Comentários: em maio

Às vezes a solidão tem destas coisas: a companhia dos pássaros e dos poetas que gostamos de lembrar. Gostei do poema, Soledade. Um beijo.

Afixado por Graça Pires em maio 31, 2007 06:05 PM

Adoro o mês de maio, é tão bonito... maio e abril... e olha, também tenho essa sensação de quase nunca se mexer: mesma casa, mesma cidade, mesmos caminhos, mesmos gatos, mesmos rostos e corpos, etc

Afixado por droggo em maio 31, 2007 06:09 PM

São de facto boa companhia, Graça, os poetas que amamos e o nosso próprio olhar, estes pardais a que as andorinhas agora se juntaram.

Obrigada, um beijo :)

Afixado por Soledade em maio 31, 2007 07:32 PM

Droggo, sei como gosta deste mês e do outono na sua cidade. Essa sensação de quase nunca mexer: talvez porque você vive a eternidade da juventude e porque as expectativas parecem, aos jovens, tardar muito a concretizar-se? Ou porque a sua consciência é uma permanência inquieta, como a minha? Há uma diferença...
Obrigada por ter vindo :)
Um beijo

Afixado por Soledade em maio 31, 2007 07:49 PM

Chego ligeiramente atrasada.E compartilho o que foi dito pelos que me precederam e...por ti, naturalmente.«Fixar-se a nada»...se calhar escrevives o que alguns outros fazem, também...por isso, como disse em tempso e gosto de repetir, quando uns versos nos tocam, temos a ideia de que somos co-autores deles...
plagiadores e plagiados - ou uma coisa assim do género.Beijo.Vem aí o verão...

Afixado por amélia em maio 31, 2007 09:30 PM

Tu nunca chegas atrasada, Amélia! Aliás, aqui nunca ninguém chega atrasado, não há cartões magnéticos nem toques estridentes, só nós, pessoas. Sejamos pessoas - com muitas fragilidades e receios e as nossas perdas e os nossos fulgores e afectos. Somos também pessoas que amam a poesia - autores, co-autores, a diferença por fim não é muita. Tantas vezes me deixaste ver o que escrevo pelos teus olhos, essa partilha... Não é bem a "nada" que nos fixamos.
Beijinho

Afixado por soledade em maio 31, 2007 11:31 PM

"Só eu me fixo a nada", a consciência poética disso é já fixar-se em algo, conteúdo de uma forma de existir. E a linguagem é essa marca dos poetas.
"Olhar pela vidraça" é uma certa consciência da revisão: ser eu (poeta) e "ser outro", sendo as duas coisas. Este ser do poeta e de se fazer poesia, mesmo utilizando as circunstâncias atmosféricas, é viver para a poesia, da poesia e nela se sentir bem.
As palavras da sua poesia são uma sensação existencial que ultapassam as palavras e recriam uma realidade.Uma forma de existir pelas palavras ou as palavras como sombras projectadas dessa existência que o poeta vive.
Uma forma de manifestar a sua marca, o seu rasto pelo tempo,porém querendo ultapassá-lo :"revolução", entendida como uma reacção à monotonia, à sensação repetida,ao acto quotidiano e corriqueiro ao qual o dizer do poeta tenta reagir com a sua poesia.

Afixado por ismael em junho 1, 2007 01:03 AM

« eu desperdiço-o encostada à vidraça.
(...)
só eu me fixo a nada. »

Parece-me que conheço, desde que me conheço, este estado pseudo-vegetativo, que tem como parente a “rêverie”... Não é vegetativo, não. É um estado em que se suspende o tempo apressado, em que olhamos parados, mas o sonho evolui dentro do ser. E, sempre que o Homem sonha.... Soledade...

Beijo por mais um clarão de alma tão bonito.

P.S.- Plaza Mayor para si no Matebarco...

Afixado por fernanda s.m. em junho 1, 2007 01:19 PM

O weblog pregou-me uma partida, enganou-me...
Desculpe a "redundância" do comentário repetido.
Bom fim de semana com sol...

Afixado por fernanda s.m. em junho 1, 2007 01:23 PM

Muito pensativa... é do tempo!!!
Beijos. Bom fim de semana.

Afixado por rendadebilros em junho 1, 2007 05:07 PM

Blogs como este fazem bem à alma :)

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades mas ha poesia que permanece sempre bela!

Um voto de sincera admiração pelos poemas, e um bjinho da aluna de antigos alunos seus que ouviu falar muito de si**

Afixado por Rita J em junho 2, 2007 09:35 PM

É o que este nosso ofício tem de bom: - que alunos de ex-alunos nossos(neste caso teus)oiçam falar de níos com carinho. Falo por ti, Soledade, falo por mim, que o fui, com paixão.O resto - as chatices diárias,que não são tantas vezes poucas, são o preço apagar pelo essencial:- a relação humana que se tece com aquele que tentamos ajudar a crescer e a ser gente fixe - e que nos torna imortais enquanto eles, e os que se lhe seguem, como a Rita, ouvirem falar de nós: aí reside, por uns tempos, a nossa espécie de eternidade. Bom professor não envelhece nunca - e não morre, enquanto dele perdurar a memória naqueles que com ele cruzaram-escrevi mais ou menos isto há anos, e mantenho.
E lembro também os versos de Jacques Brel, em Il nous faut regarder/ce qu'il ya a de beau...ou o Gracias a la vida da Violetta Parra.
Fico contente contigo, Soledade - porque sei bem o que isso é.

Afixado por amélia em junho 3, 2007 12:00 AM

Dentro da noite, Soledade, agora, aqui onde estou, não há gatos. Mas há estes seus belos poemas, e a sensação, que compartilho com alguma vertigem, de estar fixado a nada em meio às revoluções do universo.

Um abraço,

Walter.

Afixado por Walter em junho 3, 2007 03:41 AM

Não tinha pensado nisso, Ismael, e no entanto a alteridade é uma das coisas que me fascina no processo da criação: forçosamente sou outro, quando (me) escrevo.
Agradeço-lhe ter dito que a minha poesia parte de algo tão comum como as circunstâncias atmosféricas e alcança o existencial. Porque esse é o meu desejo, mas quantas vezes tenho dúvidas e me pergunto se vale a pena dar expressão a um universo tão restrito, esperando dar-lhe uma dimensão mais universal.
Ismael, não o conheço, mas creio que seremos conterrâneos, ou perto disso, beirões, em todo o caso, e ambos da raia. Tenho muito orgulho nas raízes e fico feliz quando alguém chega de "casa". E mais, creio que temos um bom amigo comum. Seja, por tudo isso também, muito bem-vindo.

Afixado por soledade em junho 4, 2007 01:43 PM

A "reverie", sim, Fernanda, como tão bem diz: «estado em que se suspende o tempo apressado, em que olhamos parados, mas o sonho evolui dentro do ser.» Agora, se o mundo avança... Vão-se perdendo ilusões. Mas isso não vem ao caso. Tenho uma prenda no Matebarco?! :) Plaza Mayor de Salamanca? Oba! Obrigada, verei à noite que a hora de almoço extingue-se....................
Bj
P.S.: Funcionam mal há que tempos os coments do weblog.pt. Não se preocupe. É a lerdice instalada.

Afixado por soledade em junho 4, 2007 01:52 PM

Será dos tempos, rendadebilros. Quem dera a tua alegria contagiante.
Beijinho

Afixado por soledade em junho 4, 2007 01:53 PM

Rita, palavras como as tuas é que nos fazem bem à alma e nos reconciliam com tantas coisas! Não calculas como fiquei comovida quando vi o Nocturno nos teus links! E como fico comovida quando decifras imediatamente a referência ao soneto de Camões e citas os dois versos.
Tiveste sorte com a professora que te calhou. E vejo que ela teve sorte com a aluna. E eu fico mais contente com a tua "nota positiva" do que com todos os prémios e troféus.
Beijinho.

Afixado por soledade em junho 4, 2007 02:01 PM

Chego atrasado vezes de mais a este blogue. A Soledade que me desculpe. Era para me calar e não resisti. É que quero sublinhar a forma como este poema foi “construído”, construído é um modo de dizer: revelaria subjectividade em algo que é apenas objectivo, ou seja, é uma construção, sim, mas subconsciente, que se liga, penso, ao desenvolvimento da música, apreendido nela música e também noutras artes perfomativas, sobretudo a arte dramática, e também na própria poesia, mas é redutor citar só algumas artes. Todas as obras de arte obedecem a um desenvolvimento próprio. Ter-me-ia expressado mais sucintamente se tivesse dito que a construção subconsciente se liga à cultura estética que o usufruto das artes permite a quem cria aplicar e, mais que aplicar, fruir a curva deliquescente da beleza presente no acto de criar.

Como é que um poema tão pequeno me faz escrever um desarrazoado preâmbulo destes, que mais pode parecer pedanteria bacoca (toda ela é bacoca) do que uma intenção séria? Respondo a mim mesmo: primeiro porque somos, em parte, o resultado do que lemos, ouvimos e vemos, depois porque este pequeno poema de nove versos engloba em si quatro “andamentos” num tão curto espaço, o que ajuda a dar-lhe o encanto que me suscita.

O primeiro “andamento” engloba uma descrição aparentemente tranquila e abrange os três primeiros versos, andamento cuja qualidade é dada por “sol fraquinho” “e as aves aproveitam-no” e também por “encostada à vidraça”. O segundo andamento, em crescendo, é dado pelos dois versos seguintes, em que o soneto de Camões abre o tom para o terceiro, que é o auge do poema, a causa da contradição que fere, inadaptação, confessada no último andamento e verso, um fim muito marcado e afinal a chave do poema.

Também é bastante curioso (para quem goste destas coisas) o modo perfeito como os “andamentos” se articulam, o anterior preparando o seguinte: “o encostada à vidraça” prepara muito claramente a lembrança que é o segundo andamento; este abre visivelmente o terceiro, para quem saiba do assunto do soneto de Camões. E até o terceiro abre, “ao contrário”, o último deles, ao contrário porque aqui a ligação normal não existe, é a própria contradição do sujeito poético, e assim melhor vem realçar a sua característica.

Debrucei-me sobre a forma interior do poema para desmontar a sua beleza (abstraindo-me da música e do ritmo das palavras), mas antes já me tinha identificado com o assunto, com essa mesma inadaptação que o poema revela, porque se sente que o tempo que vivemos, somado ao que há-de vir, frustra qualquer tipo de esperança colectiva, ainda que tivéssemos vinte anos (e fôssemos tão lúcidos como hoje).

Peço desculpa pelo tamanho e por esta conversa que sei imprópria para um comentário. Devia ter sido curta, eu sei. Daí, o pedido de desculpa. Digamos, no entanto, que o responsável é o próprio poema que, pequeno como é, ainda me deixou bastante por dizer.

Afixado por m em junho 4, 2007 06:30 PM

Walter, essa vertigem de nos sentirmos o único ponto imóvel na revolução planetária, cósmica. Acho que entendo. Um céu imenso de estrelas, deitada no chão, ao ar livre, em pleno verão, sem luz eléctrica, contemplar o céu e sentirmo-nos esse infinitésimo ponto. Vertigem é a palavra certa.
Muito obrigada pela sua visita, pelas suas palavras de incentivo.
Um abraço

Afixado por soledade em junho 4, 2007 09:40 PM

Amélia, sei que sabes tão bem ou melhor que eu que esta é a verdadeira retribuição da nossa profissão. E também sei dos adamastores que enfrentaste, diferentes dos meus e dos que enfrentam estes jovens professores. Valeu a pena? A resposta está dada. Na memória de quantos alunos e formandos permaneces como uma referência e uma lembrança de afecto?
Nestes tempos negros, é uma esperança enorme encontrar jovens como a Rita, que chega a mim porque a Joana chegou a ela. Orgulho-me, claro, da fibra da Joana, do Luís e de outros que, na adversidade, persistem no sonho de serem professores - com uma paixão que às vezes me apoquenta, mas que admiro e me comove. São lutadores. E vê que belos frutos já colhem, depois de um ano que para eles foi muito duro. Mas para mim são e serão sempre os meus miúdos. E os meus miúdos já me dão lições :)

Afixado por soledade em junho 4, 2007 10:13 PM

Como pode um poema tão pequeno e que tanto esperou no caderno dos rascunhos, desencadear tantas e profícuas leituras? Não tem de pedir desculpa pela extensão do comentário, musas, ainda bem se o poema foi pretexto para "pensar escrevendo", como gosta de fazer. Penso nos pontos em que a minha intenção e a sua leitura coincidem, são muitos. De facto, o poema nasce da angústia pela impermanência das coisas e pelo sentimento de solidão, ou singularidade, num mundo que deixou de me pertencer. Ou eu a ele.
Muito obrigada!
Um beijo

Afixado por soledade em junho 4, 2007 10:36 PM

Andas muito camoniana! abriste-me o apetite. E já agora, ...tens bons comentadores, sei que tens orgulho neles.
Parabéns.

Afixado por Paulo Costa em junho 4, 2007 11:15 PM

Não ando, Paulo - sou mesmo indefectível. E se te abrir o apetite para ler Camões, fico contente ao quadrado :)
O Nocturno é um blogue sem pretensões - já falámos uma vez disso - frequentado por uma roda de amigos de que efectivamente me orgulho. Mas nem sempre tem a actividade destes dias, e vem-me com frequência a ideia de submergir no silêncio. Uma pena foi tu teres apagado o Planalto, espero que tenhas conseguido recuperar os ficheiros.
Boa noite :)

Afixado por soledade em junho 5, 2007 12:43 AM

Assim é em Maio, tempo de cerejas... vermelhas!


Um beijo!

Afixado por A.S. em junho 6, 2007 05:06 PM

É verdade, a.s., não esquecer as cerejas de maio :)
Um beijo, obrigada pela visita

Afixado por soledade em junho 7, 2007 09:29 PM