E A DOR, COMO A UM DONO, VEIO LAMBER-ME
Estávamos a conversar e eu pus-me de gatas
Na linguagem, um arco-íris todo lágrimas e perguntas
Que vinha de chinelos pelo corredor.
Fui contra, aos encontrões
Contra todas as carícias, contra todos os braços suplicantes
Contra todos os pedidos de amor
E a dor, como a um dono, veio lamber-me.
Carlos Bessa in "Lançam-se os músculos em brutal oficina"
A grande viagem que se faz hoje é a da solidão em paragens de ausências.
Belíssimo texto.
Dito por su no dia 24 de setembro 2006, às 03h16visita n.º1
Dito por visitante no dia 3 de outubro 2006, às 22h05