Comentários: Os alunos, os encarregados de educação e a avaliação de desempenho

Sobre o primeiro ponto, concordo. É absurdo o abandono escolar fazer parte da avaliação individual do professor - este aspecto terá maior relevância numa apreciação da escola no seu todo. Em relação aos resultados, penso que a intenção será fazer a avaliação a partir de exames e não a partir das classificações internas. Se se partir das classificações internas, surgirão problemas de credibilidade da avaliação, uma vez que não existem mecanismos nacionais de nivelamento de critérios. Se se partir de exames, que exames? A menos que eles sejam criados anualmente a nível central ou de escola, não vejo como se poderá acompanhar o desempenho do professor. Penso que a ideia (que não me repugna, nem entusiasma) foi avançada para agradar a uma parte do eleitorado sem se ter a noção exacta de como poderá ser aplicada, correndo-se o risco de se tornar um procedimento burocrático inconsequente (deve ser isto aquilo a que chamam demagogia). A mesma coisa para a avaliação pelos pais - é elevadíssima a probablidade de a proposta cair ou de se tornar numa rotina irrelevante de preenchimento de formulários. A rotina burocrática chegará tão cedo quanto mais cedo for cumprido o objectivo de baixar o bolo salarial total dos professores; passados uns anos (poucos) um ME iluminado descobre que a avaliação não funciona nem operou maravilhas no sucesso escolar e fará um novo "regime" redentor. Se houvesse alguma decência e visão, a avaliação do professor centrar-se-ia em observação, discussão e avaliação de aulas, planificações e materiais; as avaliações poderiam fazer-se por áreas disciplinares (ano X: ciências e línguas; ano y: artes e ciências sociais), recolhendo-se informação de diagnóstico do ensino e das aprendizagens que se fazem e que serviria para fazer recomedações ao professor (individualmente) e a nível nacional; os exames poderiam ser mais realistas, isto é, partirem do trabalho efectivamente feito, sem prejuízo de serem nivelados pela fasquia mais alta; aproveitar-se-ia cada processo de avaliação para divulgar práticas (em acções de formação, publicações, documentários vídeo, etc.). Mas tudo isto tudo é caro, dá trabalho e exige muito mais seriedade do que a incompetente, patética e improdutiva sofreguidão legislativa que temos tolerado por demasiado tempo.

Afixado por pedro em setembro 7, 2006 02:16 PM

A luta deve ser travada sensibilizando e não hostilizando a opinião pública, argumentando e não meramente recusando, propondo alternativas para o que se considera mal, recorrendo aos tribunais se necessário para trvar abusos evidentes contra direitos adquiridos, que não devem funcionar apenas em outras situações. A gritaria, por si só, só produz ruído e ajuda à confusão e à descredibilização da própria classe docente.

Afixado por Paulo G. em setembro 8, 2006 04:01 PM

Agradeço desde já estes dois comentários, não só pelo seu teor, mas também por me ter dado a conhecer dois excelentes blogues que demonstram que a educação na blogosfera em Portugal esta cada vez mais profícua, o que demonstra também que há uma quantidade enorme de professores que vivem a sua profissão com grande cometimento. Em relação ao comentário do Pedro, observei o seu esforço em tentar criar um modo de avaliação a partir da avaliação dos alunos, de algum modo demonstrando a dificuldade em fazê-lo. Acrescentaria o facto de os exames serem um modo pouco rigoroso de avaliação. Para ser minimamente justo teria de haver uma avaliação externa mais sistemática, não só 90 minutos de uma prova no fim de um ano lectivo ou ciclo de ensino. Para além disso, teria de se ter em conta os conhecimentos prévios dos alunos antes do início do trabalho com o professor em causa, bem como o seu background familiar, outro grande responsável pelo desempenho escolar. Por tudo isto, e demais razões, será muito difícil avaliar o desempenho dos professores a partir destes dados.
Em relação ao comentário do Paulo, não poderia estar mais de acordo. É importante que os professores adoptem uma postura crítica mas construtiva, criticando com argumentação válida quando tal se justifique, mas ouvindo as propostas tendo em conta que há coisas que estão mal e que é necessário efectuar algo de forma a melhorar esses pontos.

Afixado por andrepacheco em setembro 9, 2006 07:36 PM

VOCEIS TEM QUE COLOCAR COMONTARIOS NÃO OS DIREITOS TODOS NOS SABEMOS OS NOSSOS DIREITOS JA ESTOU FARTA DE FALAR DISSO CARALHO

Afixado por Amanda em outubro 20, 2006 05:21 PM

Pais preocupados com a educação dos filhos, ai não que não estamos. Senão vejamos.
Nessa Escola Secundária do Castelo da Maia os alunos são convidados por uma espécie de rede, para o ATL Guia do Estudo. Garantem boas notas para os nossos filhos a um preço razoável! Segundo consta até dão os testes que irão sair com a devida antecedência. A ser tudo isto verdade, pergunta-se? Serão os professores angariadores de clientes de ATLs? Os alunos que préviamente sabem que lhes garantem uma excelente nota, portar-se-ão nas aulas devidamente, deixando os que não têm possibilidades de frequentar tais ATLs tirar o devido aproveitamento das aulas.
Será que os professores que induzem os pais a colocar os seus educandos nos referidos ATLs deveriam estar no ensino Público?

Afixado por Valetudo em abril 23, 2007 01:06 PM

É verdade Valetudo. Os professores só pensam em dinheiro e estão-se cagando prós miúdos. Reforma do Ensino já e esses comerciantes de notas pró desemprego urgentemente. É uma vergonha

Afixado por Poucavergonha em abril 23, 2007 07:16 PM

Algumas professoras primárias continuam a bater nas crianças desde a 1º ano, com 5 e 6 anos levam chapadas na cabeça, e não por serem mal educadas.Pura e simplesmente porque estes professores não têm maneiras nem paciência para receberem crianças que estavam habituadas a um infantário.O ministério da educação(no meu caso a DRE do Algarve) deve saber que continuam a haver pais calados,com receio e a certeza que se reclamarem com a professora continuarão ainda com mais represálias, e os seus filhos com medo de ir á escola. Faro

Afixado por Anónima em junho 25, 2007 11:51 AM

Sempre aconteceu alguns professores baterem nos alunos, sobretudo nos miúdos mais novos. Concordo que se este facto tivesse relacionado com má educação dos alunos haveria muito a discutir e não seria um assunto para conclusões simplistas. Infelizmente estamos a falar de professores que, possivelmente por não gostarem do que fazem, não têm paciência perante o erro académico do aluno e outras situações similares. Não será necessário reflectir muito para condenar energicamente tais atitudes. Para além da atitude estúpida por si só, os resultados esperados na estima e no percurso escolar dos alunos são simplesmente aterradores.
Pena é que hajam situações destas (e outras igualmente graves), que sejam do conhecimento de autoridades competentes, e que nada seja feito.
Sou professor mas não poderei ter uma atitude corporativista perante a mediocridade e a falta de profissionalismo e brio na função que desempenho. É toda uma classe que fica mal vista devido a falhas de um pequeno grupo que a ela pertencente.

Afixado por andrepacheco em junho 30, 2007 04:22 PM
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