« (...) o problema não era os professores estarem a ensinar gramática a alunos que a não possuíam, mas o facto de estarem a ensinar uma gramática estereotipada a alunos que têm uma gramática muito diferente.»
E não devia o Ensino ir no sentido do progresso, da evolução - construindo competências e não baralhando-as? O Ensino português (como, aliás, qualquer outro) devia seguir um movimento centrífugo, sendo o centro o corpo estudantil, que tanto tem vindo a sofrer com medidas desajustadas às reais necessidades de uma sociedade juvenil cada vez mais variada, heterógenea e com "exigências" tão específicas, que não podem ser ignoradas. Primeiro os Alunos, depois os Serviços... foi isto que me ensinaram!
Talvez esta seja apenas mais uma posição algo radical ou até ingénua de uma sonhadora descontente com qualquer coisa que nem sabe bem o que é... mas talvez haja por aqui qualquer coisa de verdadeiro. Quem sabe um dia olharei de outro modo estas "verdades".
Saudações lisboetas!
Até breve
Magnífica, Soledade, a amplitude desta visão, parabéns mais uma vez pela actualidade.
Viu o artigo do Graça Moura no DN de hoje? O artigo vale a pena, até porque Graça Moura tem a coragem de jogar no campo do opositor; no entanto destaco, pela singularidade e pelo ridículo do uso de uma peça de roupa do avesso quando o direito já está roto, a postura recente da APP, que até à data não conhecia: «O presidente da Associação de Professores de Português, Feytor Pinto, confessa que "a APP não sabe ainda se esta terminologia é a terminologia de que o sistema educativo tem necessidade" (JL/Educação, 22.11.2006).»
Urge esclarecer. Permita-me que deixe aqui o link para este este precioso documento escrito por Edite Prada, colaboradora do Ciberdúvidas. Trata-se de uma síntese das inovações que a TLEBS integra, face à Nova Gramática do Português Contemporâneo (NGPC) de Celso Cunha e Lindley Cintra. Valeria a pena dar-lhe algum destaque... contra a corrente...
http://213.63.132.233/moodle_2/file.php?file=/96/UmolharsobreaTLEBSEditePrada.doc
Grata, e bom fim de semana!
Afixado por LibeLua em dezembro 7, 2006 10:15 PMContra a corrente? Ah, LibeLua, a maré correu num só sentido durante dois anos - agora temos algo que se assemelha, pela 1ª vez, a um debate público (o tal que devia ter precedido a generalização da "experiência", e mesmo (ou sobretudo) o início da experiência piloto). Se aqui se dá lugar de destaque às vozes do contra é porque, apreciando-se embora muitos dos contributos da terminologia e o esforço de sistematização que ela representa, se deplora o processo e os princípios. De resto, mais que a TLEBS, inquieta-me a revisão curricular e os programas novos.
Conheço os contributos da Edite Prada, nomeadamente no ciberdúvidas, e sei-a cientificamente honesta e informada. Agradeço-lhe o link, mas está numa plataforma moodle que deixou de admitir visitantes. Talvez eu tente inscrever-me. Ou não.
Obrigada, bom fim de semana
Sempre atenta! Foi a exposição sobre este assunto que mais me agradou ler...
Também eu fiquei de boca aberta , quando soube que Feytor Pinto agora já desdiz o que disse em tempos... Vá lá uma pessoa entendê-los...
Bom fim de semana...Por aqui só à lareira!!! Frio de quase 0 graus...
rendadebilros, o Feytor Pynto é como sempre foi. Também li a intervenção dele no Jornal de Letras (onde lhe chamam Pedro, por lapso). Lá escreve, como parece que terá dito na tv, que a APP não sabe se esta é a terminologia que interessa. Depois de a ter defendido com unhas e dentes. Nomeadamente numas jornadas pedagógicas sobre ensino/aprendizagem da língua materna em Setembro, onde foi interpelado por muitos professores - gente que veio de pontos diversos do país, trazendo as suas dúvidas, os seus contributos, e que dificilmente poderia ser considerada como "relapsa". Custa-me falar porque nunca tive relações fáceis com a APP.
Leste o Expresso de ontem? O João Peres merece ser lido.
Beijinho, bom domingo
Bom dia, Paula. Sim, li os artigos do Graça Moura e do Vicente Jorge Silva no DN, de resto vou lendo tenho lido tudo o que vai saindo, de um e de outro lado, desta polémica. Uma pena termos quem temos no ME, e uma pena também a curta memória política deste país. Enfim...
Um beijo, bom fim de semana
Olá, Sara, bom dia.
Sim, acho que o melhor interesse dos alunos devia ser o cerne do ensino. Mas os alunos são peões em tabuleiros onde se disputam jogos de interesses económicos e de dominância política. Entretanto, vamos resistindo como podemos, como sabemos. E tentando perceber os padrões num mundo tão - mas tão opaco!
Saudações do oeste :) E até breve