eu escrevo para viajar. fernando pessoa fez o mesmo. mas eu ainda não conhecia fernando pessoa quando senti isso pela primeira vez. é a escrever que eu vou de pessoa em pessoa. e as palavras não são nada ocas e valem tudo o que sentimos e desenham um vestígio do que ainda não sentimos como um todo. se não tens um rosto para olhares, tens pelo menos uma palavra para o descreveres. eu gosto do Al Berto.
Dito por arosendo no dia 27 de outubro 2003, às 14h04:))
Dito por dolphin.s no dia 27 de outubro 2003, às 14h18Al Berto tem que ser uma das minhas próximas aquisições. Tanta gente me fala deste escritor e agora leio este excerto... estou conquistada! Obrigada!!
Dito por Gotinha no dia 27 de outubro 2003, às 14h20e as palavras são suficientes?
Dito por dolphin.s no dia 27 de outubro 2003, às 14h21E porque não começar mesmo pel'O Anjo Mudo, Gotinha? :))
Se preferires poesia agarra o Horto de Incêndio.
Dito por dolphin.s no dia 27 de outubro 2003, às 14h23Para primeira leitura recomendaria o "Lunário"
Gotinha,
Al Berto era mesmo um escritor fantástico..
(Essa será uma das suas últimas fotos, onde já se nota o efeito dos tratamentos a que andava a ser submetido..)
precisamente o que eu não tenho!!
ai ai ai.... não preciso de ajudas para gastar dinheiro Pedro ;P
e já está na lista há muito tempo :/
Com a (companhia da)escrita superamo-nos na viagem, mesmo que fisicamente permaneçamos no mesmo sítio.
As palavras criam, caracterizam, iludem, desvirtuam, enganam. Mas as palavras enriquecem, engrandecem, permitem descobrir, revelam.
E o mundo surge. E o mundo transforma-se. E tudo nos chega, fazendo-nos esbarrar com pequenos pedaços de almas que comportam em sim profundos significados. E eles são ou tornam-se nosso. E nós afundamo-nos neles.
Sandra
Dito por Sandra no dia 27 de outubro 2003, às 14h43"Abril Despedaçado" Ismael Kandharé
"O Medo" Al Berto
"Antidoto" J L Peixoto
"Cidades Invisíveis" Italo Calvino
"A identidade" Milan Kundera (este recomendo com 5*****)
"O spleen de Paris" Charles Baudelaire
Herberto Helder.. todo..
Rimbaud... todo..
P.Neruda... porque não lhe resisto..todo..
(conforme me for lembrando depois vou acrescentando)
:)
Dito por Pedro no dia 27 de outubro 2003, às 17h25Eu também não sou de ferro...
Pedro, que tortura! Sádico!
Sandra :))))))))))))))
Dito por Sandra no dia 27 de outubro 2003, às 18h01O Medo está cá em casa...
Herberto Helder, alguns
Do Kundera tenho a Imortalidade em fila de espera na estante..
Baudelaire, as Flores do Mal andam perdidas num caixote à espera de serem trazidas à luz :)
Acrescenta aí o Dagerman - A Ilha dos Condenados, A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer - e depois os outros todos
Cossery - Mendigos e Altivos - e depois os outros todos
Nietzsche - Todos!!
Beauvoir - Todos!!!
Sartre - ainda em descoberta, mas para já: A Náusea, As Palavras (para quem lhe conseguir pôr as mãos em cima),
Camus - Todos!!! - Mas podem começar pel'A Queda :))
ai ai ai
um dia viajarei tanto como a vontade. estou triste e mais triste por não ter comboio nem vertigem num avião. viajo a vontade, mas o "nada" não é suficiente.
persigo a escrita que me persegue a mente num caminho esquizofrénico... invisível.
quanto mais viajo mais me parece que nunca viajei. a viagem é o caminho, e nesse sentido as palavras também o são.
acredito mesmo que só se viaja quando não mais se pára de viajar. de resto 'vai-se' a sítios.
assim como se vive na palavra ou se usam palavras: duas coisas diferentes.
duas prisões diferentes.
as palavras são suficientes, sim, dolphin. quando não tenho a presença, tenho as palavras que fazem o desenho dessa ausência. o que é falar e o que é escrever? Al Berto era um poeta das palavras perdidas. um poeta do medo.
Dito por arosendo no dia 27 de outubro 2003, às 21h07não sei... tenho a sensação que as palavras aumentam a saudade, quando há ausência...
Dito por dolphin.s no dia 27 de outubro 2003, às 21h27quando há uma falta, já só restam as palavras para construir um passado. já reparaste que os poetas estão sempre a caminhar ao contrário do tempo? é isso uma viagem?
Dito por arosendo no dia 27 de outubro 2003, às 22h36será o medo de esquecer?
alguns estão parados, congelados num momento... ou serei eu que paro quando os leio?
outros são eternos. viajam no tempo, acompanha-nos... não será isso uma viagem também?
ler um poema é continuar a vida desse poema.é uma forma de deslocação do autor pelo tempo do nosso pensamento. a leitura é uma viagem acompanhada.
Dito por arosendo no dia 27 de outubro 2003, às 23h30