Lindíssimo, amiga!Que bom esse eterno recomeço expresso em
«Só o ar
ondula incerto outra vez.»
Assim até o desalento se torna força ou vontade dela.E que beleza essa do 1ºverso:
«Enchem-se as mãos de asas, são para ir. »
Então voemos!
É lindo. A Amélia já o disse, mas insisto(o poema em nada fica acrescentado; fiquei eu).
"Só o ar/ondula incerto outra vez" leva-me a Eugénio de Andrade a dizer:
"É assim:
a gente despede-se, vai-se
embora amaldiçoando a terra,
.....
...morrendo por regressar
ao cheiro da palha seca, ao calor
animal do estábulo,
ao sonho do quintalório
..."
Pois é: o vento que nos leva também sabe trazer-nos
Um belíssimo poema que me encheu de asas, não apenas as mãos, mas (e principalmente) a vontade... Um beijinho, levado pelo vento do norte
Afixado por Helena em setembro 7, 2006 07:00 PMVoemos então para longe, Amélia, de onde não se torne mais. Beijinho
Afixado por Soledade em setembro 7, 2006 08:25 PMNão!... Voemos nem que seja no sonho, voemos à procura daquilo a que temos direito, mas voltamos. Firmes!...
Afixado por João Norte em setembro 7, 2006 08:47 PMZef, o "quintalório", se ainda há lugar a sonhos, é o melhor de todos, "porque não há no mundo/outro lugar onde/enfim dê tanto gosto chafurdar". Que é como quem diz, viver ao rés da terra, no calor do estábulo, do corpo satisfeito e da alma quieta.
Obrigada pela apreciação e por trazer Eugénio de Andrade.
Um beijo
João, voltemos então, firmes não sei, mas vamos tentar :)
Um grande abraço, cá estamos de regresso às neblinas do oeste e a mais um ano difícil.
Helena, contente fico eu de a "receber" aqui. A casa é sempre sua. Ainda o vento norte, colega? Haverá manhãs brancas de geada. Não é mau. Eu tenho receio é quando o vento sopra de sul. Nunca traz coisa boa.
Um beijinho, saudades!
Afixado por Soledade em setembro 7, 2006 09:21 PM«Eu tenho receio é quando o vento sopra de sul. Nunca traz coisa boa.»
Às vezes traz: olha a Toada de Portalegre do Régio...
[...]
Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
[...]
Quanto ao resto: prefiro desejar que sejamos, como somos e é de nossa condição, aves migratórias...
Ao Régio, o suão traz-lhe uma folhinha ao craveiro, a mim leva-me as cadeiras da varanda a voar pelos ares como a casa de Dorothy no Feiticeiroi de Oz. Admite que tenhamos pontos de vista diferentes :)
Bj, até amanhã
continua a morar aqui a excelência. é bom regressar onde sabemos o que nos espera. beijinho. J.
Afixado por jorge em setembro 9, 2006 12:46 AMJorge, há quanto tempo! Que se passará na tua Extensa Madrugada? No teu Som dos Dias? Trilhos que preciso de retomar
Um beijo
Que beleza, Sol! E que contraste com o meu "respirar" . : ) Gosto muito.
Beijos,
Ó malmal, que boa visita! :)
Um beijo
Respirámos a ritmos vários, desta vez, Silvia ;-)
Bj