Acho importante que as editoras se empenhem na divulgação de uma fase da nossa história que teve consequências desastrosas. Não estive lá, o meu marido também não, mas lemos os livros de Jorge Ribeiro e de outros autores que viveram a guerra - e penso que ainda há muito por contar, isto é desvendar. Sou professora do Secundário, e sempre que posso leio passagens de outro livro de Jorge Ribeiro, as «Marcas», para eles terem uma ideia do que foi a nossa guerra em África. Numa altura em que estão a aparecer vozes do «antigamente», umas afirmando que ganhámos a guerra do Ultramar e outros garantindo que não houve guerra nenhuma, que foi uma invenção da Oposição ao regime, devemos DIZER BEM de iniciativas literárias como esta de voltar a editar CAPITAL MUEDA.
Marta Ferreira
Estava aqui a documentar-me e tentar pôr em ordem as minhas recordações de Mueda,pois estive lá em Maio de 1974,quando aquilo foi atacado com o "122".Estávamos entre o arame farpado e a povoação...
Falar sobre Mueda ficará para a proxima ,estou de tal ordem ansioso ,que nem consigo escrever mais.....
Hei-de preparar-me e conseguir dizer algo sobre"aquilo" onde acamaradagem era mais sadia que a propria aragem....
" Mueda Terra da Guerra, aqui trabalha-se luta-se e morre-se, checa é pior que turra"
Este era o conteúdo da placa que anuciava a chegada a Muedae foi lá que durante 11 meses vivi.
Para os senhores que poem em causa a existencia da guerra, só gostaria que tivessem feito a picada Mueda-Omar e a picada Mueda-Nangololo, para saberem o que é medo, amargura, desespero e como no meio de tanta aflição se gerava a solidariedade.Horácio Soares
A história da Guerra Colonial tem vindo a ser feita, tanto quanto possível, por quem nela participou. Não é fácil falar dela, mas parece que o tempo nos obriga a testemunhos, mais tarde ou mais cedo, pois como diz a Marta Ferreira no comentário acima, já por aí anda outra vez quem tenta "branquiar" a história.
(Furriel Miliciano ex-combatente)