Não me sentiria bem comigo mesmo senão dissesse qual a minha opinião sobre a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez.
Em primeiro lugar, quero dizer que considero um grande absurdo que este assunto seja referendado. Três motivos me levam a pensar assim:
1) Esta matéria já foi sujeita a referendo ainda há poucos anos. Uma vez que as pessoas já manifestaram a sua opinião (ou não, conforme ficou demonstrado com a elevada taxa de abstenção), então, parece-me claramente exagerado voltar à carga com a mesma questão;
2) Os partidos políticos deveriam ter esta matéria expressa e de uma forma bem clara nos seus programas eleitorais. De acordo com os resultados da referida votação, deveriam levar as suas propostas para serem votadas no órgão adequado, neste caso na Assembleia da República;
3) Avançar com questões que dividem os povos, não me parece o modelo mais adequado para se praticar a cidadania de uma forma correcta. Esta questão deveria estar minimamente consensualizada entre os portugueses e não decidida “à bruta”.
Em segundo lugar, sou a Favor da Despenalização da Mulher e contra o aborto, por isso, votarei sim. Aqui, o que me parece que está em causa é a despenalização da mulher e não liberalizar o aborto como muitos querem fazer crer.
No meio desta baralhação toda, algumas questões merecem ser desmistificadas:
1) Quando dizem que nenhuma mulher foi presa, pois é verdade. Então não nos parece hipócrita o nosso sistema judicial fechar os olhos a esta questão? Se é Lei é para se cumprir, não é para se brincar. Já agora, porque é que a Lei só penaliza as mulheres? Porque é que não penaliza os homens? Afinal, estes não têm responsabilidades nesta questão? Porquê tanta hipocrisia?
2) Quando se diz que é o sistema de saúde quem vai pagar os “abortos”, é outro argumento usado que não faz sentido. Hoje em dia, com a actual Lei e em situações extremas (violação, possibilidade de deficiência no feto, risco de vida para a mãe, etc), o sistema de justiça autoriza e o sistema de saúde paga para que haja interrupção da gravidez. Quem conhece o sistema de justiça sabe que, por exemplo, provar que uma mulher foi violada, demora tanto tempo, que ela não terá alternativa, a não ser resolver esse problema numa clínica em Badajoz (se tiver dinheiro), ou então, resolvê-lo de uma forma “caseira”, pondo em causa a sua própria vida.
Respeito plenamente quem é a favor do não. Compreendo quando consideram que um feto é um ser vivo, mas não é disso que estamos a falar.
Parece-me importante que em Portugal esta Lei (não apareceu outra melhor – ninguém o propôs na Assembleia da República) possa ser aplicada em Portugal pelas duas grandes razões que apresento:
1) Uma mulher não deve ser penalizada por um acto em que o homem também é responsável;
2) Reconhecendo que esta prática existe na nossa sociedade, não podemos esconder os olhos e fingir que não existe. Por isso que a IVG seja feita de uma forma segura sem consequências para o futuro da mulher;
3) Os custos psicológicos e físicos de um abordo clandestino, perseguido judicialmente e condenado socialmente são infinitamente maiores que feito de uma forma legal.
Como acredito que fazer a Interrupção da Gravidez é uma decisão extremamente difícil, tanto para a mulher como para o homem, então que seja efectuada de uma forma segura (medicamente assistida) como é feito nos países mais desenvolvidos da Europa. Aí sim, estamos a respeitar a vida e a dignidade dos seres humanos.
Fabi
Afixado por Fabi em janeiro 29, 2007 09:53 AMQue o referendo é um absurdo demonstrativo da falta de coragem do governo perante o lobby da católica, toda a gente sabe. Por isso, a abstenção vai ser elevada. Em consciência, só encontro um problema para que o SIM não seja consensual: qual o momento em que começa a vida? Essa é a questão verdadeiramente importante e decisiva. Como os cientistas não se entendem quanto a isso e o Zé desconfia que as várias teorias estão cheias de preconceitos religiosos e falsos moralismos, encolhe os ombros e vota por fé. Ou não vota. Por mim, que sou a favor da vida (com umas excepçõesitas que reservo para certos filhos da p...), considero o aborto eticamente inaceitável e nunca uma solução banalizável. Mas, vou votar SIM porque:
a) Acredito que serão tomadas medidas complementares e massificadas ao nível da informação, da educação sexual e do planeamento familiar que reduzam o risco de o aborto se tornar um método anticonceptivo;
b) Num país onde predomina a pobreza e a falta de esclarecimento, a questão das gravidezes indesejadas insere-se nas manifestações da luta de classes (ena pá!): as pobres engravidam sem querer, por ignorância; as ricas, por negligência;
c) As ricas vão a Londres ou a Badajoz (muito menos chic!)fazer os "desmanchos" em segurança e sem ninguém saber (podendo depois apoiar o NÃO, como convém à gente da alta), enquanto as pobres se lixam nas abortadeiras gananciosas de qualquer vão de escada. Algumas morrem.
Ora contra toda esta hipocrisia, lá vai um SIM, pouco convicto, mas um SIM!
oh ca porra...
a mais de mil anos que se deviam fazer desmanchos.
e a brava.
seguro que nao andaria por ai
tanto aborto.
Há 50 anos que digo o mesmo que o Unha Negra. Imaginem o senhor MarSelo, nome igual ao do homónimo padrinho, aborto falhado que o seu pai fascista nem para se livrar dele teve competência. Ou então fez de propósito: "ai querem democracia? Então tomem lá com este traste!" Bem, gostava de saber o que faria o MarSelo se numa daquelas suas noites esquisitas, já carregadinho de coca, olho esbugalhado e sobrolho arqueado, descobrisse que estava grávido? Sim, o que faria? Manteria a mesma posição que tem aos domingos ou manteria a do resto da semana? Bom, certamente mudaria de posição: levantar-se-ía. Depois, hirto e firme, mergulhava no Tejo e navegava no seu blog até Londres, para pedir conselho ao querido Elton. Acredito que o MarSelo voltaria espontaneamente desengravidado, como qualquer puta rica do jet-set da linha. Afinal não é vizinho da plastificada Elsa Mil-Homens, sua conselheira literária e inspiradora musa do seu esponjoso intelecto?
Afixado por Bocadoce em janeiro 30, 2007 05:49 PMPobre Marcelo! Não lhe batam mais, que ele é apenas um feto mais desenvolvidinho que o habitual... Imaginem que ele ainda pensa (pensa? Estranho!)que está sob a uterina protecção, coitado. Daí não querer ser abortado.
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