Comentários: Não é a melancolia de outono

As brumas também enfeitiçam as manhãs;
no entanto Gauguin prefere o calor colorido dos trópicos (ainda que triste)

Afixado por cxara em outubro 1, 2007 10:22 PM

Acontece...e não é a melancolia de outono.
É um vidrinho cortante este da falta. Lá se vão todos os truques, ficamos assim perdidos como a rapariga de Gauguin.

Afixado por ana assunção em outubro 1, 2007 10:56 PM

é realmente angustiante quando os gestos perdem o sentido - fico mais ou menos assim após cada concurso, quando fico dois ou três meses estudando sem parar e, depois que chega finalmente a prova, aquela rotina monástica (e que foi se tornando confortável) é cortada

Afixado por Mississipi em outubro 2, 2007 01:24 AM

na ausência de ti,
«perderam
sentido os gestos pequenos
que iluminavam os dias.»,
anteriores a ti.

belo poema!

Afixado por maria m. em outubro 2, 2007 08:51 AM

E como não haveria de gostar muito?

Só sentimos a perda quando perdemos - não antes de ter.«Nessun maggior dolore che recordarsi dei tempi felici nella miseria» lamentavam - se Paolo Malatesta e Francesca di Rimini...Nisso não sei bem se estou de acordo...é bom recordar, mesmo que melancolicamente outonal,os tempos em que a vida tinha todo o sentido.
«Nada poderá fazer voltar a hora/do esplendor na relva/da glória na flor/Não nos lamentaremos-antes procuraremos a força no passado»-lembras?Wordsworth e Deanie...

No que diz, estou de acordo com a Ana. Ela sabe.

Afixado por amelia em outubro 2, 2007 11:29 AM

O teu belo poema fala de uma matéria tão sensível que é difícil traduzir em palavras o que se sente - fico sem saber o que dizer. Entretanto, quando ia nas minhas habituais corridas passei por um campo antes plantado, de repente tornado restolho :
Daquilo que foi seara/verde de luz fulgente,/só o restolho ficou/e a alma descalça/pisa e sente-se a dor/até nas próprias sombras/Campo esvaziado, de solidão/ memórias tatuadas, cicatrizes,/ que só tempo calcifica/na sua marcha demorada -/tarefa difícil em tecidos/frágeis, invertebrados, na alma.
Foi bom voltares

Afixado por Carlos Rodrigues em outubro 2, 2007 01:31 PM

Tudo o que dizem eu também aprecio muito, mas o que eu gosto mesmo, na sua poesia é da música! É uma música só sua e um bocadinho estranha, mas que nos cativa.

Afixado por ilia em outubro 2, 2007 04:00 PM

Olá Soledade!
Não percebo muito de poesia, mas aprecio. E quando li este poema fiquei preso nos primeiros versos, não consegui ler mais (ler até li, mas está tudo nos primeiros versos!).
«Não é a melancolia de outono / as brumas que adoçam a tarde / nem o tempo que meço /estreito.»
Que subtileza da língua. Ao começar por um "não" traz toda a força telúrica que reveste o carácter adâmico do ser humano (húmus, inevitavelmente húmus). Assim se entende a melancolia como grito da terra no homem, tal como a cor da mulher de Gaugin que dissipa o branco, pois se essa imagem ganhasse movimento, o branco que a cobre ia desaparecendo.
Spinoza defendia que "omnes negatio est determinatio" - não é em jeito de provocação que cito Spinoza.
O "Não" é uma condição da melancolia, deste estado afectivo ou desta miragem "estésica" que nos impede de "medir o tempo estreito" - quem prefere o não da alienação jamais poderá ter o tempo estreito e homogéneo, mas enredar-se-á num tempo desintegrado.
Obrigado

Afixado por Valter em outubro 2, 2007 05:38 PM

Adorei o poema :) e como a Sr. Amélia diz e muito bem, passando a citar, "Só sentimos a perda quando perdemos - não antes de ter"...e o poema transmite um pouco essa perda de algo...

Estou apenas a opinar (beicinho)

Um grande Beijinho

Afixado por Sílvia Lopes em outubro 2, 2007 06:23 PM

Soledade, não, não é a melancolia do outono...
Quem disse que nunca tinha fim o tempo dos desejos? Como pode não arder um fogo que se atiça a sonhos velhos?
Gostei muito do seu poema. Um beijo.

Afixado por Graça Pires em outubro 2, 2007 08:51 PM

olá soledade!

temos que tomar um cafézito! também estou a dar aulas na benedita!

Afixado por manuel a. domingos em outubro 3, 2007 01:51 PM

Já te "emeilei", Manuel. Bora tomar café :) Ou o mundo é pequeno, ou aqui é o cabo do mundo...

Afixado por soledade em outubro 3, 2007 02:05 PM

Já agora: eu também moro perto,Manuel - em Leiria...

Afixado por amelia em outubro 4, 2007 12:51 AM

Olá!
Gostei do poema e acho boa escolha, Gauguin.
Não conheço pessoal/ nem tenho nenhuma questão com Maria Filomena Mónica, versão feminina de Vasco Pulido Valente(seu antigo companheiro sentimental, aliás).
Gosto da sua escrita e considero-a inteligente, mas já me saturei da sua auto-complacência e da maneira como olha as outras pessoas.
Não é ela, de certeza, a única pessoa decente, responsável e boa profissional no país!!
Bom ano lectivo!

Afixado por saobanza em outubro 4, 2007 01:14 AM

Não sei se a Filomena Mónica é "boa profissional, decente ou responsável". Pedante é qb! E ter escrito um artigo a zurzir naquele salazarento do Valter Lemos não chega para me fazer simpatizar com ela. Acho que estamos de acordo, São.
Obrigada pelos votos de bom ano lectivo. Retribuo, se for caso disso :)

Afixado por soledade em outubro 4, 2007 01:41 AM

Agradeço a todos os que vieram ler o poema, ao cxara, que é das minhas berças; à Anita e à Amélia que me contam da falta e da perda; à Sílvia que não precisa de fazer beicinho e que gosto sempre de rever, mesmo de corrida; ao Daniel que conhece a angústia das rotinas subitamente esvaziadas de sentido (tudo há-de correr melhor!); à maria m. e à ilia que escutam; à Graça que lê e (me) desvenda; ao Carlos, leitor gentil; ao Valter que me deixou tão surpreendida com a leitura filosófica aqui e com os parabéns na escola :) E à saobanza que trouxe uma conversa de outro sítio e saudou gauguin e o poema. E ao manuel domingos, por ter dado notícia da recente vizinhança.
É bom ter-vos a todos aqui!

Afixado por soledade em outubro 4, 2007 01:57 AM

Aqui está mais uma de Leiria, atrasada, como sempre ( Manuel, fui dar um passeio pelo seu blog e gostei do que li ! ).

Quem diria que ainda ontem tomámos café juntas e nada disto foi dito, tantas são as palavras e tão pouco o tempo ?!
Não é a melancolia do outono, não! Para mim, outono rima com outubro que ainda agora começou. Os amanheceres e os entardeceres são ainda doces como o seus versos,Soledade. E é dessa doçura que gosto. Mas sinto como a Ana. O tal vidrinho cortante (bela imagem !)que arrepia, o absorto, esquecido e perdido "estar" da mulher que Gauguin pintou em tons tão quentes como o nosso outono, são os três últimos versos do seu poema,Sol, bem fortes e verdadeiros.
E, como diz a Amélia " E como não haveria de gostar muito ? "

Afixado por fernanda s.m. em outubro 7, 2007 03:01 PM

Olá, Fernanda. À "casa" dos amigos nunca chegamos atrasados. E foi óptima a tarde de sábado, a companhia, a conversa, os livros em volta, um castelo do outro lado da praça e um alentejo do outro lado do olhar :)
Um beijo, uma boa semana

Afixado por soledade em outubro 8, 2007 11:02 AM

Só canta bem a perda quem a perda conhece – nesse cantar algo se encontra, e isso ameniza a perda!
Beijo Carlos Peres feio

Afixado por c peres feio em outubro 21, 2007 11:09 PM

Obrigada, Carlos :)
Um beijo para ti - neste tu dia.

Afixado por soledade em outubro 21, 2007 11:21 PM