ali está escrito contra qualquer efeito que possa vir a ter. Não se pode fazer avaliação de professores e ser-se objectivo, sem ser claro sobre quais são as funções do professor. E as funções do professor são ensinar. O que temos de avaliar é essa capacidade do professor de ensinar. Mas esta palavra "ensinar" parece que foi banida do vocabulário.
E esta situação é facilitada pela inexistência de avaliação externa. Os momentos de avaliação externa são quase nulos. Felizmente este último ano, e pela primeira vez há muito tempo já, houve um avaliação externa nacional no 9 º ano. A Matemática e a Português.
É uma coisa muito importante, mas trata-se de uma gota de água no oceano. São só duas disciplinas e é só no 9º ano de escolaridade. Ou seja, continua a não existir uma avaliação externa em todos os outros graus intermédios. O que levante esta outra questão: como é que vamos então avaliar os professores se não temos essa avaliação externa sobre o próprio resultado do seu trabalho, que é o conhecimento dos alunos?
P - É esse o único parâmetro?
R - Penso que sim, que é praticamente o único. O que é que o professor conseguiu acrescentar aos alunos. Isso é o que há de mais avaliável. Mas quando se trata de um professor do primeiro ou do segundo ciclo, onde não existem exames, como é que se vai fazer essa avaliação? Tem que haver dados objectivos. Tudo está dependente disso, dessa baliza externa, e sem ela a própria possibilidade da avaliação pode ficar completamente liquidada.
P - O que está a dizer é que apesar de toda a agitação deste ano nada de essencial mudou ainda
R - Mudou o discurso e há uma vontade expressa de mudar da parte de muita gente, nomeadamente da parte da ministra da Educação. Mas é preciso que se perceba que é preciso mudar também os fundamentos teóricos. E isso ainda não aconteceu. Por exemplo, o novo plano nacional da Matemática refere como trave mestra o "Currículo Nacional do Ensino Básico: Competências Essenciais", um documento implementado em 2001 pela anterior equipa do Ministério da Educação, dirigida por Ana Benavente [secretária de Estado da Educação entre 1995 e 2001 ], onde se consubstancia precisamente toda a doutrina que liquidou a educação em Portugal.
Na Matemática toda esta doutrina tem de facto um momento máximo e esse momento é o da implementação daquele documento, que coloca em oposição as aprendizagens e a criatividade; o conhecimento e a competência matemática; a memorização e a capacidade de resolução problemas. É um documento que defende que tudo vem da motivação e da resolução de problemas não rotineiros. Há um problema essencial desta ideologia, que é o de achar que há só um caminho para as coisas. O documento de 2001 não devia servir de base para nada, mas no novo plano temo-lo de novo pela frente.
P - O que é feito então da vontade de mudar?
R - Ela existe e algo se passou também na opinião pública em geral, que está mais atenta e quer essa mudança. As posições da ministra reflectem essa alteração. Já não estamos como estávamos há cinco anos, mas não sei o que vai resultar daqui. Talvez se passe como naquele livro do Lénine, que se dê um passo em frente e dois para trás. Ou então dois em frente e um para trás. Não sei. O que sei, porque a conheço desde há bastante anos, é que esta "nomenklatura" tem uma capacidade inacreditável para transformar em zero seja que medidas forem.
P - Essa ideologia de que falou foi algo que nos aconteceu só a nós?
R - Aconteceu em muitos outros países. Aconteceu nos Estados Unidos e muito mais cedo do que cá. Mas os EUA têm uma maneira de gerir a educação muito mais descentralizada, e por isso enquanto esta ia sendo destruída num lado, ia sendo construída noutro. Muitas vezes dentro da mesma localidade e em escolas dirigidas pelo mesmo conselho de educação. Ou seja, no mesmo sítio e dentro das directivas de um mesmo conselho, existem escolas que têm perspectivas assumidamente diferentes e as pessoas podem escolher aquela que mais gostam. Há essa possibilidade de escolher e não estou a falar de escolas particulares. Aqui não, é tudo monolítico.
P - Defende então que a autonomia das escolas é essencial?
R - Sem dúvida. Mas neste momento é pura conversa por cá. As escolas não têm autonomia para nada. Estou-me a lembrar do que se passou há uns poucos de anos, com a polémica das aulas passarem a ser de 90 minutos ou continuarem nos 50. É inacreditável o envolvimento total do Ministério da Educação nisto. Como se para todas as escolas do país, para todas as crianças, existisse uma e apenas uma medida certa. Porque é que não se deixou as escolas escolherem? Que uma tivesse aulas de 50 minutos e outra de 90? Mas não. O Ministério da Educação tenta sempre controlar todo o processo até ao mais ínfimo pormenor, quando o que devia fazer, e quase só, era controlar os resultados.
Na minha opinião, o Ministério da Educação devia ser praticamente só o ministério dos exames, um instrumento sobretudo avaliador dos resultados, dando liberdade às pessoas e às escolas paras seguirem os seus caminhos. Claro que se houvesse liberdade educativa, como existe noutros países, rapidamente as escolas que funcionam pior seriam abandonadas e teriam que reformular a sua política sob pena de desaparecerem. Com reflexo nos próprios professores que funcionam pior.
P - Os pais devem avaliar os professores? Pensa que isso é fazível?
R - Não. Com o paiís que nos temos e da maneira como as coisas estão organizadas, não vejo como. Mas os pais deviam poder avaliar, escolhendo a escola. Isso sim.
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De acordo a noventa e muitos por cento.

Afixado por jose em junho 21, 2006 01:19 AM

José, obrigada pela extensa citação :-) Vou ver se conseguirei adicionar o artigo ao corpo da entrada. Para já, destaco:

«a avaliação é necessária. Mas quem escreveu o novo estatuto da carreira docente conseguiu introduzir um artigo que liquida toda a capacidade de avaliação».

Nem mais. A proposta do ECD é um documento perverso, não pelo desiderato que aparentemente lhe assiste, de maior rigor e exigência, mas porque boicota a possibilidade de se atingir tal desiderato. Até porque:

«...as funções dos professores deixaram de ser ensinar. (...) Aliás, curiosamente, a palavra "ensinar" não aparece uma única vez no documento, que tem 55 páginas.»

É isto que vimos dizendo há que tempos. Que ensinar e aprender se tornaram despiciendos, em Portugal. Mas quem nos ouve? O ruído é tremendo.

No entanto, se concordo em absoluto com o Nuno Crato quando afirma que o professor, além de conhecimentos sólidos na sua área específica, deveria ser senhor de uma sólida cultura geral, (onde vai o tempo em que isso era regra? E quem mantém hábitos de leitura, hoje em dia? Lêem-se as sinopses das sinopses, mastigadas cem vezes, em qualquer site da net), não posso deixar de lado as "pedagogices", apesar de discordar de muitas das que vigoram. Pois não há apenas que saber, há que saber ensinar, também. E contra ventos e marés, que pouca gente quer aprender, o que torna o nosso ofício bem árduo. Portanto, diria que nem 8 nem 80. Na formação do professor, a par de sólida formação científica, sólida formação pedagógica.

Também defendo os exames, reconhecendo-lhes embora alguns efeitos perversos como o de eventualmente conduzirem a um empobrecimento dos curricula. E quem viu o recente exame de Português de 12º Ano do novo programa percebe exactamente o que quero dizer. Creio, portanto, que os exames podem ser um excelente elemento regulador - e precisamos de elementos reguladores, precisamos de uma fiável avaliação externa - mas a existência de exames, por si só, não é garante de nada nem constitui solução para a falta de qualidade das aprendizagens.

Quanto às medidas tomadas pela ministra, mesmo as que poderiam ter sido benéficas, a mim parece que o não foram. E as poucas que o foram não valeram o sofrimento e o desgaste que causaram. Aliás, o relatório que a própria ministra pediu, a equipa da sua confiança, sobre a eficácia dessas medidas, aponta 3 áreas *difusas* de melhoria, e 11 áreas de pioria (cito de cor, não tenho aqui o documento, mas a proporção é essa). Mas quem soube disto?

No entanto a ministra, que acabo de ouvir na Antena2, está a ser extremamente eficaz: o ME é campeão na contenção da despesa pública; e cá temos uma proposta de ECD e um curriculum desenhados para quem?! E uma escola pública destinada a quem?!

Um abraço, José, é sempre um prazer!

Afixado por Soledade em junho 21, 2006 02:16 PM

Paula, é como diz: enquanto se ergue muita poeira em torno de questões menores, não se vê o essencial. Eu acredito que já estamos no tempo da outra senhora, ou melhor, de nova senhora, em tudo igual à antiga, excepto por esta única diferença: a ilusão de liberdade, o estarmos aqui a escrever estas coisas. Mas deixarem-nos falar não tem riscos, até contribuimos para o ruído geral. A censura faz-se agora de outros modos. Quanto ao exame, tive a minha 1ª avaliação "maternal": então andei a torturar os alunos com tanta matéria, especialmente com a TLEBS, e vai daí, nada?! Fiquei um bocado enxofrada, de início, suponho que me acusaram de excesso de zelo. Mas se os exames continuarem neste suave deslize, não sei, não. Acredito que o GAVE quis poupar estes miúdos. Como cobaias, já levam uma valente dose. Mas o facto é que encobriu. Teria sido interessante e instrutivo ver a reacção dos EE, dos alunos e do país em geral se a prova que se configurava tivesse afinal vindo a lume. Assim, uma das maiores trapalhadas do min-edu passou sem se dar por ela. Sei que a terminologia está a ser revista. Esperemos mais sensatez: o que é da linguística, à linguística; o que é da escola, à escola. As duas cruzam-se, é claro, mas distingam-se as gramáticas científica e pedagógica, como já o dizia Chomsky, quando pusemos as crianças a aprender a generativo-transformacional.
Um abraço.

Afixado por Soledade em junho 21, 2006 03:19 PM

Vou recolher todo este "material", comentários incluídos, para o dossier que tenho estado a fazer...agradeço-te as tuas referências ciente de que pelo menos mts de nós não cairão pela ignorância...mas lá que estou preocupado lá isso estou...muito!
Um grande abraço solidário
Morfeu

Afixado por morfeu em junho 22, 2006 07:57 PM

Morfeu, também venho constituindo um dossier sobre estas questões, partilhando documentos aqui, e algum do meu material vem do teu Anomalias. Sinto, como tu, que é imperioso guardar testemunho para que a História se faça. Mas sabes do que é que sinto falta? De um espaço/tempo para reflexão solitária, sem esta algazarra. Que máquina de propaganda deve ter este governo, este ministério da educação! Preciso de repensar a sós, antes de passar à discussão alargada, as minhas práticas pedagógicas; de olhar com algum distanciamento a escola; de perceber como será possível reconduzi-la à sua missão mais nobre e urgente; de perceber como posso eu, professora, envolver-me nisso. Preciso de silêncio. Mas estamos sob constante bombardeio. E não há dia em que não chegue às escolas ou não seja anunciada nos media nova medida, nova regulamentação, nova (ou não tão nova, mas pintada de amarelo)... É o blitz. E arquejamos sob o peso deste furor normativo e legislativo, independentemente da sua exequibilidade ou oportunidade.
Francisco, construamos a nossa rede de entre-ajuda. E resistamos.
Um abraço amigo

Afixado por Soledade em junho 23, 2006 01:26 PM

A mim o que me chateia sobremaneira é a hipocrisia que serve de capa ao básico "não há dinheiro"...porém, eu pergunto: não haverá? Ainda hoje ouvi um trecho de debate na antena 1,e,uma das intervenientes - não me recordo o nome - defendeu vivamente a Ministra enaltecendo a sua coragem etc, etc,.Era professora e a páginas tantas entrou em contradição com o que tinha afirmado, de índole pedagógica, para linearmente afirmar...o país está economicamente em dificuldades e há que cortar...não fora isso e metade guerrilha que existe na educação nem sequer se colocava...enfim, só quem é cego de inteligência é que não vê a coisa...
Sempre solidário
Abraço
Morfeu/F.

Afixado por morfeu em junho 23, 2006 09:00 PM