Julgava que te ias dedicar à poesia, mas essas promessas leva-tas o vento. Se não adianta, para quê?!...
Afixado por L. em junho 26, 2007 06:01 PMEu pensava que tinha a mania da conspiração, mas começo a ter provas de que há uma mobilização, cada vez menos sub-reptícia, para enformar (deformando) os seres humanos sob a égide de um modelo pragmatóide.
Ich verstehe alles dass ich habe liest. (com erros ou sem erros, é melhor começarmos a utilizar uma língua que pouca gente entenda, para começarmos a ser entendidos!!!)
Tenho pena: não consigo ler o texto em questão.Mas imagino o seu conteúdo.
Afixado por amelia em junho 27, 2007 11:40 AMNada a acrescentar, apenas concordando, abanando com a cabeça entre as orelhas...
Por agora estão a conseguir, no entanto é perigoso manobrar mentes a bel-prazer, pode ser que a bomba lhes rebente nas mãos.
beijinho
Tenho que voltar aqui com mais vagar . Agora deixo-te uma "prenda!" Passo a nomear-te considerando nocturnocomgatos um dos blogues, merecedor de ser considerado como uma das 'Sete Maravilhas da Blogosfera', no âmbito da iniciativa do 'Sentido das Coisas'!
Beijos.
Por puro desespero, L.?
Afixado por soledade em junho 28, 2007 01:54 AMValter, bem-vindo às teorias da conspiração. Antes fossem, não é? Mas parece que...
Afixado por Soledade em junho 28, 2007 01:55 AMA que texto te referes, Amélia? Ao de algum dos dois links?
Afixado por soledade em junho 28, 2007 01:57 AMSónia, estamos de acordo, penso que a bomba rebentará. Vamos ver quando. E quem apanha com os estilhaços.
Um beijinho
Valham-me os deuses, renda! Que responsabilidade!
Obrigada, amiga, vou ao teu "que conversa" ver que me espera ;)
beijo
Só agora, como prometi, vim ler este mais recente post... e realmente uma pessoa ouve , vê e lê e nem acredita... e vai sabendo umas coisas e outras que até ficamos espantados... do sucesso ou insucesso nem falamos , porque tudo está feito para um sucesso fictício, com muitos remendos, sem coerência... já "falei" de mais!
Beijos.
A "bomba" irá rebentar, mas daqui a muito. Entretanto, os professores são para dispensar, substituir e humilhar.
Haja paciência!
Já consegui ler...De facto, só mesmo à bomba!
Afixado por AMELIA em julho 4, 2007 07:12 PM(já li o texto e...também comecei a dar voltas)
Agora, para desanuviar...:)
Numa das voltas, dei por mim a sonhar que há ali na 3ª grade da janela uma pequena fragilidade estrutural que, bem aproveitada, podia dar para a menina se escapulir dessa prisão e vir dar um giro à chuva ou ao vento (à escolha, é o que há cá!)
Veja lá se arranja uma lima ou outro instrumento cortante (ou explosivo?!!!)
Olá Sol!
Beijinho
Olá, João. As coisas estão muito feias, não sei se a bomba tardará tanto assim. Pensei que não seria no tempo das nossas vidas, agora já não sei.
Um abraço
Renda, já notaste que andamos a concluir muitas conversas com "e já falei demais..."?
Espero estejas mais aliviada dos trabalhos da escola.
Beijinho
Ana, vou aproveitar todas as fragilidades estruturais, vou mesmo, prometo! Sei que não acredita em mim, mas hei-de esforçar-me. E vou recomeçar a praticar algo que antes fazia muito: respirar. Em vez de limas ou de bombas. Respirar... e subtileza:)
Bj, saudades
Há sempre grades que nos envolvem. E o nosso afazer é desfazermo-nos delas. às vezes teias, como Penélope, velos de ouro, labirintos. São teorias, contrateorias. Faz-me lembrar o poema de Brecht -" O Idiota" ou o "Canto de Orge". Todos nos movimentamos muito mal debaixo deste Sol, às vezes, abrasador de ultavioletas, outras vituperando a chuva, o gelo... O Salmista louvava toda a criação, São Francisco fraternizava com toda a natureza.
Porquê tão apocalípticos!... Luís XIV, rei absoluto, impôs freios à nobreza e proclamou: àprès moi le déluge". Haverá sempre grades e haverá sempre, e, ainda bem, quem as desfaça. Acredito que todas as grades serão desfeitas. Mas sei que os homens e as mulheres, desde os tempos imemoriais, sejam helenos, latinos,babilónios, todos se "divertiram" com os jogos trágicos. Já Quintiliano, teórico peninsular na sua institutio Oratoria escrevia : "satira tota nostra est". Um beijo. Ismael.
O que custa é ver grades que julgávamos desfeitas erguerem-se outra vez. E ou porque é o nosso tempo (e outro não teremos), ou porque o nosso tempo é de facto terrível e não podemos continuar a "brincar", pois a parada é demasiado alta, tudo isto custa muito.
O Ismael fez-me recordar uma passagem de "Memórias de Adriano", em que, pela voz de Yourcenar, Adriano reflectia sobre a escravatura dizendo que sendo uma prática social terrível, haveria de acompanhar sempre as culturas humanas. É mais honesto, dizia ele, assumi-la como instituição, claramente - tal como sucedia no seu tempo - do que mantê-la sob aparências subtis e ilusórias, bem mais difíceis de combater - a mais terrível escravatura é aquela de que nem sequer temos consciência. E onde fica o jogo trágico, a grandeza da hybris, se o homem desconhecer a sua miséria e viver estúpido e pasmaceando como um animal? Manipular mentes a este nível foi coisa que nunca antes tínhamos visto, amigo Ismael.
Um beijo
Iniciei o meu comentário anterior, introduzindo a idéia de trágico. E, com este título, pretendi enunciar e inscrevê-lo no contexto de uma intervenção. Porque o sentimento trágico é uma expressão do "humano, demasiado humano". Nem pessimismo nem optimismo, apenas humano. E quando digo humano, quero dizer, que é através da expressão do trágico que alguém, chamemos-lhe poeta, continua a dar voz,ao sentimento que o afecta e o impele a comunicar. Não é a paração do olhar, inerte, mas a expressão de uma música que se sente e se tem desejo de bailá-la em ritmos de palavras: Voltaire dizia que a poesia era: "la musique de l'âme". E, enquanto o sentimento trágico for manifestado, o mundo humano continuará na direcção de um certo percurso humanizado, apesar da dialéctica da antítese que, a Soledade afirma continuar a persistir e a agudizar-se. No sentido político, o sentimento trágico, e a expressão é de D. Miguel de Unamuno, é o modo de ser do homem e mulher empenhados na "polis", contra todas as formas de opressão. E é pela "poiesis" expressão-acção que o(a) poeta faz a denúncia, dá expressão ao trágico que o atormenta. A palavra transformada em poesia e , ela própria, decantação da dor que deveras o poeta sente. Uma catarse de si próprio e do mundo em que ele vive em constante "aggiornamento".
Ismael, estamos de acordo quanto a esse sentido trágico da condição humana, "nem pessimismo nem optimismo", apenas humano, embora eu me sinta mais próxima de Camus do que de Unamuno. O seu comentário lembrou-me que a tragédia, enquanto cerimónia pública que congregava todos os habitantes da polis, era um instrumento de controle dos espíritos - porque o herói, mais lúcido e mais digno que os outros, e aspirando a uma grandeza e/ou a uma Justiça que as leis da cidade e dos deuses não permitiam (eram invejosos, os deuses gregos), se erguia acima da turbamulta e, invariavelmente, era punido. A tragédia demonstrava a futilidade da luta humana e da nossa sede de Absoluto. Essa era a catarse oferecida ao espectador: mediocritas. E nisto consiste, creio eu, a nossa grandeza e a nossa miséria: lutarmos sempre, sabendo à partida que será em vão. Porque desistir não é uma opção humana. E vivemos assim em constante aggiornamento, é certo, continuando a fazer as perguntas que urge ver respondidas, não na esperança de obter respostas, mas de tornar mais próximo o momento em que (talvez) venham a ser respondidas.
Um beijo, bom fim de semana
Soledade, a tragédia para os gregos tinha uma dimensão pedagógica e,tal como os poemas homéricos,constituía um pilar na formação do homem grego. Agora reduzi-la, ou melhor, simplificá-la a um qualquer clichet ideológico, não me parece muito justo.Que os deuses eram invejosos, claro, porque os deuses eram criações do homem e, por isso, humanizados. Os homens fomos, somos invejosos. Até aí, penso que nada de mal. toda a teologia é uma antropologia, assim professava Feuerbach, em "Essência do Cristianismo". Mas o homem grego além de chamar milagre grego à descoberta da razão, ou ao mito, narrativa efabulada para responder a um problema. O homem grego sentia e confrontava-se com o irracional e, às vezes, volta-se para o espírito dionsíaco. O espírito da música, segundo Nietzche, responderia à origem da tragédia, mais "eros" e menos "logos". Mais Dionisos e menos Apolo.Mas na tragédia havia sempre uma fatalidade à qual não se podia fugir e isso, em última, poderia ser a morte (thanatos).
Mas deixemos lá os gregos, apesar de não ser muito fácil, porque regressaremos sempre lá,já que foram eles que levantaram as grandes questões do homem, como refere Heidegger.
Voltemos a A. Camus, pensador-artista tão do seu gosto. Depois da Segunda Grande Guerra, penso que somos todos existencialistas. Disconfiamos todos da metafísica, somos estrangeiros dentro de nós mesmos e, como dizia Dostoievsky: "se Deus não existe, então, tudo é permitido". E este é um outro sentido do trágico: a vulgarização do sofrimento humano, entre o determinismo e a liberdade. A vida é uma paixão inútil, dizia J.P. Sartre, uma liberdade para nada, ou "L'enfer c'est les autres", porque nos olham, nos fixam e limitam a nossa liberdade. Este é nosso sentir trágico quotidiano. Embora eu me confie mais em Gabriel Marcel,Blondel e E. Mounnier. Acredito numa visão-relação de abertura do homem, imagem poética de Ruy Belo:" Esse grande rio Eufrates".
Um beijo, Ismael.
Não, não é fácil deixar os gregos, tudo começa neles. Sem levar mais longe a discussão, que no entanto vai muito interessante, acrescento só que o que me comove no Homem é justamente a sua imperfeição.
Um beijo
Afixado por soledade em julho 24, 2007 11:49 PMSoledade, compreendo que queira pôr um ponto final no tema, mas ao enunciá-lo deste modo:"comove-me a imperfeição do Homem", receio que não entenda o seu fecho. É que é por este preciso facto que tudo vale a pena, porque somos imperfeitos. E na leitura das suas palavras, surgiram-me como um à rebelia do esperado, ou então, não a entendi bem, desculpe.
É precisamente por sermos imperfeitos que somos poetas, porque, com a palavra vislumbramos a perfeição. Fez-me lembrar o conto "A Perfeição" de Eça, quando Ulisses preferiu a sua Penélope e o seu filho Telémaco e mandou a ninfa Calipso "às malvas" mais ela e a sua perfeição. Prefiro ser humano e infortunado que a a tua perfeição, ó deusa!..
Rumemos para férias, e com toda a humanidade que nos possui ou como dizia Sartre:" Ni le bon Dieu ni le Diable"
Um beijo, Ismael