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Comentário de africamente, em fevereiro 6, 2007 11:33 PM«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de
Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares,
sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )
Comentário de Zeza, em fevereiro 5, 2007 06:22 PMEu sei, Conde, eu sei. Tenho uma posta escrita sobre o referendo desde o debate do Prós e Contras, mas ando tão farto das discussões à volta do aborto...
Comentário de mostrengo Adamastor, em fevereiro 2, 2007 10:38 PMA escolha do dia não foi minha, confesso. Não deverá haver apresentação oficial porque suspeito que recusem a minha condição incontornável de aparecer apenas representada pela própria sombra...
Agradecimentos aquarianos.
A actual lei portuguesa sobre o aborto não respeita aquilo a que os partidários do "não" costumam chamar "o valor absoluto da vida": admite o aborto em caso de violação, malformação fetal e grave perigo para a vida ou a saúde física ou psíquica da mãe. A lei que resultará de uma vitória do "sim" também não vai "liberalizar" o aborto ou estabelecer o "aborto a pedido", como por aí se pretende, visto que não o permite a partir das dez semanas de gravidez. Fora isso, e para levar as coisas um pouco mais longe, podemos dizer que a pílula contraceptiva (que, na essência, é uma pílula abortiva) e a "pílula do dia seguinte", que manifestamente o é, deviam ser incluídas na campanha do "não" (como, de resto, acontece na doutrina católica); e que as "dez semanas", um prazo de uma certa arbitrariedade, deviam ser alargadas para, por exemplo, 12 ou 14 ou que fosse. O mal do referendo está, e sempre esteve, no facto de que as pessoas nunca, ou quase nunca, discutem, informada e razoavelmente, os méritos da questão a voto e que depois nunca, ou quase nunca, votam sobre ela. Votam em nome de um princípio religioso, de uma ideologia ou de um sentimento. Se têm "razões", têm "razões" fabricadas para a circunstância, que não se aplicam, ou só com muito boa vontade se aplicam, ao problema em causa. Pior ainda: o motivo mais comum para votar "sim" ou "não" é da relutância (ou o medo) de não seguir o grupo a que imaginariamente se pertence: a Igreja, a direita, a esquerda, a profissão ou a família. A "consciência" de que todos falam, e muita gente exibe, não passa disso. Ou, pelo menos, muitas vezes, não passa disso. De qualquer maneira, e apesar do alarido geral, a pergunta do referendo é limitada e concreta: quer, ou não quer, o eleitorado acabar com o aborto clandestino até às dez semanas de gravidez? Nada mais. O "não", sem defender o regime presente, alega que esta medida irá aumentar e "normalizar" o aborto. E, para evitar esse perigo, aceita que milhares de mulheres paguem um preço de sofrimento e de humilhação (a maioria infelizmente por ignorância e miséria). O "sim" prefere acabar com o mal que vê e pensar depois no mal que vier, se de facto vier. O referendo é um acto político, que se destina a mudar a sociedade (idealmente, para melhor) e não resolver um debate. Claro que, se o "sim" ganhar, o Estado, na prática, "oficializa" o aborto. Mas triste de quem espera do Estado uma fonte de legitimidade moral. Por mim, não espero. E voto "sim". VAsco Pulido Valente
Uma centena de pessoas manifestou-se hoje no exterior do parlamento sul-africano em protesto contra a lei do aborto que vigora desde 1997 e que, segundo os activistas presentes, "já provocou a morte de 600 mil fetos".
Organizada pelo grupo "Christian Action Network" (com a sigla CAN, ou em português Rede de Acção Cristã) para marcar o 10 aniversário da entrada em vigor da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, a manifestação não suscitou grande resposta popular na Cidade do Cabo, onde os anifestantes decidiram chamar a atenção dos legisladores.
O grupo de manifestantes, entre os quais se contaram muitas mulheres empurrando carrinhos com bebés, depositaram coroas de flores em redor de um pequeno caixão branco que transportavam e que depositaram junto ao edifício da Assembleia Nacional.
Durante o percurso pelas ruas do Cabo, os manifestantes faziam-se acompanhar por uma carro funerário cinzento.
"As nossas mãos estão sujas de sangue, Deus perdoa-nos, por favor inverte esta praga que assola a nossa terra e que está a matar as nossas crianças", disse o pastor Tim Makamu, da Igreja do Povo durante a cerimónia.
O coordenador nacional do CAN, Tim Hodgson, admitiu que a fraca participação popular constituiu "um desapontamento", uma vez que o grupo havia conseguido mobilizar três mil pessoas em manifestações anteriores.
Para aquele activista cristão, as pessoas olharão um dia para o passado e sentirão perante o aborto "a mesma repulsa que sentiram relativamente aos holocaustos comunistas na União Soviética, China, Camboja e Ruanda".
Num país de 47 milhões de habitantes, a lei que vigora há precisamente 10 anos é uma das mais liberais e permissivas do mundo.
Em hospitais públicos e privados qualquer mulher pode interromper a gravidez até às 12 semanas a pedido, entre as 13 e as 20 semanas se tiver o consentimento e aconselhamento de um médico e mesmo depois das 20 se dois clínicos concordarem que existe perigo para a integridade física da mulher ou do feto, ou mesmo se a suas condições sociais ou económicas estiverem ameaçadas em resultado da gravidez.
Organizações não-governamentais afirmam que foram efectuados, nos primeiros nove anos em que a lei vigorou, pelo menos 280 mil interrupções voluntárias da gravidez dentro do quadro legal. Associated Press