Certo dia levei uma surra da minha mãe porque do alto do 2º andar onde morava na ex-Lourenço Marques, resolvi atirar aos miúdos da rua as moedas todas da igreja de que ela era tesoureira. Rasguei os mealheiros de cartão (dezenas deles, em forma de marco de correio, cheios) que ela guardava em casa e fiz a distribuição. Alarido, saltos e correrias entre a miudagem de pé descalço! Uma festança que acabou mal, para mim. Tinha eu quatro anos. Senti a injustiça. Cortei relações com a minha mãe, porque me deu uns tabefes e com deus, que não me protegeu no rescaldo daquela boa acção. Reatei com a minha progenitora no dia seguinte, mas,desde então tenho uma relação difícil com o divino ser. Esforço-me, mas não o percebo. No deus mesquinho, prepotente e castigador da cristandade não acredito. No deus bondoso, justo e generoso que em tempos idealizei, também não. Nunca o vi, nunca o senti, nunca dei por ele. Olho à volta do mundo e "cadê"? Isto, a propósito da distribuição da inteligência. Será que a mim, não calhou nem um niquinho?!
Afixado por Eborentino em agosto 28, 2007 10:47 AM