Eu, que não tive praticamente, enquanto estudante em Coimbra, formação linguística,(a pouca que fui assimilando foi com a preocupação de me actualizar como professora e em absoluto auto-didactismo) e que vou sabendo da Tlebs, inicialmente pelo que lia aqui e em canseiras e conversava contigo - e depois pelo que lia e vou lendo nos jornais e nalguns blogues, coloco a todos as 3 questões básicas (já sei as tuas respostas - e as minhas, claro)):
Com a Tlebs:
1. aprende-se a falar melhor?
2. aprende-se a escrever melhor?
3. aprende-se a ler melhor um texto e o gosto pela leitura?
Mas o que eu sempre pus em questão não foi a Tlebs, mas a orientação que se lê nos actuais programas do Ensino Secundário - elaborados há anos pelos ministros PS de Guterres,no seu último mandato, interrompido,após uma derrota autárquica, prosseguidos por David Justino (mesmo que enquanto na oposição a eles se tivesse oposto) e Maria do Carmo Seabra (a "infeliz" extra-terrestre que herdou de Justino a Tlebs e a mandou entrar na prática docente e o escândalo das colocações de há, creio, uns dois anos) e mantidos tal e qual pela actual ministra.
Esta defende que não há que pôr em causa a toda a hora o que governos anteriores fizeram - excepto em, desculpem,«lixar»,em cada dia, a vida aos professores- e levar cada vez mais os alunos à estupidificação - e no caso da língua, a detestar o seu estudo e, em especial, a leitura(e para tal não há PNL que valha).
Até o fiel apoiante de sempre Paulo Feytor Pinto, entusiasta da Tlebs,como da supressão dos exames de 12ºano -ainda se lembram quando tal foi aventado por um dos secretários de estado, a ver se pegava? - parece agora hesitar...deve estar a dar-se conta da fuga, que suponho estar aa acontecer dos, suponho que não muitos, sócios da APP...
Defensores da Tlebs tenho encontrado sobretudo em quem, de algum modo, para ela trabalha:
autores de gramáticas escolares e manuais - e seus editores -e também da GRAMÁTICA de quem se diz dono da língua e desabafa:Deixem-nos trabalhar!
Por mim, ainda vou por Lindley Cintra e Celso Cunha.
Acredito que o conhecimento explícito da língua e a reflexão sobre o seu funcionamento ajudam a escrever melhor, a pensar melhor e a ler melhor. Ensinava-se pouca gramática e urgia recuperá-la nas aulas. Mas em articulação com os outros conteúdos e competências, numa abordagem holística. O problema destes programas (que não por acaso começaram por chamar-se de "Língua Portuguesa") e o da separação entre o estudo da Língua e da Literatura (nisso discordo do João Peres) é o pressuposto de que o Funcionamento da Língua pode ser o elemento estruturador de todo o programa. Discordo profundamente: ele é um meio, não pode ser um fim, não no Ensino Básico e Secundário.
De resto, como muitas vezes te disse, a TLEBS podia ter sido um instrumento excelente. Aprendi muito, estudando-a; e, fazendo o balanço do dinheiro que gastei em livros e formação; o desgaste causado por tanta insegurança, excesso de trabalho, revolta, incredulidade, ira e desespero, não me arrependo. Gostaria era que os frutos fossem menos amargos para os alunos e para o país. Mas se o país inteiro é uma choldra, havia isto de ser diferente?!
Não sei como vamos descalçar esta bota. Tenho a caixa do correio cheia de prospectos de editoras sobre as novas, iluminadas e iluminantes gramáticas escolares. Que sarilho! E não haverá ninguém a quem pedir contas, de resto a culpa é sempre dos professores, dos "utentes", dos "consumidores", dos pagadores de impostos... E nunca, nunca de quem decide. Responsabilidade política não existe, neste jardim à beira-mar plantado. Et pour cause, ambém terei de falar do PNL, um dia destes. Enfim, vou trabalhar.
A Jade recomenda-se. Saudades pró Pavarotti.