São braços quase humanos
que a solidão exige
serem uma metáfora,
ó castanheiro morto, "excesso puro"
ao alto contra o céu,
espelho de memórias breves
como a sua infinita imagem.
Imagino que delícia deve ser essa Correspondência a Três, Sol. E que bela imagem! Um beijo, uma boa semana.
Afixado por adelaide em setembro 16, 2006 08:32 PMSaiu em duplicado, o weblog.pt anda errático.
Afixado por Nuno em setembro 16, 2006 10:55 PMNuno, não sei como agradecer o poema - a beleza do poema e a perfeita leitura do que sinto sempre que olho este castanheiro morto há 15 ou 16 anos e que assim se mantém, de ramos erguidos, espelhando no céu memórias que não vem ao caso trazer aqui. Fotografei-o dezenas de vezes, talvez não precise agora de o fazer mais.
Obrigada. Um beijo
É sim, Adelaide, é um livro a não perder, cartas de arrebatamento poético e amoroso. A imagem é a foto de um castanheiro, na casa do meu pai. Este castanheiro é tão belo! Tornou-se branco. Uma árvore morta e erecta é algo de tremendo.
Um beijo, bom fim de semana
Já não está em duplicado :) Está lento, o sistema, os comentários e a edição também.
Boa imagem, Soledade.
Poética e heróica :o)
Bjs
Como se pode amar uma árvore!...Um dia, na minha adolescência, vi morrer, de morte natural, uma árvore, no quintal do meu avô.E caiu, docemente, como se diz no Principezinho -et tomba, doucement, comme tombe un arbre -.Nunca mais esqueci...
E vêm-me à memória as palavras de um belíssismo poema de Saul Dias:
Havia
na minha rua
uma árvore triste.
Quebrou-a o vento.
Ficou tombada
Dias e dias
sem um lamento
(Assim fiquei quando partiste)
Um beijo também por estas memórias.
Afixado por AMÉLIA em setembro 17, 2006 12:26 PMPenso que não vou ter tempo para ver a morrer o punhado de árvores que vamos pondo no quintal. Estão a esforçar-se por crescer, mas ainda não enchem os olhos da cara, mas já vão rindo aos da alma.
Tem-se o vício de se querer que, logo que plantadas, apanhem os ritmos das nossas estações e os ritos que queremos nas nossas festas…É coisa que não fazem, e com razão: talvez saibam que nos faz mal vê-las a morrer…
Beijos. Bom domingo.
Como braços erguidos em desespero. Ou talvez em louvor.
Afixado por M em setembro 18, 2006 02:47 AM[Psiu...Sou a visitante nº 56 025 !]-:)
Afixado por amélia em setembro 18, 2006 08:55 PMgota d'água, obrigada pela exactidão do comentário sobre a minha árvore.Quanto a dizeres-me que gostas da imagem, a apreciação, vinda de uma mestre na fotografia e de uma esteta enche-me de orgulho :)
Bj
Amélia, é uma bela memória de infância, a que trazes aqui, e um triste, terno poema, mais que oportuno. Obrigada.
Um beijo
O Zef tem o privilégio de plantar árvores e vê-las crescer ao seu ritmo lento, tão lento e tão lá delas, que os olhos da cara e da alma têm de estar muito atentos para notar as pequenas diferenças. Essa atenção é uma forma de amor. Mesmo às romãzeiras renitentes :)
Um beijo para todos em Pasárgada,.
P.S.: Eu acho que descobri um segredo, mas tem-me faltado tempo para averiguar. Um segredo bonito :-)
M, obrigada pela interpretação sensível da imagem. A minha árvore afinal vive nos vossos olhos.
Um beijo
Amélia, e se eu, de pura maldade, ocultasse o contador do Nocturno? ;-)
...bem gritam os seus ramos,consolando-se na cobertura do azul ... é um privilégio poder plantar uma árvore. Pena é o tempo que leva a crescer...por isso doi ver a morte adiada desta árvore, deste castanheiro... tantos havia...
Um abraço
Morfeu
Ei, fica quietinha e deixa lá o contador em paz!...:)
Afixado por amélia em setembro 19, 2006 04:45 PMEstou curioso! :-) Se o segredo é bonito, já sei que nenhum embondeiro me vai alagar o planeta...
Beijos.
É verdade, Morfeu, tantos castanheiros havia, mas doenças, fogos e abandono têm sido uma voragem.
Um abraço
Está curioso, Zef? :) Mas vamos fazer render o peixe mais um pouco, que me tem faltado o tempo de navegar por estas e outras bandas do oceano cibernético E por falar de peixe, tive hoje um bocadinho, à hora de almoço, para lembrar aqui no Nocturno um texto em louvor e morigeração dos peixes. Preferia tê-lo editado na 2ª feira, mas o tempo não é elástico. E depois, 2ª feira ou hoje, nada mudou.
Então espere mais um pouco pelo segredo que eu vou ali trabalhar ainda umas horas e logo volto.
Um beijinho
Tenho andado um pouco fora destas navegações. Ontem vi este castanheiro, ou o que resta dele, e trouxe-me à memória um triste Fevereiro de 2002 em que de um "castanheiro" com três "ramadas", uma secou ...partiu. Nessa altura fotografei tudo o que era árvore morta ou em "hibernação" e que tivesse apenas três ou duas ramadas principais - o que fora e o que passara a ser. Continuo ainda a olhar essas fotos e a lamentar o "ramo" perdido. A fotografia do seu castanheiro faz parte daquelas imagens tão ingénuas mas que em mim despertam uma torrente de emoções. O texto ... basta ser de quem é. Obrigada por esta partilha.
E já agora, um bom ano também para si. Apesar de tudo e ..."a pesar" tudo.
Dores, a morte deste castanheiro também está ligada a um ano triste na minha vida. Há estranhas simetrias.
Sim, a "pesar tudo". Mas a alegria, a entrega, a eficácia educativa por via do rigor associado ao afecto (como a entendia Sebastião da Gama, por exemplo), não contam. A escola tornou-se uma folha de papel quadriculado.
Um abraço, Dores.