Comentários à leitura "É tudo mentira..."

posso dizer um pouco magoada, hoje tudo vai dar à avó

faço um mix de palavras

vozes mortos comungava enigmas inocência gelada mentira estúpida vil a avó morreu dia

Dito por margarete no dia 28 de outubro 2003, às 15h10

o único avô que tive tempo de conhecer, morreu quando eu tinha 10 anos... tenho saudades do que não tive.

Dito por dolphin.s no dia 28 de outubro 2003, às 15h15

as heranças k recebi:

o chapéu do meu avô do bigode, cumprimento-o todos os dias
o xaile da avó velhinha, na minha cama e às costas qdo escrever me arrefece
os cabelos brancos de dentro do avô calado
o mau feitio da avó dos pais, utilizo todos os dias

Dito por margarete no dia 28 de outubro 2003, às 15h26

a lembrança mais nitida que tenho é do meu avô, já doente, na cama. Eu e a minha irmã, uma sentada de cada lado dele. O meu avô agarra no candeeiro de mesa de cabeceira e coloca-o nas pernas.
Passamos a tarde a ver na parede os bonecos que o meu avô fazia com as mãos...

Alguns (poucos) anos mais tarde lembro-me de ter pedido como prenda de natal uma lanterna. Passei noites a fazer bonecos na parede para a minha irmã :)

Dito por dolphin.s no dia 28 de outubro 2003, às 15h36

Lembro-me bem do meu avô paterno, um homem alto e forte de olho azul. E da minha avó, pequena, dobrada, amiga de contar hsitórias até à mentira. Hummm, talvez deva reler Herberto Helder!

Dito por Luis Ene no dia 28 de outubro 2003, às 15h52

:)

qualquer motivo é um bom motivo ;)

Dito por dolphin.s no dia 28 de outubro 2003, às 15h54

o meu avô paterno, que não conheci, era mulherengo e boémio...
a sua esposa, minha querida vó, que viveu até aos 97 anos, era uma matriarca poderosissima...
a minha avó materna é uma senhora delicada e hipersensível, morreu três meses depois do seu marido, meu avô, dez anos mais jovem que ela, ter falecido - dizem que de desgosto! esses três meses passou-os em continuo pranto...
esse meu avô era louco. embora nunca tal lhe tivesse sido clínicamente diagnosticado, todos tivemos a oportunidade de o poder verificar... um louco contestatário, desrespeitador de imposições sociais, libertário, em tempos de liberdade reduzida... para infantil divertimento meu e inquieta preocupação sempre presente na sua filha e sua esposa...

talvez esta genealogia explique muito de mim...

Dito por kay no dia 28 de outubro 2003, às 16h30

ao falar da minha avó materna devia ter dito era, na vez de "é" - acto falhado...

Dito por kay no dia 28 de outubro 2003, às 16h31

foi o coração k falou,
acreditaste k foi um lapso? (ingenuidade)
bonito erro de verdade
:)

Dito por margarete no dia 28 de outubro 2003, às 16h43

uma loucura muito saudável kay :)
temos falta de "loucos" assim nestes tempo de suposta liberdade :)

Dito por dolphin.s no dia 28 de outubro 2003, às 16h45

acto falhado não é erro - é tiro certeiro às cegas... :)

Dito por kay no dia 28 de outubro 2003, às 16h50

estava inibida pela lamechice do acto mas proponho um Hurray aos avós

Dito por margarete no dia 28 de outubro 2003, às 16h54

é lamechas de facto... é nesta altura que eu me corto...

...vou ver se arranjo qualquer coisa com que estancar o sengue...

beijos e até amanhã

Dito por kay no dia 28 de outubro 2003, às 16h59

há coisas em que temos direito a ser lamechas ;)

Dito por dolphin.s no dia 28 de outubro 2003, às 19h16

Sei que sou previligiada. Tive os quatro avós até aos 28 anos. Então morreu o meu avô paterno. Era o Avô Cornetto, porque quando estava connosco, presenteava-nos com as ditas gulodices. Passados 8 meses morreu o avô materno que, ao Domingo, quando eu tinha 5 anos me levava sempre a passear a um parque lindo, com pavões e lobos. Era sempre de manhã e fazia muito frio. Restam-me as duas avós, cuja presença aproveito como posso, mas não como devia.

Dito por cm no dia 29 de outubro 2003, às 14h42

deixa o 'não como devia' assim distrais-te

aproveita aproveita

como sabes, não como manda essa coisa do como deve ser

aproveita diz 'gosto de ti' como quiseres se quiseres até mesmo em silêncio

olha uma ideia: inicia-as na blogosfera, k achas?

Dito por margarete no dia 29 de outubro 2003, às 15h00

Como eu gostava de as ver agarradas ao teclado e a el ratón a fazer pesquisas, a criar blogs e a mandar mails... A mudança nos seus mundos ia ser tão radical como agradável, creio eu.

Dito por cm no dia 30 de outubro 2003, às 09h57

e a cara de espanto e os risinhos quando numa qualquer pesquisa inocente lhes saltasse um daqueles pop-ups com publicidade porno ehehehehehe ;)

Dito por dolphin.s no dia 30 de outubro 2003, às 10h06

a imagem mais forte que, infelizmente, guardo do meu avô materno (o paterno não conheci) é a da súplica... o meu avô morreu de cancro e a última imagem que dele me assalta, pertence a uma visita que eu lhe fiz. nesse dia, sem planear e sem avisar ninguém fui a casa dos meus avós, era já noite avançada, entro em casa deles sem me anunciar(a casa está sempre aberta) e entro no quarto dos meus avós sem bater à porta, silencioso. a minha avó quando me vê encostado na penumbra da porta, atrapalha-se um pouco e tenta sem êxito tapar o corpo do meu avô com os lençóis que estavam no chão à espera de irem para lavar. a minha avó estava a lavar o corpo do meu avô... foi quando vi a doença a devorar impiedosa o corpo do meu avô à frente dos meus olhos... do seu corpo apenas lhe restava a carcaça, dia após dia a doença bebia-lhe e petrificava-lhe o seu corpo. o meu avô naquele instante recordou-me os presos do holocausto amarrados a uma cerca, impotentes, indiferentes à fome porque do seu corpo apenas possuíam uma memória vaga e cujo olhar apenas pedia uma coisa, liberdade... naquele instante o rosto cadavérico do meu avô ergue a vontade de me dirigir umas palavras, com a morte a cobrir-lhe o corpo e o olhar, sinto que ele ainda me reconheceu, mas em vão, segundos depois desistiu, a doença era mais forte. eu nada consegui dizer, apenas fiquei ao seu lado a observar a minha avó a lavar os ossos do meu avô que se preparava para morrer... dois dias depois, no meu aniversário, fui ao seu funeral.

Dito por nelson d'aires no dia 30 de outubro 2003, às 10h42