Comentários: Evocando Eugénio de Andrade

É de música e de luz a poesia de Eugénio, que gostamos de ler em todos os tempos: nos difíceis e nos melhores.
Mas as palavras de Eugénio também são um grito que nos acorda e sobressalta, como este texto de
"Os afluentes do silêncio".
Obrigada Soledade, por nos assinalar esta data, aqui. Um beijo.

Afixado por Graça Pires em junho 13, 2007 09:52 PM

Saboreia-se Eugénio de Andrade na simplicidade das suas palavras fáceis ( que parecem fáceis , para ele eram)e é por isso que o acho admirável: faz das palavras simples um hino extraordinário à nossa Língua!
Beijos.

Afixado por rendadebilros em junho 14, 2007 09:58 AM

Eu não saberia dizer qual foi o 1ºpoeta que descobri sozinha...mas um deles foi certamente Eugénio. Estranhas coincidências em 13 de junho: eugénio, alberto (10 anos), Pessoa e suponho Shakespeare...
E ainda tenho Eugénio como o descobri: nas edições belíssimas da Inova.Estas coisas também são importantes.

Afixado por amélia em junho 14, 2007 11:50 AM

Corrijo: quem nasceu também em 13 de junho é o meu também muito amado William Butler Yeats...
[esta minha cabeça...-.(]

Afixado por amelia em junho 14, 2007 12:08 PM

Graça, é assim o Eugénio que guardámos em nós. Fico contente por partilharmos este afecto ao poeta. E agradeço-lhe a *claridade* do comentário
Um beijo

Afixado por soledade em junho 14, 2007 12:51 PM

É verdade, renda, paracem fáceis e esse é um dos encantos de Eugénio, mas ele também nos deixou registo da luta com as palavras. Mas sempre acabavam por vir, por se dispor numa coroa de luz. É a essa luz que nós agora aquecemos as mãos.
Um beijo

Afixado por soledade em junho 14, 2007 12:59 PM

Amélia, eu lembro-me do primeiro poeta porque foi um encontro deslumbrante, como disse. E porque, embora houvesse livros na casa dos meus pais, nem todos me eram acessíveis e havia os que me eram indicados, recomendados, oferecidos e os que "não eram para mim". Não que isso me travasse, mas as minhas primeiras descobertas solitárias (com tudo o que tal implica de semi-clandestino e maravilhoso)tiveram quase todas lugar nas saudosas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian onde o simpático bibliotecário, o Sr. Prata, tentava, quase sempre em vão (acho que não se esforçava muito, recordo com saudade a bonomia dele)impedir uns quantos pré-adolescentes abelhudos e determinados de requisitarem determinados livros. O primeiro livro do Eugénio de Andrade que li foi a Antologia Breve. O primeiro livro dele que comprei, alguns anos depois, foi essa mesma edição, da Inova, com data de 1972. Estas coisas são importantes, sim, como as flores que secámos entre as páginas desses livros. Ou as primeiras e tímidas anotações a lápis, na margem de um parágrafo, de um poema...
Beijo
E por falar em datas e coincidências, a dos cinco de facto notável.

Afixado por soledade em junho 14, 2007 01:15 PM

Agora pela tarde-noitinha, acalmou a chuva e o vento, mas não será por muito tempo...
Eugénio de Andrade lutava com e pelas palavras e depois parecia tudo suave e simples... essa é a arte!
Beijos.

Afixado por rendadebilros em junho 14, 2007 08:57 PM

Soledade, gostei muito deste texto de Eugénio de Andrade. Obrigado, porque é um texto muito actual e que nos toca a todos e nos ajuda a interpretar este momento tão premente da nossa vida em sociedade. O sentido de povo e de comunidade que está subjacente ao longo do texto.
Eugénio, o poeta das palavras, que tabalha dentro das palavras, espécie de burilador de palavras e é com elas que nos transmite a idéia de luz , de amor, de desepero-alerta. Num esforço de filólogo, combina-as de uma tal forma que produz uma idéia bonita e verdadeira e, por isso, poética. Nietzche dizia que não era filósofo mas filólogo, porque procurava o sentido dentro das palavras.
Em Eugénio de Andrade, é a descoberta do amor que perpassa nas suas palavras. Ao ler o poeta, experimento a quebra da solidão, o aflorar da emoção que me faz sair de mim mesmo, que me desperta e me encoraja para ir ao encontro dos outros, do Outro.
Neste texto de prosa, mas poética, convida-nos à coragem, ao inconformismo, a ouvirmos o verdadeiro sentido do ser dentro de nós, para o reencontro da verdadeira natureza do homem tão frcturado: "desencontro do homem com o homem", "quebrar máscaras" libertar a "mutilada face humana". Sublinho as palavras "desencontro", "máscaras", "mutilada" - palavras tão felizes para nos estremecer do sono e nos propôr uma conduta de acção.

(Àparte -Soledade, gostei que referisse a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, pois nas férias, era para mim uma companhia. Lembro o Sr. Prata e acho que o caracteriza bem - "bonomia". Lembro o tom da sua voz, uma pronúncia singular, uma tonalidade nítida de "microfone". São memórias partilhadas que nos ajudam a ser.
Um abraço. Ismael.

Afixado por Ismael em junho 15, 2007 02:28 AM

Na minha alfdeia, em pequena,não havia as itinerantes da Gulbenkian - devem ter durgido um pouco mais tarde...considerei e considero ainda que a Gulbenkian foi, desde a sua criação,o único verdadeiro ministério da cultura em Portugal.E lamentei que, a par da criação das modernas bibliotecas municipais,não tivessem mantido as itinerantes - sob égide da Fundação ou do Ministério da Cultura (desconfio deste e tenho confiança naquela).
Livros, alguns em casa (poucos), muitos na boa,para a época, biblioteca do liceu em que andei:o de Viseu.
Nunca é cedo demais, nem tarde demais, para ler Eugénio e outros bons poetas, não é? Por exemplo,alguns, (como tu) ainda não devidamente publicados, como eu desejaria...

Afixado por amélia em junho 15, 2007 09:16 AM

Repito, corrigindo as gralhas (Soledade, será melhor apagar o anterior):

Na minha aldeia, em pequena,não havia as itinerantes da Gulbenkian - devem ter surgido um pouco mais tarde...considerei e considero ainda que a Gulbenkian foi, desde a sua criação,o único verdadeiro ministério da cultura em Portugal.E lamentei que, a par da criação das modernas bibliotecas municipais,não tivessem mantido as itinerantes - sob égide da Fundação ou do Ministério da Cultura (desconfio deste e tenho confiança naquela).
Livros, alguns, em casa (poucos), muitos na boa,para a época, biblioteca do liceu em que andei:o de Viseu.
Nunca é cedo demais, nem tarde demais, para ler Eugénio e outros bons poetas, não é? Por exemplo,alguns, (como tu) ainda não devidamente publicados, como eu desejaria...


Afixado por amelia em junho 15, 2007 09:18 AM

Espanta-me :-O

Ainda ontem, mais ou menos pelas 7:30 da tarde, ligar para aqui era desembocar num vazio branco, e pensei que tivesse afundado o Nocturno sem dizer água vai. Felizmente que o blogue voltou inteirinho do éter. Poesia? Acho que estou em branco como ontem o Nocturno. Eugénio de Andrade evoca-me Juan Jamón Jiménez, julgo que já lho tinha dito. No entanto, EA é único neste país, na luz das imagens e na música das palavras (a luz, desde sempre; a música, na sua geração, na anterior e nas seguintes até hoje).

Afixado por m em junho 16, 2007 09:03 PM

Se tiveres um bocadinho ( pouco, já calculo...) de tempo e paciência para me aturares , tens um desafio no meu blogue...
( Afinal não perguntaram quase nada de gramática no exame do 12º ano... que é que eu te disse???)
Beijos e muita coragem para este final de ano lectivo.

Afixado por rendadebilros em junho 18, 2007 04:44 PM

Grata pela tua paciência e disponibilidade.
Beijos.

Afixado por rendadebilros em junho 19, 2007 11:39 AM

Rendinha, eu é que tenho de te agradecer. Estou com exames (os tais onde não podia sair tlebs porque fizeram um dois em um, como o champô) e que foram de uma pobreza confrangedora. Mas têm de ser corrigidos e em simultâneo tenho vigilâncias, reuniões, infindáveis relatórios e aulas. Mas volto em breve
Beijinho


Afixado por soledade em junho 19, 2007 10:07 PM

Ismael, obrigada pelo seu comentário que nos dá sempre matéria para reflectir.
Também conheceu o Sr. Prata? :) Não imagina como é reconfortante encontrar outra memória partilhada. Eram autênticas cavernas de Ali Babá, as itinerantes, sobretudo nas férias. Agora, quando vejo fotos - ou a carrinha que esteve em exposição há meses, na Fundação Gulbenkian, espanto-me de ver como eram afinal pequenas. Mas não pareciam. E o cheiro? Nunca esqueci o cheiro.
Um abraço

Afixado por soledade em junho 22, 2007 01:23 AM

m, estraguei sem querer o template, não tinha tempo e deixei o blogue apagado, depois lá o arranjei, mas não reaparecia. Desisti e pensei: finito. Pregou-me uma partida: reapareceu. Mistérios da coisa bloguística.

Afixado por soledade em junho 22, 2007 01:32 AM

Tenho vindo, lido e gostado.Não comentei, pois eram tantas as coisas a dizer que seria repetir tudo que já foi dito. Lembrei com saudade e "visualisei" as carrinhas (Citroën ou peugeot...) que pareciam portas de correr, enrugadas e prateadas que, em dia certo apareciam e estacionavam perto da casa de meus Avós,que recordações: o sol, o calor de Julho e Agosto, o cheiro das maçãs, das flores, das tais que se secavam nas folhas dos livros (ainda tenho algumas dentro de livros, nas mesmas páginas onde foram postas)! E o cheiro dos livros... Esteve uma carrinha dessas exposta na Gulbenkian ?? que pena não ter sabido !

É tão bom saber ler e ter lido na infância e juventude !

Afixado por fernanda s.m. em junho 25, 2007 04:11 PM

Para tantos de nós aquelas carrinhas (eram citroen) de chapa ondulada ficaram ligadas às mais luminodas memórias, já viu? Verão, flores, luz, liberdade, férias, descoberta e... livros :)
Sim, esteve exposta uma carrinha - a Fundação fez 50 anos e houve várias iniciativas, entre elas uma espécie de "feira do livro".
Um beijo

Afixado por soledade em junho 26, 2007 02:54 PM