sem ter lido o referido documento, só poderei falar assente em fundamentos subjectivos, pessoais...
concordo com a Sol quando afirma a necessidade de sensatez.
porque me continua a parecer confuso (ou incoerente) que um documento de referência para todos os professores (que naturalmente o utilizarão como base de ensino, quanto mais não seja por uma questão de homogeneidade no processo) diga que é só para professores, que os termos ali indicados não precisam ser ensinados aos alunos (quais os termos a ensinar, então? é que os alunos são sujeitos a exames nacionais, seria bom que o ensino da língua no País se regesse pela dita homogeneidade) e que não propõe conteúdos a leccionar (existe para quê então, se nos ensinos básicos e secundários os professores não leccionam Linguística?)
penso que as coisas têm de ser mais claras: o documento seria, por exemplo, uma gramática e os programas curriculares especificariam muito bem quais dos conteúdos inseridos no dumento devem ser leccionados e que termos usar...
Ainda bem que alguma sensatez houve.Não sei se terei pachorra para ler 156 páginas (por mim, felizmente, não tive de aprender tlebs).E colco-me as mesmas questões da maria m. - só que acho que também não deveria ser uma gamática, no sentido habitual - talvez só uma gramática para professores? E para quê?Para eles ficarem a saber? Então dêem.na a conhecer durante as licenciaturas em língua portuguesa.Já seria menos mau...Ou para gastarem mais uns euros a adquiri-la?
A ideia que tenho é que eles já estão arrependidos de se meterem (e meterem professo
res e alunos) nesta baralhada toda...
E quem, afinal, fez a revisão?
Retiro a minha pergunta final - são os já previstos - um é autor ou co-autor de uma gramática tlésbica e directamente interessado - outro, que foi meu professor, creio que não é versado em linguística, mas excelente na teoria literária e na literatura camoniana.Qual terá sido o papel de Aguiar e Silva nisto tudo?
E o dinheiro que se gastou na 1ªversão - nunca a título experimental no Secundário - pagando ao quem a elaborou e mais a quem apressadamente fez manuais tlésbicos, mais a formadores que,nos casos que eu conheço, pouco mais elucidados estavam que os seus formandos?
Um ponto favorável agora: é estar à discussão até fim do ano. Espero que pessoas muito válidas que se preocuoparam com o assunto e sobre ele opinaram se pronunciem também.
Afixado por amélia em setembro 30, 2007 11:38 AMMuito trabalho outra vez, não?
Afixado por L. em setembro 30, 2007 10:40 PMmaria, Amélia, em princípio deverá sair um 2º documento, de carácter pedagógico. Quando, não se sabe ainda. Por ora, norteamo-nos pelos programas que, supostamente, contêm os termos a ensinar, embora não seja nada simples fazer (sobretudo no Ensino Básico) o cruzamento entre programas e TLEBS. Como diz a maria, precisamos de saber bem depressa como trabalhar e o que ensinar, sobretudo atendendo aos alunos que serão sujeitos a exame nacional.
Esta revisão, embora mais sensata que a base de dados, precisa de ser objecto de reflexão, de estudo e de discussão nas escolas. Como o faremos, sinceramente não sei. Não temos tempo. Não há sequer previsão de tempo para isso no nosso pesado horário semanal. A era dos professores reflexivos terminou, se algum dia existiu. Agora é mais dos professores animadores-nem-sequer-culturais. Mas enfim, o documento está muito mais organizado que aquela terrível base de dados, e apresenta a fundamentação científica e metodológica para algumas das decisões tomadas, o que é bom. Por outro lado, é uma proposta, em discussão até final de 2007. E andamos nisto há 3 anos e o tempo vai passando, o ano lectivo prossegue, como os últimos, em instabilidade, por mais que a tutela procure tapar o sol com a peneira. E nenhuma destas revisões, remendos e atropelos teria tido lugar se, em 2004, a TLEBS não tivesse sido imposta sem quaisquer cautelas, sem mais nem menos, atabalhoadamente. Que razões motivaram essa decisão e a quem serviu ela, as teimosias, os jogos de bastidor, de influência, o despesismo... isso só o futuro o dirá, se algum dia se fizer a história desta trapalhada. Imagino que os corredores da 5 de Outubro e das DRE sejam sítios muito sinistros :(
Se havia necessidade de uma nova terminologia linguística, de um documento de referência para professores? Sim, havia. Sabemos bem o que se passa na generalidade das ESE, sabemos como se tem feito a formação inicial e contínua dos professores.
Quanto ao Aguiar e Silva, não sei que papel desempenhou exactamente, mas o documento apresenta um novo olhar sobre as questões da retórica e do texto literário. Com passagens muito agradáveis de ler :) O João Costa é marido da Ana Costa (uma das autoras da TLEBS) e é consultor científico de uma gramática escolar, talvez a mais vendida desde a saída da TLEBS. É também o presidente da Associação Portuguesa de Linguistas e eu quero crer que foi nesta última condição que aceitou o encargo.
Enfim, vamos aguardar. Há sempre novidades. Este executivo faz política ao ritmo da sociedade de consumo: sempre mais, sempre novo, sempre diferente, sempre mais estrondoso! Infelizmente, as novidades, em regra, são, como diz Camões, "em tudo diferentes da esperança". Mas esperemos.
Um beijo a ambas. Boa semana.
Olá, L. Sim, pois ;-)
Afixado por soledade em outubro 1, 2007 01:42 PMJá li o documento e concordo com a Sol, que está bastante mais claro e que parece resolver os problemas da horrível base de dados. Fico à espera do da didactização com alguma ansiedade.
Agora a minha parte subjectiva e pessoal: fui aluna do João Costa em Letras, há uns nove anos. Foi dos professores mais marcantes pela honestidade intelectual, seriedade, simpatia e humildade na relação com os alunos. Se calhar, por isso mesmo, saiu daquele ambiente de guerrilhas e foi para outra universidade. Achei horríveis os ataques de que foi alvo - e que, pelo que aqui vejo, continuam.
Lida a revisão, parece-me claro o que, para mim, como ex-aluna dele, já era evidente. Não foi trabalho de cosmética para agradar a família ou editoras. Foi um trabalho de fundo com muitas mexidas. Eu nunca tive dúvidas, tendo-o tido um ano inteiro como professor de Sintaxe e Semântica.
Também estou a ser subjectiva, não é?
Beijinhos e fôlego para o que ainda vem aí!
Juja, ninguém aqui disse "coisas horríveis" acerca do João Costa. Ele é marido de uma das autoras da TLEBS e consultor científico de uma das primeiras e mais vendidas gramáticas "de acordo com a TLEBS". Tais factos colocam-no em posição vulnerável quando se trata de liderar uma equipa de revisão da terminologia. Ainda que a revisão nos agrade, ainda que possa estar excelente. Ainda que ele seja um cientista sério. Quanto ao 2º documento prometido, o melhor é esperarmos sentadas. Ou muito me engano, ou os advérbios (que nunca foram pêra doce, nem enquanto classe nem quanto à função sintáctica), bem como os novos complementos oblíquos vão dar muito que falar.
Boa sorte para o que ainda aí vem!:)
Não quero assustar ninguém e ainda só li o bicho na diagonal, mas já lá encontrei o «quantificador existencial» que promete - ora digam lá que não! - o negregado «Modificador do nome apositivo» com esta redacção, na qual, segundo me foi ensinado na escola primária, é o nome que é apositivo e não o modificador. Bem sei que embirro com os modificadores - não lhes encontro utilidade e acho que complicam a coisa para os miúdos - mas aqui o que me faz cócegas no sistema nervoso é a redacção...
Afixado por Catarina em outubro 3, 2007 04:13 PMAli em cima e depois do segundo travessão, leia-se um «e» que lá não está!
Afixado por Catarina em outubro 3, 2007 04:14 PME esta? «qualquer advérbio (à excepção do advérbio de negação "não") pode, geralmente, ser substituído por um outro advérbio formado com o sufixo "-mente".» Não vos cheira a esturro?
Afixado por Catarina em outubro 3, 2007 04:17 PMOlá, Catarina. Pois sim, o "quantificador existencial" promete, que mais não seja pelo que sugere:) Mas a etiqueta já é nossa conhecida e usada pelo menos desde a década de 80. E desapareceu o "quantificador relativo" - o "cujo" toma lugar junto dos determinantes, o que é um alívio.
Ando às voltas é com os complementos oblíquos e (ainda) com o predicativo do sujeito. Quanto ao "modificador do nome apositivo", fizeste-me rir. É uma infeliz combinação de palavras, mas enfim, mantiveram a designação existente. Gostávamos mais do "aposto", era mais simples, mas tem interesse distinguir os modificadores apositivos dos restritivos. Os advérbios não vão ser fáceis, não, aliás nunca foram. Mas essa que te cheira a esturro, a mim fascinou-me. Não é que o truque *geralmente* funciona?! ;)
Bastou-me entrar no texto para detectar erros... Logo nos pronomes relativos, apontam para designações que depois não são explicitadas. Falam em «determinante relativo: procura-se, procura-se e procura-se e... puffft, nada. Fala-se em advérbio relativo(o «onde»), em quantificador relativo....E.... nada. Ver página 65. O sangue entrou em ebulição nas veias e achei por bem desistir de ver o resto.
Outros que tenham mais tempo que se dediquem. Eu sou professora, por isso não tenho tempo.
É por ser professora que não posso ignorar o documento. Estou farta de não ser ouvida no que envolve a minha própria acção educativa. E, sem querer defender uma criança que não é minha, faço-te notar as páginas da introdução em que se explicitam alguns critérios e se remete para uma bibliografia comentada. Em tão pouco tempo, esta equipa fez muito. Não resolveu todos os problemas. Mas abriu uma cunha na desorganizada e insuportável tlebs.
Afixado por soledade em outubro 9, 2007 02:21 AMEu também andei às voltas com os pronomes interrogativos e relativos e acho que percebi a ideia. Como dizem na introdução, a TLEBS não é exaustiva e aquela nota parece querer mostrar que nem todas as palavras interrogativas e relativas são pronomes.
Parece-me uma situação equilibrada. A alternativa era ter um termo para cada caso que aparecesse. Prefiro saber que só alguns são pronomes a ter de enfiar na cabeça dos meus 7os anos a diferença entre determinante relativo, quantificador relativo e pronome relativo. Na outra versão, era tudo uma embrulhada, porque diziam que eram tudo pronomes, excepto o cujo, que tinha aquela classificação estranhíssima.
Vou continuar a ler (nas horas vagas...)
Sol, não tenho mesmo tempo para ler e analisar aquilo. Contentar-me-ei com o que vier e calar-me-ei e acatarei a terminologia e o que quer que decidam. Mas o meu «ódio de estimação» cá ficou.
Deu muito trabalho estudar aquilo....
Mas, Juja, não sãp pronomes porquê?
É isso que não entendo. Qualquer um deles substitui SEMPRE uma expressão que está imediatamente antes dela: o «cujo» - de + expressão nominal; o «onde» - em + exp nom. Porquê arrastá-los para outras classes, se o seu funcionamento é igual? Temos mais uma subclasse nos advérbios, mais uma nos determinantes (com um único exemplar) e mais uma nos quantificadores. Qual a vantagem?
Eliana, eu sei que não tens tempo. A máquina tornou-se infernal. Por isso escrevi aí algures que a existência do "professor reflexivo" é uma impossibilidade. Também contemporizo muito mais e procuro resguardar-me. Hoje, almoçando na cantina, um colega dizia que tinha saudades minhas, de como eu era antes,"protestativa", que o divertia muito. Mandei-o ir ver os Gatos Fedorentos. Ainda assim, custa-me não intervir e de vez em quando tenho recaídas. Pouco adiantam, certo, mas não gosto de te ouvir assim, sempre foste tão combativa! Vá lá! Há muitas formas de acatar...
Afixado por soledade em outubro 10, 2007 02:18 PMA minha interrogação fundamental continua a ser «Será a TLEBS necessária?» E, a seguir, «Vem ajudar os miúdos a escrever melhor, a compreender melhor o que lêem, a fazer uma melhor análise gramatical?». E, depois de muito pensar, depois de muito ler aquele arrazoado tlébico, depois de ouvir os meus antigos alunos, agora no 11º ano e com os ouvidos cheios de TLEBS, a resposta mais honesta que posso dar às duas perguntas é «Não.» Infelizmente, se calhar, mas não.
Afixado por Catarina em outubro 12, 2007 11:52 AMCatarina, tu tens razão, mas eu subia um ou dois degraus nesta procura de causas próximas para o insucesso real. O programa de Português do Secundário é mau. As competências nucleares para o Ciclo deixam-me um gosto ácido na boca, sempre que preciso de consultar o documento. A própria noção de competência, o chamado saber em acção, isso que se *desenvolve*, mas não é mensurável, causa-me grande perplexidade e irritação. Não sou construtivista, está visto. Se acolho alguma teoria pedagógica, estará mais próxima do cognitivismo. A TLEBS é muito visível, mas as causas do problema estão a montante. A montante inclusive do programa e da organização curricular.
Um abraço às três, emn, Catarina e Juja
Claro que o programa é mau! Já o anterior o era, embora um pouco menos, e o anterior a esse também, se bem que menos ainda e assim sucessivamente.
Como não gosto de parecer maquiavélica, não sei se atribua o facto a incompetência, pura e dura, dos figurões instalados no ME e que parecem estar lá há séculos, se a uma política concertada que vise eliminar do ensino, aos poucos para não dar barraca, tudo quanto possa levar os jovens a pensar, a questionar-se sobre a vida e o mundo. O Latim foi a primeira vítima, e já tombou. Duas aulinhas semanais de Latim desde o 7º ano, fariam milagres pela ortografia e gramática dos meninos - gramática-gramática e não tlebice! Agora ataca-se a Literatura, a Filosofia, a História e a Geografia. A seguir...